A secretaria de Saúde de Campinas confirmou, na tarde desta segunda-feira (7), duas mortes por febre maculosa. São os primeiros óbitos registrados no município em 2025. Um dos casos foi de uma pessoa infectada fora da cidade e o outro, com transmissão dentro do território da metrópole.
Segundo a pasta, o município está em período de sazonalidade da doença, que vai de junho a novembro, quando há maior circulação do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa. Por isso, ações de prevenção vêm sendo intensificadas desde o mês passado – veja mais abaixo.
Quem eram as vítimas e onde elas foram contaminadas
As mortes confirmadas ocorreram nos meses de maio e junho:
- Mulher, 47 anos, moradora da região do CS Jardim Guanabara. Começou a apresentar sintomas em 4 de junho e faleceu no dia 10 do mesmo mês. Foi atendida e internada em hospital privado de Campinas. De acordo com a Prefeitura, o local provável de infecção foi um terreno privado na área rural no distrito de Sousas, perto do Rio Atibaia.
- Homem, 63 anos, morador da região do CS (Centro de Saúde) Aeroporto. Ele apresentou os primeiros sintomas da doença em 31 de maio e a morte ocorreu em 6 de junho. Foi atendido e internado em hospital público de Campinas. O local provável de infecção é uma área de pesca em outro município do estado de São Paulo.
De acordo com a secretaria de Saúde, em 2024 foram registrados oito casos de febre maculosa, todos com transmissão em Campinas, e um óbito. Em 2025, até o momento, são dois casos confirmados — um com transmissão local — e dois óbitos.
O que a Prefeitura de Campinas está fazendo para prevenir casos de febre maculosa
Após a confirmação da transmissão local, a Prefeitura reforçou a sinalização de risco para transmissão da febre maculosa com instalação de placas de alerta nas proximidades do local provável de infecção. Além disso, houve um trabalho de ação educativa com orientações para a população que reside em imóveis próximos das áreas com risco de transmissão no distrito de Sousas.
Foi feito ainda um trabalho para sensibilização dos profissionais das imobiliárias com sede próxima ao local provável de infecção, incluindo um comunicado com recomendações de cuidados durante as atividades em áreas de risco e a importância de orientar os clientes.
Entre 2023 e o primeiro semestre de 2025, foram realizadas 266 ações educativas relacionadas à doença – sendo 66 apenas este ano. A lista reúne palestras, oficinas, visitas a imóveis para orientações aos moradores, capacitações de profissionais e exposições.
A Prefeitura de Campinas também iniciou, em setembro de 2024, um trabalho de controle reprodutivo das capivaras que vivem nos parques públicos, já que esses animais são hospedeiros do carrapato-estrela.
Cerca de 200 capivaras já foram esterilizadas na Lagoa do Taquaral, e a ação foi estendida em junho de 2025 para o Lago do Café. Após a conclusão desta etapa, serão contemplados os seguintes locais: Parque das Águas, Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, Parque Hermógenes de Freitas Leitão, Parque Linear Capivari e Parque Linear Ribeirão das Pedras. A gestão do projeto é coordenada pela secretaria do Clima, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Doença perigosa e de evolução rápida
A febre maculosa é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela picada do carrapato-estrela. Os sintomas surgem entre 2 e 14 dias após a picada e incluem febre, dor de cabeça e dores no corpo, podendo ser confundidos com outras doenças como dengue e gripe.
A doença tem cura, mas o tratamento precisa ser iniciado logo nos primeiros sintomas. O risco de complicações e morte aumenta muito quando há atraso no diagnóstico.
Como se proteger
Para evitar a febre maculosa, a Prefeitura orienta cuidados principalmente para quem frequenta áreas com vegetação, matas e regiões próximas a rios e lagos. Veja as principais dicas:
- O carrapato-estrela é encontrado naturalmente em gramados e matas, em especial nas áreas próximas a rios, lagos e lagoas. Se estiver contaminado, pode transmitir a bactéria que causa a febre maculosa;
- Evite caminhar, sentar e deitar na grama e nos locais com acúmulo de folhas secas caídas. Os carrapatos se concentram em áreas de sombra;
- Evite se aproximar de rios, lagos, lagoas e dos animais presentes no local;
- Faça piquenique, comemoração, ensaio fotográfico e atividade física nas áreas pavimentadas;
- Use vestimentas claras e observe o corpo e as roupas. Se algum carrapato chegar até você será mais fácil enxergar;
- Encontrou um carrapato aderido na pele? Retire com cuidado, sem esmagar, de preferência usando uma pinça e lave o local com água e sabão;
- Em casa, tome banho quente e use bucha vegetal fazendo movimento circular. Se tiver algum carrapato na pele, a bucha ajuda a retirar;
- Ao visitar áreas verdes e parques da nossa cidade, respeite as orientações das placas de informação e, se apresentar sinais e sintomas (febre, dor no corpo, dor de cabeça) em até 14 dias, procure por um serviço de saúde e relate a situação e exposição ambiental;
- O carrapato de cachorro não é da mesma espécie do carrapato-estrela. Porém, se o seu pet frequenta área de risco, ele pode ser infestado pelo carrapato-estrela e levá-lo para casa.
Lei obriga aviso em eventos
A Lei Municipal 16.418/2023 determina que eventos realizados em áreas com risco de presença do carrapato-estrela devem alertar os participantes sobre o perigo da febre maculosa.
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