Um levantamento do Centro de Estudos em Economia do Crime da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) apontou que os furtos e roubos de celulares no estado de São Paulo diminuíram 15,9% em 2024. De janeiro a novembro do ano passado, foram registradas 247.890 ocorrências, contra 294.841 em todo o ano de 2023. Só em Campinas, foram registrados 5.241 casos de celulares roubados em 2024.
A queda no estado, segundo a Fecap, pode ser atribuída a uma combinação de fatores, incluindo avanços tecnológicos em segurança, mudanças no comportamento da população e esforços das autoridades para coibir esses crimes (entenda mais abaixo). Entretanto, a percepção de insegurança ainda persiste em algumas regiões.
“Apesar dos dados apontarem uma redução consistente nos crimes de roubo e furto de celulares no estado de São Paulo, a percepção pública muitas vezes não reflete essa realidade. Essa disparidade entre os números e a sensação de insegurança pode ser atribuída a fatores psicológicos, narrativos e midiáticos que moldam como as pessoas processam informações sobre o mundo ao seu redor”, afirma o pesquisador da Fecap, Erivaldo Vieira.
Campinas: taxa de 460 furtos e roubos de celulares por 100 mil habitantes
Em Campinas, foram registrados 5.241 casos de celulares subtraídos em 2024. Com uma população de aproximadamente 1,13 milhão de habitantes, a cidade apresenta uma taxa de 460 ocorrências a cada 100 mil moradores. Embora esse número seja considerado moderado em relação a outras cidades do estado, a região ainda enfrenta desafios na segurança pública, especialmente em áreas de grande movimentação.
Um exemplo disso ocorreu no transporte coletivo: em setembro do ano passado, uma mulher foi presa em flagrante após furtar o celular de uma passageira em um ônibus do BRT. Investigada por crimes semelhantes, a suspeita já possuía histórico criminal e, segundo a polícia, pode integrar uma quadrilha especializada nesse tipo de ação dentro do sistema de transporte de Campinas.
Outras cidades com altos índices
A cidade de São Paulo, apesar de registrar uma queda de 25,7% nos furtos e roubos de celulares, ainda lidera em números absolutos, com 133.879 ocorrências. A capital tem uma taxa de 1.169 casos por 100 mil habitantes, refletindo os desafios de segurança de uma metrópole com mais de 11 milhões de pessoas.
No litoral, Praia Grande registrou 894 casos, com uma taxa elevada devido ao alto fluxo de turistas na alta temporada. São Vicente, com 576 ocorrências, tem um cenário preocupante, superando a vizinha Santos (392 casos), apesar de sua menor população fixa.
Em Santo André, município do ABC Paulista, foram contabilizados 657 furtos e roubos de celulares, um número significativo para uma cidade de porte médio e com grande movimentação diária. Já São Bernardo do Campo (468) e Osasco (417) também figuram na lista de cidades com altos índices.
O que explica a queda?
Segundo o pesquisador Erivaldo Vieira a redução nos crimes de celulares é resultado de diversos fatores interligados:
- Indústria bancária: Medidas voltadas à proteção de dados sensíveis, como a popularização de sistemas de autenticação de dois fatores, podem ter tornado o roubo de celulares menos atrativo para criminosos, já que o acesso a informações financeiras se tornou mais difícil.
- Fabricantes de celulares: A evolução nas tecnologias de bloqueio remoto, rastreamento e inutilização de dispositivos roubados vem desestimulando o mercado ilegal de celulares, reduzindo o incentivo para esses crimes.
- Empresas seguradoras: A ampliação de seguros de celulares e mudanças nas políticas de reembolso podem ter impactado o comportamento de consumidores e criminosos, criando um ambiente de menor risco para as vítimas.
- Mudanças comportamentais: A conscientização crescente da população sobre os riscos de exposição ao roubo, aliada a práticas preventivas, como o uso de dispositivos de forma mais discreta em locais públicos, pode estar contribuindo para a redução dos crimes.
“Esses fatores apontam para uma transformação ampla e estrutural, envolvendo diversos setores e mudanças sociais. Não parece haver uma causa única ou específica, mas sim uma combinação de ações em diferentes esferas, que juntas têm gerado resultados positivos”
conclui.
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