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CampinasCotidianoCerca de 4,4 mil pessoas por leito: Unicamp é o mais sobrecarregado dos HCs do interior de SP

Cerca de 4,4 mil pessoas por leito: Unicamp é o mais sobrecarregado dos HCs do interior de SP

Hospital tem maior população SUS-dependente com uma das menores quantidades de leitos de alta complexidade

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O HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp enfrenta hoje a maior sobrecarga entre os hospitais de clínicas do interior do estado de São Paulo. Um levantamento da Deas (Diretoria Executiva da Área da Saúde) da universidade mostra que a média é de 4.403 pessoas que dependem do SUS para cada leito disponível na unidade.

Esse número é resultado da combinação entre alta demanda da região de Campinas e estrutura que não cresce há 40 anos, segundo o superintendente do HC, Elaine Ataíde. Ela explica que o hospital é referência em alta complexidade para até 60 cidades, com uma cobertura populacional que, em alguns casos, ultrapassa os 6 milhões de habitantes.

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“Nós temos uma abrangência muito grande de cidades, dependendo do convênio. Isso faz com que nossa capacidade instalada devesse ser muito maior, e ela não cresce há 40 anos”,

afirma Elaine.

Somando os leitos do Hospital de Clínicas e do Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher), a Unicamp possui 560 leitos para uma população SUS-dependente de 2,4 milhões de pessoas. Na comparação com outras instituições semelhantes no interior paulista, o contraste é evidente:

HospitalLeitosPopulação SUS-dependente
HC da Faculdade de Medicina de Marília315880.842
HC Unicamp + Caism5602.465.489
HC da Faculdade de Medicina de Botucatu5611.337.098
HC da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto8001.679.871

Mesmo sendo o segundo hospital com menos leitos, o HC da Unicamp atende à maior população SUS do interior. Isso faz com que sua média de pessoas por leito seja o dobro da registrada no HC de Ribeirão Preto, por exemplo, que tem em média de 2.100 pessoas por leito.

Falta de expansão e pressão crescente no HC da Unicamp

Para o diretor executivo da Área da Saúde da Unicamp, Luiz Carlos Zeferino, a raiz do problema está na ausência de crescimento da estrutura hospitalar nas últimas décadas, enquanto a população explodiu.

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“O HC foi inaugurado em 1986 e tem praticamente a mesma capacidade até hoje. Mas a população de Campinas aumentou 60% a 70%, e cidades como Sumaré e Hortolândia multiplicaram por 10. E hospitais para tratar câncer ou fazer cirurgia cardíaca não surgiram”,

ressalta.

O que pode ser feito agora?

Em junho, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou a construção de um novo hospital em Campinas, com capacidade para até 400 leitos. A expectativa é de que o processo de licitação comece ainda neste ano, mas a obra deve levar anos para ser concluída.

Enquanto isso, a alternativa, segundo os diretores do HC, é adotar soluções emergenciais. Elaine Ataíde afirma que o hospital busca parcerias com municípios para microrregulação: encaminhar pacientes de média complexidade para outras unidades, liberando leitos para casos mais graves, como cardiologia e oncologia.

“Estamos rodando leito para atender com mais assertividade a população de alta complexidade, que é quem faz fila”,

explica.

Zeferino defende também que o Departamento Regional de Saúde deverá fazer a contratação de leitos na rede privada, como forma de aliviar a pressão sobre o HC e demais hospitais da região que compõem o SUS.

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O que diz o Estado?

O DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas informou que tem realizado reuniões com unidades da Região Metropolitana de Campinas para traçar estratégias de encaminhamento adequado dos pacientes, conforme a complexidade dos casos.

A secretaria de Estado da Saúde destacou que “o acesso da população aos serviços de saúde tem sido ampliado de forma contínua”, e que a construção do Hospital Metropolitano, com até 400 leitos, será um dos principais reforços para a rede da região.

Entre as medidas imediatas, o DRS mencionou um chamamento público para contratar 4 mil procedimentos ambulatoriais e hospitalares, que deve ser finalizado no próximo mês.

A pasta também citou a Tabela SUS Paulista como exemplo de valorização do atendimento no sistema público. De janeiro de 2024 a abril de 2025, segundo a secretaria, o HC da Unicamp já recebeu R$ 143,3 milhões por meio da iniciativa, que pode pagar até cinco vezes mais por procedimentos realizados via SUS.

*Com informações de Jorge Talmon/EPTV Campinas

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Laura Nardi
Laura Nardi
Repórter Web no ACidade ON Campinas. Graduada em Jornalismo pela PUC-Campinas, tem passagem pelos portais Tudo EP e Jornal de Valinhos. Adentrou no Grupo EP em 2023 e atua nos conteúdos digitais, enfaticamente com a parte textual.

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