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Filha de diarista e cobrador, jovem passa em medicina na USP e Unicamp

Aluna de escola pública a vida toda, Monaliza Ávila, de 21 anos, mantinha rotina de 15 horas de estudos

| ACidadeON Campinas

Jovem levou a família para conhecer a Unicamp. (Foto: Arquivo Pessoal)

A estudante Monaliza Ávila, de Paulínia, mostrou que nenhum sonho é grande ou distante o bastante para não ser alcançado. Filha de diarista e cobrador de ônibus, e tendo estudado a vida toda em escola pública, ela passou no vestibular de medicina da USP e da Unicamp, aos 21 anos.

E não pense que o sonho se realizou do nada. Monaliza conta que foram necessárias horas intensas de estudos todos os dias, o que significa que até alcançar o resultado esperado, ela chegava a estudar 15 horas por dia, com pausa apenas para o almoço.

A rotina começou no ensino médio, onde ela auxiliava escola e cursinho pré-vestibular. No começo foi difícil para Monaliza acompanhar o ritmo, mas, aos poucos e com um rígido cronograma, ela foi se adaptando.

"O segundo, terceiro e quarto ano de cursinho foram bastante intensos. Estudava das 7h às 21h praticamente, contando as aulas e os momentos sozinha. Ano passado, estando em casa, eu ficava estudando até mais tarde por não ter horário para sair do cursinho e ir pegar o ônibus, por exemplo, e acabava que eu nem via a hora passar e já era hora de dormir", relembra.

Todo o esforço de Monaliza fez com que, aos 19 anos, ela passasse no primeiro vestibular de medicina, na UFMA (Universidade Federal do Maranhão). Tempos mais tarde, aos 21, ela alçou voos ainda maiores, conquistando vaga em duas das universidades mais renomadas da América Latina.

"Fui para a segunda fase de três paulistas, e passei em 5º lugar na USP e na Unicamp. A Unesp adiou a segunda fase e ainda não tem data. Nos outros anos eu só prestava Unicamp e Enem. Cheguei a passar pelo Sisu na UFMA, na UFRJ, na UESPI e na UFBA".

UNICAMP

Monaliza fez o ensino fundamental na escola estadual Pe. José Narciso Viera e ensino médio no Cemep (Centro Municipal de Ensino Profissionalizante Osmar Passarelli Silveira), ambas em Paulínia. E foi ainda nessa época que ela se encantou pela Universidade Estadual de Campinas.

"No ensino médio eu tive uma professora que me apresentou a Unicamp e, desde então, me apaixonei pela universidade e decidi que era ali que eu queria estudar". Ela conta que medicina nem sempre foi a profissão dos sonhos. Como sempre gostou da área de ciências, Monaliza entrou no ensino médio com a ideia de fazer biologia.

Mas não teve jeito, bastou um workshop de medicina no campus para que a estudante tivesse certeza de qual profissão seguir e qual universidade escolher.

"A escolha do curso partiu do que eu vi no workshop, do quão fascinada eu fiquei pela infraestrutura da faculdade de medicina da Unicamp e, principalmente, da vontade de aprender sobre o vínculo entre as pessoas e do quão importante é a junção da técnica com um tratamento humanizado".

OS PAIS

Hoje, após anos de dedicação, Monaliza enche os pais de orgulho. Mesmo com a renda apertada, a diarista e o cobrador de ônibus nunca deixaram de investir no futuro da filha. Seja com palavras ou ajuda financeira, Monaliza ressalta que o apoio dos pais foi fundamental no trajeto traçado até conseguir ser aprovada no curso dos sonhos.

"Os meus pais foram fundamentais tanto financeiramente quanto emocionalmente. Consegui muita ajuda com bolsa no cursinho, o que permitia que meu pai continuasse pagando por todos esses anos. Minha mãe sempre ajudou em tudo e sempre reforçava a minha esperança de que minha hora iria chegar". E de fato chegou.

ACEITAR O PRÓPRIO CAMINHO

Além do desafio de se adaptar à rotina de estudos, Monaliza, assim como muitos estudantes, sofreu pelo excesso de futuro. A ânsia de conquistar uma vaga na universidade dos sonhos fez com que, em determinados momentos, ela se desestabilizasse emocionalmente.

"Com o avanço no aprendizado e construção de uma base mais sólida, o meu desafio deixou de ser conteudista e passou a ser mais emocional. Tive que aprender a aceitar o meu próprio caminho e me fixar na ideia de que eu estava vivendo um processo que, assim como teve um início, teria um fim. Acho que esse meio foi a parte mais difícil: aceitar o tempo certo das coisas acontecerem", afirmou a atual estudante de medicina da Unicamp.


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