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Internet das Coisas e tecnologia a bordo de um caminhão

Campinas foi o primeiro destino do Hackatruck, que qualificou universitários da PUC-Campinas no ramo de inovações

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Hackatruck estacionou em Campinas (Foto: Renan Lopes/ACidadeON) 

Já pensou em controlar as cortinas da sua casa à distância, pelo celular? Ou encher uma banheira com total controle da temperatura da água? Estes e outros exemplos já acontecem e pouco a pouco se tornam parte da nossa realidade graças a um ramo da tecnologia da informação chamado internet das coisas (IoT). Em Campinas, alunos da PUC-Campinas foram os primeiros do Brasil a se capacitarem em um caminhão que viaja o país oferecendo um espaço para que protótipos do tema possam ser desenvolvidos.

Chamado de Hackatruck (ou caminhão hacker, em tradução livre), o espaço é um laboratório tecnológico itinerante que percorre o país oferecendo palestras sobre inovação e novas tecnologias em universidades parceiras. O projeto é administrado pela IBM, executado pelo Instituto Eldorado e conta com o apoio da Apple e Flex.

"TI (tecnologia da informação) deixou de ser só computador e programação", explica José Maria Cesario Junior, desenvolvedor da IBM e palestrante no Hackatruck. "Além do desenvolvimento de sistemas, existe o desenvolvimento de tecnologias disruptivas." Para tecnologias da internet das coisas, por exemplo, é necessário saber trabalhar com microcontroladores, interagir com o meio físico, ler sensores, entre outros, explica o professor.  



INTERNET DAS COISAS

A primeira coisa que vem a mente na questão de internet das coisas é a automação residencial, diz Cesario. Contudo esse não é um cenário de IoT: uma geladeira que se conecta a internet e avisa o consumidor quando um produto está faltando talvez seja o exemplo mais fácil e notório, mas não representa o potencial e o conjunto de tecnologias de Internet das Coisas.

A Internet das Coisas engloba tecnologias que combinam capacidades de computação, comunicação e controle, simultaneamente e podem ser aplicadas em diversas áreas como indústria, produtos conectados, saúde, cidades, entre outras.

Ela ainda não é tão presente no Brasil, visto o país ainda estar em desenvolvimento e o acesso a internet de alta velocidade ainda ser um tanto restritiva por aqui. "Essas tecnologias chegam com certa dificuldade ao país devido, principalmente, a aspectos de infraestrutura, como internet cara e lenta, a necessidade de ter um celular de ponto para controlá-la", explica Sílvia Soares, diretora da Faculdade de Análise de Sistemas da PUC-Campinas.

Mas, visto o custo e tamanhos cada vez menores dos sensores, é possível transformar praticamente qualquer produto em um item de internet das coisas. "Por exemplo, é possível automatizar uma persiana para que ela abra e feche automaticamente de acordo com a previsão do tempo ou a presença de luz solar", diz Cesario.
Atualmente, a presença de tecnologias de internet das coisas é mais presente da indústria, que pode automatizar e conectar diversos aspectos e áreas de todo o chão de fábrica.

"O sistema pode, por exemplo, reconhecer quando uma peça vai quebrar, alertando os administradores da necessidade de comprar a reposição meses antes da quebra acontecer", explica o professor. Isso impediria a paralisação de uma área devido a falta da peça, por exemplo.  



MÃO NA MASSA

A segunda etapada do Hackatruck, que teve início na PUC-Campinas, visa capacitar alunos em tecnologias de IoT, expandindo a presença da inovação e seus desenvolvedores pelo país.

As aulas ministradas no Hackatruck abordam temas como inteligência artificial, computação quântica e blockchain, a tecnologia que rege as criptomoedas, e são oferecidas a todos os alunos dos cursos de tecnologia da universidade. No entanto, alguns são selecionados para participarem de aulas onde podem colocar os ensinamentos em prática, desenvolvendo projetos e protótipos da área de internet das coisas.

O curso de capacitação em IoT tem seis semanas de duração e carga horária de 120 horas. Os alunos selecionados são capacitados em softwares e linguagens, como Switch, para dispositivos Apple, e metodologias de desenvolvimento como DevOps, Agile, Scrum e Design Thinkings, todas voltadas para o ramo de IoT.

A universidade PUC-Campinas foi a primeira faculdade da segunda fase do Hackatruck. A primeira etapa do projeto focou na criação de aplicativos para celulares e tablets. Ela ocorreu entre setembro de 2014 e dezembro de 2017, percorreu 48 mil km e passou por dez universidades de todo o país.  

SÉRIE

Inspirado pela reformulação de seu projeto gráfico, o ACidade ON publicou durante esta semana a série "Inovar é Preciso", que destaca projetos ligados à inovação. No total foram cinco reportagens, publicadas desde segunda (25) até esta sexta-feira (29).  

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