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Centro de Tecnologia ensina economia solidária no Bassoli

Ação do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer integra projeto que pode nortear futuras políticas públicas

| ACidadeON Campinas

 

Curso será ministrado para mulheres do Jardim Bassoli (Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas)

Uma pesquisa desenvolvida no CTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer) vai oferecer um curso gratuito de economia solidária a mulheres que vivem em regiões periféricas. O objetivo é dar oportunidade de geração de trabalho e renda às mulheres, e os resultados da pesquisa poderão ser usados para a formulação de futuras políticas públicas.

O curso será efetuado no início de outubro no Jardim Bassoli, em Campinas, e é fruto da pesquisa da antropóloga Cátia Regina Muniz e do psicológo Guilherme Bergo Leugi, bolsistas na DIPTD (Divisão de Acompanhamento e apoio a Políticas em Tecnologia Digital) do CTI, cujo objetivo é o desenvolvimento de políticas públicas.

Chamado de "Mulheres na Economia Solidária", o curso quer ensinar às mulheres uma nova maneira de trabalhar, gerar renda e colaborar com a comunidade do bairro. Nele, as participantes aprenderão a o que é economia solidária, autogestão, como organizar um empreendimento colaborativo, noções de economia e finanças, além de como trabalhar em cooperação.

"Elas já identificaram por conta própria a demanda pelo que elas podem oferecer, perceberam que a saída para ganhar dinheiro é pelo proprio bairro, um desenvolvimento territorial, baseado nas habilidade que elas têm e podem oferecer", explica Cátia. "Vamos dar todo o suporte para que elas possam desenvolver negócios de economia solidária."  

Os pesquisadores Guilherme Bergo Leugi e Cátia Regina Muniz (Foto: Renan Lopes/ACidadeON Campinas)
Com o conhecimento adquirido no curso, as participantes poderão fundar cooperativas de confecções de roupas ou artesanato, fornecer serviços de limpeza, reciclagem ou refeições. "Tudo vai depender delas", diz Cátia. "Elas vão avaliar as habilidades que já tem para poder colocar isso em prática."

Guilherme explica que um dos motivos para se criar iniciativas solidárias é a distância. "Do Bassoli até o Centro de Campinas, por exemplo, são quase duas horas de ônibus. Para essas mulheres, que são na maioria das vezes mães, não é algo que valha a pena", conta Bergo. "Com quem elas deixariam esses filhos? O salário vai ser o suficiente? Daí a necessidade de gerar renda dentro do próprio bairro."

A PESQUISA

A pesquisa que deu origem ao curso passou por algumas evoluções desde quando começou a ser desenvolvida, em meados de 2016. Sob o nome "Pensando políticas públicas de reintegração social pós-cárcere: identificação de possibilidades para egressas em face da escassez nacional", a pesquisa visava, a princípio, auxiliar mulheres egressas do sistema prisional moradoras de bairros vulneráveis a gerar renda por meio da economia criativa, trabalhando em conjunto para a formação de cooperativas que fornecessem serviços ou produtos manufaturados dentro das necessidades do bairro em que moram.

A ideia é fazer o dinheiro se movimentar dentro daquela região que elas moram", explica Cátia.

O projeto levou os pesquisadores até o Jardim Bassoli, que já conta com o apoio da ONG Projeto Gente Nova (PROGEN), uma entidade de organização social que desenvolve ações que contribuam para a prevenção de risco social e violações de direitos.

"Mas durante a pesquisa de campo no Jardim Bassoli, descobrimos que o nosso trabalho abrangia o perfil de muitas mulheres dali, não só as egressas do sistema prisional", conta Cátia. "Então nos adaptamos". A ONG age como parceira da pesquisa. Foi a ONG quem criou a ponte de contato entre pesquisadores e moradoras do bairro. Além dela, a pesquisa conta também o apoio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Popular (ITCP) da Unicamp. 



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