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Novo entrave atrasa plano de trem para ligar Campinas a SP

Cidade que integra a 1ª fase do projeto de implantação do Trem Intercidades, Americana não comporta tráfego adicional de trens em sua linha ferroviária

| Folhapress

Trem entre cidades na região de Campinas é aguardado há anos. (Foto: Código 19)

Cidade que integra a primeira fase do projeto de implantação do Trem Intercidades, orçado em R$ 5,4 bilhões, Americana não comporta tráfego adicional de trens na linha ferroviária que corta o município. A informação, que pode significar um entrave ao projeto, é da concessionária Rumo, que administra o trecho ferroviário no Interior paulista.   

O trem foi anunciado em fevereiro pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB) e foi encampado pelos principais candidatos ao governo do Estado de São Paulo. Americana fica na linha tronco da concessão, o chamado corredor de exportações, que sai de Rondonópolis (MT) e vai até Santos, passando por cidades paulistas como São José do Rio Preto, Araraquara, Rio Claro e Campinas.   
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"Mesmo que considerados todos os esforços contínuos que vêm sendo empreendidos e os investimentos que vêm sendo realizados, o tráfego adicional de trens na linha tronco se mostra incompatível com o transporte de passageiros. Atualmente, o trecho já apresenta saturação de capacidade", diz a empresa.   

A Rumo diz que também utilizam a via composições de outras concessionárias. Se não for possível o compartilhamento da malha, o trajeto entre Americana e Campinas poderá necessitar de desapropriações e estudos ambientais, de acordo com dirigentes de entidades do setor ferroviário.   

As desapropriações teriam de ser feitas num trecho de 15 km a 20 km. Eles avaliam ainda que, dependendo das exigências do projeto, poderá ser inviável levá-lo até Americana - nesse caso, Campinas seria a ponta final do trajeto. "Para Americana, há necessidade de alguma desapropriação. Não está naquele valor de R$ 5,4 bilhões, talvez tenha de acrescer para fazer isso, inclusive [fazer] licenciamento ambiental. Não dá para fazer no mesmo espaço [cargas e passageiros]. Mas não é um bicho de sete cabeças", disse Vicente Abate, Presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária.   

Já o trajeto entre Jundiaí e Campinas pode ter tráfego adicional, segundo a empresa, "desde que sejam devidamente conduzidos estudos específicos nesse sentido, visando entender e dimensionar as adequações necessárias". "Não se chegou ainda a detalhamento nenhum, as prefeituras estão fora da discussão. Como não está 100% definido onde vai ser a linha, não dá para falar nada, mas é um modal muito importante, que precisa ser feito", disse o secretário do Planejamento de Americana, Claudio Amarante.   

Em fevereiro, São Paulo contratou a Deutsche Bahn, junto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial, para elaborar o plano de mobilidade para a implantação de um sistema de transportes para a macrometrópole paulista, com investimento de US$ 6 milhões no projeto (cerca de R$ 25 milhões, no câmbio atual). A macrometrópole é uma área que engloba a região metropolitana da capital, Santos, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos e conexão com São Sebastião. Concentra cerca de 80% do PIB e três quartos da população paulista.   

A primeira fase do projeto do trem contempla o trecho entre São Paulo e Americana, passando por Jundiaí e Campinas. Serão 135 km de trilhos e nove estações, de acordo com a Secretaria dos Transportes Metropolitanos. A estimativa é que o ramal transporte aproximadamente 68 mil passageiros por dia. O trem deve operar junto com a linha 7-Rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que liga São Paulo a Jundiaí.   

Dos R$ 5,4 bilhões previstos para toda a obra, R$ 1,8 bilhão deve ser investido pelo Estado. De acordo com o governo, a primeira versão do estudo foi entregue em julho e está sendo refinada para ser apresentada pelo estado e nortear a publicação do edital. Depois, será apresentada à União para que sejam definidas as regras de compartilhamento de vias férreas. A Folha de S.Paulo solicitou acesso ao projeto e entrevistas com técnicos, mas não foi atendida. "Especificações mais detalhadas, como investimento necessário, compartilhamento da malha existente e demanda de passageiros, foram solicitadas em alguns estudos. A qualidade do projeto depende do compartilhamento de informações e é determinante para a constituição de uma proposta realmente atraente para os investidores", diz trecho de nota do governo.   

O prazo para concluir os estudos de toda a macrometrópole é de 20 meses. Questionada sobre a autorização para uso da faixa de domínio da ferrovia, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) informou que a utilização "demanda um processo complexo, que exige a atuação de diversos órgãos".

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