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Unicamp alerta sobre o uso de nova droga que pode matar

Dos seis pacientes avaliados pelo CIATox, quatro eram da Região Metropolitana de Campinas; um deles morreu e outro teve danos irreversíveis

| ACidadeON Campinas

 

Nova droga sintética pode levar a morte (Foto: Mário Moreira/Unicamp)

A Unicamp lançou um alerta para uma nova droga sintética que pode levar os usuários à morte logo na primeira vez de uso. A droga é usada principalmente em festas e, segundo um estudo do CIATox (Laboratório de Toxicologia Analítica do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas), da universidade, em seis pacientes que fizeram o uso do mesmo entorpecente, um deles morreu e outro teve danos irreversíveis no cérebro.   

Desse total de pacientes que fizeram exames toxicológicos que foram encaminhados para análises no laboratório de Campinas, quatro moram na RMC (Região Metropolitana de Campinas). A vítima fatal morava em Sergipe. 

Chamada de N-etilpentilona, N-etilnorpentilona ou efilona, a nova droga sintética foi encontrada nos exames toxicológicos dos seis pacientes avaliados no estudo do CIATox. De acordo com José Luiz da Costa, toxicologista e professor da Unicamp, ela é uma droga sintética cuja formação tóxica e farmacológica ainda é pouco conhecida. 

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista internacional Drug Testing and Analysis. De acordo com o texto, todos os pacientes citados no artigo eram suspeitos de exposição a drogas de abuso e tinham sintomas de intoxicação aguda por drogas. Além disso, quatro dos seis casos descritos participaram de festas rave em que ingeriram comprimidos de ecstasy, outras drogas de abuso e álcool. 

Segundo Costa, evidências recentes sugerem que as pílulas de ecstasy podem conter N-etilpentilona, isoladamente ou em combinação com o MDMA, princípio ativo comumente encontrado no ecstasy. 

Ainda não se sabe, no entanto, se os usuários compram e consomem a droga deliberadamente ou se ela é inserida na composição de outras drogas mais comuns, como cocaína e ecstasy. O fato de a droga ser vendida no formato de um comprimido de ecstasy também dificulta essa identificação. 

Os efeitos causados pelo entorpecente podem ser semelhantes ao da cocaína, explica Costa. "É um misto entre ecstasy e cocaína, mas é algo muito mais potente, com sintomas que podem incluir palpitações, taquicardia, hipertensão, agitação, comportamento agressivo, convulsões, alucinações, coma e morte". 

Evidências sugerem que a N-etilpentilona é, de fato, consumida sem que o usuário saiba, mas ainda não é possível afirmar com certeza, explica o especialista. Por esta razão, Costa está desenvolvendo um novo estudo financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para determinar se os usuários sabem ou não se estão consumindo a N-etilpentilona. 

VÍTIMAS 

Os casos avaliados ocorreram entre setembro de 2017 até este ano. O mais recente foi há aproximadamente três meses. Quatro das vítimas avaliadas são da Região Metropolitana de Campinas, afirma Costa. As duas outras vítimas são do Estado de São Paulo e de Aracaju, no Sergipe. Uma das vítimas morreu, uma ficou com danos irreversíveis e as outras quatro sobreviveram e passam bem.

Uma das vítimas, um homem de 32 anos de Aracaju, desmaiou após consumir álcool e drogas sintéticas adquiridas em uma festa rave. Ele morreu na ambulância a caminho do hospital.

Uma outra vítima, um homem de 35 anos, consumiu drogas e álcool por dois dias consecutivos em sua própria casa. Ele foi encontrado inconsciente e com depressão neurológica (quando o sistema nervoso de uma pessoa está funcionando em um nível menor. O coma é um estado de depressão neurológica, por exemplo). Ele foi internado e recebeu alta 35 dias depois, em estado vegetativo e com danos neurológicos.  

Outra usuária do composto sintético foi uma mulher de 26 anos. Ela utilizou maconha e comprimidos de ecstasy em uma rave e foi encontrada inconsciente em seu apartamento no dia seguinte. Ela e os outros três usuários melhoraram do quadro pós consumo da droga e passam bem.

O especialista alerta que os usuários de drogas recreativas precisam estar cientes que os efeitos da N-etilpentilona podem imitar efeitos do ecstasy somado a um risco substancial, "uma vez que esse composto tem efeitos mais potentes e podem induzir a complicações cardiovasculares e neurológicas e levar a consequências médicas fatais", explica. 

Com informações da Unicamp

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