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Sirius pode trazer avanços para tratamentos da saúde mental

Pesquisa que utilizou luz síncrontron obteve bons resultados no tratamento de esquizofrenia. Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019 prevê R$ 270 milhões para o Sirius.

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Cerimônia oficial de entrega da primeira fase das instalações ocorre na quarta (14) (Foto: Divulgação/CNPEM)

Avanços para a saúde mental, como novos trantamentos para a esquizofrenia, podem estar no acelerador de partículas Sirius, em construção em Campinas. A cerimônia oficial de entrega da primeira fase das instalações do acelerador está marcada para a próxima quarta-feira (14) e cientistas se reuniram nesta semana para discutir o uso da tecnologia e seus benefícios.

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A 28ª Reunião Anual de Usuários do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron) ocorreu de quarta (7) a sexta (9) pela primeira vez desde sua criação nas instalações do Sirius, no campus do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais). 

O evento reuniu usuários do UVX para discutir os experimentos e descobertas que foram feitos graças à tecnologia e como o Sirius, uma das primeiras fontes de luz síncrotron de 4ª geração do planeta, promete alavancar a comunidade científica. "É como comparar um celular ou computador que você teve há cinco anos e um que você pode comprar agora", explica de forma didáticaCarlos Eduardo Maduro, pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina. 

Maduro utiliza o acelerador UVX desde 2002 para pesquisas de desenvolvimento e utilização de nanomateriais e se vê maravilhado com as possibilidades do Sirius. "É uma máquina dos sonhos, poderíamos estudar materiais e simular aspectos muito mais extremos com ela", contou.

AVANÇOS 

Os resultados obtidos no atual acelerador UVX já são surpreendentes. A pesquisa de Mariana Paranhos Stelling, professora de biologia celular do IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro), por exemplo, descobriu por meio da luz sincrotron que a utilização de um composto utilizado como moderador de humor poderia reverter desequilíbrios químicos de células esquizofrênicas. 

"Isso é bem interessante, pois não se trata de um composto clássico para a esquizofrenia e a gente pode fazer essa descrição usando o modelo de cultivo celular e a fonte de luz sincrotron", explicou. "O composto foi testado nos pacientes portadores de esquizofrenia que nos doaram as células para a produção de células tronco e houve um efeito positivo nesta utilização". 

Apesar de já ter resultados mais do que satisfatórios com a atual tecnologia disponível, ela vê o uso do Sirius como a abertura de novos horizontes. "Com a potência da máquina atual [UVX] já conseguimos ver muita coisa, mas com o Sirius nós vamos conseguir investigar de maneira muito melhor e, quem sabe, até avançar mais rápido em nossas pesquisas".  


Francine Kruczkiewicz, astrofísica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que estuda a formação de moléculas em volta de estrelas em formação por meio de simulações com os feixes de luz raio-x do UVX, poderia utilizar técnicas mais afinadas com o Sirius. 

"As técnicas do Sirius são mais afinadas que as do UVX e os resultados são mais próximos da realidade que simulamos", explicou. "Com ele, poderíamos, por exemplo, simular ambientes, temperaturas e pressões mais extremos, algo muito mais próximo da realidade espacial que tentamos estudar". 

LUZ SÍNCROTRON  

Sirius é administrado pelo CNPEM, em Campinas (Foto: Divulgação)

Inaugurado em 1997, o UVX dará lugar ao Sirius assim que as obras do novo acelerador forem concluídas. A cerimônia oficial de entrega da primeira fase será na quarta, mas a previsão é que as seis primeiras bases de trabalho estejam em funcionamento no final de 2019. 

O Sirius será a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e uma das primeiras fontes de luz síncrotron de 4ª geração do planeta, prometendo colocar o país entre os líderes mundiais da produção desta luz.  

Mas o que vem a ser uma luz síncrotron e para que serve o Sirius? "Em poucas palavras, o Sirius é um gigantesco microscópio que pode emitir luz raio-x", explica Antônio José Roque, diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).

De maneira mais técnica, a luz síncrotron é um tipo de radiação eletromagnética que se estende por uma faixa ampla do espectro eletromagnético, como luz infravermelha, ultravioleta e raios X. Ela é formada quando elétrons carregados são acelerados a uma velocidade próxima à velocidade da luz. Eles percorrem os 500 metros do acelerador 600 mil vezes por segundo. 

"O impacto do Sirius para o país vai muito além do seu uso", diz José Roque. "Acredito que se trata da ferramenta mais versátil da ciência, que pode ser utilizada por qualquer área", conclui.


INVESTIMENTO GARANTIDO 

Mesmo com a mudança de governo a partir de janeiro de 2019, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, garante o investimento para o Sirius no ano que vem. A afirmação foi dada durante a visita técnica que o ministro fez ao acelerador na tarde desta quinta-feira (8). 

Mesmo com as mudanças no Executivo com a eleição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), Marun afirma estar confiante com o apoio do novo governo e destacou que o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019 prevê R$ 270 milhões para o Sirius. 

A cerimônia inaugural do Sirius está agendada para a próxima quarta-feira (14). Nela, um teste com volta de elétrons em dois dos três aceleradores que compõem o equipamento está programado para o dia 14 de novembro. 

As seis primeiras estações de trabalho da nova fonte de luz síncroton estão previstas para inaugurar no segundo semestre de 2019. A conclusão total das obras do Sirius, com 13 linhas de operação em funcionamento, está prevista para 2020.

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