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Temer e ministro vêm a Campinas para "inauguração" do Sirius

Laboratório conclui primeira etapa de aceleradores de elétrons; funcionamento pleno está previsto para o ano que vem

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Visita guiada em um dos laboratórios. Foto: Divulgação/CNPEM 

O presidente Michel Temer e o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, participam nesta quarta-feira (14) da entrega da primeira etapa do Sirius, o novo acelerador de elétrons do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.

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Iniciado em 2012, o Sirius é o maior projeto da ciência brasileira, estratégico para a investigação científica de ponta e para a busca de soluções para problemas globais em áreas como saúde, agricultura, energia e meio ambiente. Será um laboratório aberto, no qual as comunidades científica e industrial terão acesso às instalações de pesquisa.

O investimento total no projeto é de cerca de R$ 1,8 bilhão.

O Sirius é composto por três aceleradores de elétrons, que têm como função gerar um tipo especial de luz: a luz síncrotron. Essa luz de altíssimo brilho é capaz de revelar estruturas, em alta resolução, dos mais variados materiais orgânicos e inorgânicos, como proteínas, vírus, rochas, plantas, ligas metálicas e outros.

Esta primeira etapa compreende a conclusão das obras civis e a entrega do prédio que abriga toda a infraestrutura de pesquisa, além da conclusão da montagem de dois dos três aceleradores de elétrons. O terceiro acelerador e também o principal deles está em processo de montagem.

A entrega da próxima etapa do projeto, prevista para o segundo semestre de 2019, inclui o início da operação do Sirius e a abertura das seis primeiras estações de pesquisa para pesquisadores. O projeto completo inclui outras sete estações de pesquisa (denominadas "linhas de luz"), que deverão entrar em operação até 2021.

SEM PRECEDENTES

O Sirius é classificado tecnologicamente como um equipamento de última geração até hoje, só há um outro equipamento comparável ao Sirius em operação, na Suécia. Seus aceleradores e suas estações de pesquisa foram projetados para estar na fronteira do conhecimento mundial.

O Sirius ficará abrigado em um prédio de 68 mil metros quadrados (equivalente a um estádio de futebol). Sua estrutura foi projetada e construída para atender padrões de estabilidade mecânica e térmica sem precedentes.

No Sirius, a demanda por estabilidade e prevenção de vibrações demandou um piso constituído de uma única peça de concreto armado, de 90 cm de espessura e com precisão de nivelamento de menos de 10 milímetros. A temperatura na área dos aceleradores não poderá variar mais que 0,1 grau Celsius.

Os aceleradores de elétrons do Sirius foram desenhados para permitir novos "upgrades" no futuro, que prolongarão sua vida útil, ainda na fronteira do conhecimento. Além disso, está prevista a instalação 13 estações de pesquisa até 2021, no entanto este número pode ser gradualmente ampliado, chegando a até 38 estações experimentais.  



ORÇAMENTO E GASTOS

Orçado em R$ 1,8 bilhão, o projeto Sirius é financiado pelo MCTIC. Até agora, cerca de R$ 1,12 bilhão foram repassados para o projeto, sendo R$ 282 milhões em 2018.

Projetado por brasileiros, o Sirius teve até agora cerca de 85% de seus recursos investidos no País, seja em suas equipes internas ou em parceria com empresas nacionais. Além da construção civil, foram estabelecidos contratos com mais de 300 empresas de pequeno, médio e grande portes, das quais 45 estão envolvidas diretamente em desenvolvimentos tecnológicos, em parceria com o LNLS e o CNPEM.

COMO FUNCIONA?

Para se obter luz síncrotron é necessário que feixes de elétrons com espessura 35 vezes menor que um fio de cabelo sejam acelerados e atinjam uma velocidade próxima à da luz (300 mil km por segundo). Esses elétrons viajam dentro de túneis de ultra alto vácuo (melhor que o vácuo espacial) ao longo de uma circunferência de 518 metros, onde esses elétrons têm sua trajetória finamente guiada por mais de mil ímãs.

Cada vez que esses elétrons são obrigados a "mudar de trajetória" pela força dos ímãs, eles emitem um tipo de luz especial, chamada "luz síncrotron". Esta luz, emitida em um feixe extremamente brilhante e concentrado, permite a realização de experimentos nas mais variadas áreas do conhecimento científico, com aplicações em campos também bastante variados, como saúde e medicamentos, exploração de petróleo, bioquímica, energia, nanotecnologia, agricultura, paleontologia, entre muitas outras.  


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