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Áudio: propina do Ouro Verde deveria pagar dívida de campanha

O ex-diretor da Vitale e delator, Daniel Câmara, prestou depoimento na CP da Câmara e revelou planos de desvios e até propina para pagar dívida de campanha

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Operação apura desvio de verbas no Hospital Ouro Verde (Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas) 

A reportagem do ACidade ON teve acesso ao áudio do depoimento do ex-diretor da Vitale, Daniel Câmara, à CP (Comissão Processante) que investiga o suposto envolvimento ou omissão do prefeito Jonas Donizette (PSB) no Caso Ouro Verde, na última quinta-feira (31). Entre outros pontos sobre o esquema de corrupção na unidade de saúde, o delator diz que um "Plano B" para pagar dívida de campanha da reeleição de Jonas foi discutido.  

Questionado se o prefeito Jonas Donizette teve envolvimento em algum pedido, Câmara disse desconhecer qualquer ação nesse sentido. "O único contato que tive com o prefeito foi na assinatura do contrato", disse. Em outro momento, no entanto, ele disse que o ex-servidor Maurício Rosa e o advogado Marcelo Scalão se identificavam como "gente da Prefeitura" e que agiam em nome do "alto escalão" do governo. Questionado se o "alto escalão" era o prefeito, ele respondeu que sim. 

Câmara afirmou, no entanto, que o prefeito parecia estar bem "blindado" pelo seu secretariado. "O que a entidade (Vitale) sentiu muita dificuldade foi que no período todo de contrato jamais conseguimos agendar ou fazer qualquer reunião com o Jonas, ele estava muito bem blindado. Esse escalão abaixo dele ia a todas as reunião conosco", disse. 

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De acordo com o delator, a Vitale estava tinha dificuldades financeiras para arcar com compromissos, como compra de insumos e medicamentos. Por isso a OS queria um aditamento para ter mais verba, o que não era atendido pela Prefeitura. Neste outro plano, o valor repassado deveria ter um "extra" de R$ 400 mil, que seriam recebidos e imediatamente repassados a agentes públicos.

"Eles me disseram que que precisavam arrecadar, em reuniões em São Paulo, que na última eleição não teve muito dinheiro, que estava sem cofre", disse. O empresário, um dos delatores no processo, foi a única testemunha de acusação que concordou em contar o que sabia na Câmara. Na quinta, o depoimento foi feito sob sigilo.   

"Foi apresentado um projeto técnico, com reequilíbrio financeiro, e que tivesse uma sobra para repassar (propina). O plano B era essa proposta via Maurício (Rosa), com a parte a mais para uma possível devolução. Esse plano não foi realizado", continuou.  Maurício Rosa era servidor da Saúde municipal e teria sido indicado pelo sobrinho de Jonas e secretário de Governo, Michel Abraão Ferreira. 

DEPOIMENTO
 
O delator depôs por duas horas e meia e foi questionado pelos vereadores Luiz Henrique Cirilo (PSDB), Gilberto Vermelho (PSDB), Filipe Marchesi (PR) e Marcelo Silva (PSD), além do advogado do prefeito, Marcelo Pelegrini.

"Eu fui chamado para me reunir com o Fernando Vitor (lobista preso na primeira fase da operação), que demonstrou na reunião, no shopping, que demonstrou que tinha muito conhecimento na Prefeitura, que parava o carro dentro do estacionamento da Prefeitura. Na reunião expliquei o que era uma organização social e o Fernando Vitor explicou que tinha alguma influência dentro da Prefeitura", disse Câmara.

Câmara explicou que Osvaldo Perezi Neto (médico) e o Orlando Leandro de Paula (advogado) o apresentaram para Fernando Vitor. Os dois foram presos na 2ª fase da operação.

"Nessa primeira reunião fomos nós quatro. Foi uma reunião mais de apresentação pra gente demonstrar que teríamos capacidade técnica de conhecimento sobre a Organização Social. Uma reunião mais de apresentação e onde o Fernando Vitor demonstrar que tinha conhecimentos em Campinas", disse.

OUTRAS REUNIÕES

Depois dessa reunião mais uma foi marcada e foi quando ele conheceu o então diretor de contas da Prefeitura Anésio Corat Jr. e o servidor público Ramon Luciano Silva. "Logo depois foi agendada uma nova reunião, aí já com Fernando Vitor levando o Anésio e o Ramon em uma reunião, isso foi no 'shopping das fontes', no Giovanetti. Essa também foi uma reunião de apresentação e, se não me engano", afirmou.

Ele complementou afirmando que Anésio disso que gostou da demonstração, mas gostaria de saber o que ganharia com isso. "O Fernando interrompeu e disse que depois cuidaria disso... depois eu vim saber que o Fernando Vitor pagava de R$ 20 a R$ 25 mil por mês pela ajuda", disse.

BERNARDIN

Câmara contou que logo após a Vitale vencer a licitação, ele foi chamado na sala do então secretário de Administração e depois de Assuntos Jurídicos de Campinas, Silvio Bernardin, onde foram exigidas algumas contratações.

"Sobre a reunião, no gabinete do Silvio (Bernardin) foi pedida algumas contratações. Uma dela era do Gustavo Godoy para ser o coordenador do serviço de imagem. Ele era uma pessoa importante para a prefeitura, enfim. Ele teria que ser contrato de qualquer maneira", afirmou. "Outra condição foi a contratação de um laboratório específico, mas não me recordo o nome", continuou.

Além disso também deveria ter contratado uma lavanderia, mas que o acordo não foi firmado, porque os valores eram quatro ou cinco vezes acima do mercado.

"O secretário Silvio disse na época que era um compromisso deles, um parceiro da prefeitura e que teria que ser contratado", disse.

OUTRO LADO

A Prefeitura de Campinas informou, através de nota oficial, que "todos os esclarecimentos serão feitos nos depoimentos das testemunhas de defesa marcados para esta terça (5), na Câmara Municipal".  
 
Além disso, a nota informa que "o advogado de defesa do prefeito Jonas Donizette, Marcelo Pelegrini, questionará o presidente da Comissão Processante sobre o vazamento de apenas parte do depoimento do delator e quais providências serão tomadas. Sendo que, no mesmo depoimento, Câmara isenta totalmente o prefeito de qualquer tipo de conduta inapropriada. Ou seja, fica clara a intenção de um vazamento seletivo no sentido de prejudicar o processo. Isso é algo muito grave".

O advogado Ralph Tórtima, responsável pela defesa de Gustavo de Godoy e do pai, Sylvino de Godoy, informou que o depoimento de Daniel Câmara esclarece que nada de ilícito foi cometido pelos clientes. 
 
A defesa de Maurício Rosa foi procurada, mas não houve contato. Ele deveria ter prestado depoimento no mesmo dia, mas não compareceu

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