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Especial: a única mulher em uma Câmara de homens

Nesta quarta e última reportagem sobre o Dia da Mulher, o ACidade ON Campinas conversou com Mariana Conti, a única mulher entre os 33 vereadores da Câmara da cidade

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A vereadora Mariana Conti, do Psol. (Foto: Renan Lopes) 

Em 221 anos de Câmara Municipal de Campinas, Mariana Conti é apenas a 15ª vereadora a assumir um cargo parlamentar na casa. Além disso, em todos esses anos, uma mulher nunca foi presidente da Câmara.

Eleita em 2016, com 6.956 votos, Mariana foi a mulher mais votada da história de Campinas e é hoje a única parlamentar do sexo feminino entre os 33 vereadores titulares.

Entre os desafios, ela conta, está a maneira como é questionada. Segundo ela, o lado pessoal é sempre usado pelos opositores como forma de ataque, algo que ela afirma não acontecer com os colegas do sexo oposto.  

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Ela usa o exemplo de uma votação sobre o projeto da Escola Sem Partido para mostrar como as mulheres são julgadas na política. "Vários parlamentares foram contra o projeto e eram chamados de comunistas pelo público no plenário. Eu era chamada de vagabunda", exemplificou.

"O próprio conflito se apresenta de outra forma. O que era colocado em questão não era a minha posição política, era um julgamento sobre mim. Era a minha aparência, era o meu corpo, uma série de acusações sobre a conduta da mulher", apontou.

PRIORIDADES

A falta de representatividade na Câmara faz as demandas das mulheres receberem menos importância ou prioridade, segundo a parlamentar. No início do mandato, em 2018, Mariana trabalhou para instaurar um juizado especial para casos de violência contra a mulher.

"Isso é previsto na Lei Maria da Penha, que foi instaurada há 12 anos e ainda assim não foi prioridade para Campinas", disse. "O que mostra como o fato de não estarmos nos espaços de poder e visibilidade faz com que as nossas demandas nunca sejam consideradas importantes".

"É como se a Câmara possuísse uma redoma que a impede de ver o que são essas demandas", explicou, denotando a importância da presença feminina e de minorias nos espaços políticos.  

E a presença de uma mulher que impõe uma nova visão das prioridades incomoda, explicou Mariana. "Quando a gente assume um espaço de poder, querendo o empoderamento feminino e moldando como as mulheres são julgadas, a gente incomoda".  



PROVAR QUE É CAPAZ

Qualquer engasgada na tribuna é motivo para diminuir as mulheres, algo que não acontece com os parlamentares. "É "natural" para eles estarem naquele espaço. Eles não têm que provar nada", disse. "Mas nós mulheres precisamos provar a todo o momento que somos competentes e que podemos, sim, estar ali".

Mas, além disso, Mariana vê a necessidade da Câmara Municipal de Campinas e todos os espaços de representação política terem pelo menos 50% das vagas dedicadas às mulheres. "Afinal, nós somos metade da população. No dia que os homens reivindicarem cotas teremos dado um passo importante", brincou.

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