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Oito anos depois, Bassoli ainda sofre com isolamento

Centro de Saúde começará a ser construído para ser entregue em 2020; moradores também reclamam de más condições dos apartamentos

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O novo CS começa a ser construído na próxima semana (Foto: Luciano Claudino/Código19) 

Oito anos depois de ser inaugurado como uma das principais vitrines do Minha Casa Minha Vida no Brasil, o condomínio erguido no Jardim Bassoli, na região do Campo Grande, em Campinas, começa a sair do isolamento com a construção do prometido Centro de Saúde (CS) para a população local.

Mas ainda há muito o que se fazer para tirar o condomínio da segregação. A obra, que fica pronta em julho de 2020, terá 800 metros quadrados e deve atender pelo menos 11 mil moradores. Na manhã deste sábado (13), o prefeito Jonas Donizette (PSB) assina a ordem de serviço para o centro.

Desde que os 2.380 apartamentos foram entregues, ainda no mandato do ex-prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT), a população sofre com os problemas estruturais dos imóveis e com a falta de serviços públicos na região.

Em pouco tempo, as unidades apresentaram falhas nas instalações elétricas, infiltrações e erros no sistema de esgoto. Estudos identificaram ainda trincas e rachaduras, janelas sem arremate, falta de revestimento em áreas de uso comum e calçamento inacabado.

O empreendimento, construído pela Odebrecht, chegou a ser considerado irregular pela Prefeitura em 2017, mas agora já foi aprovado e recebeu o Certificado de Conclusão de Obra, apesar de alguns moradores ainda terem problemas em suas casas.

O Ministério Público Federal (MPF) acompanha o caso e atua para que um Trabalho Técnico Social (TTS) de ajuda à população saia do papel e melhore as condições de vida no local.

O vice-presidente da Associação Renovando Vidas no Jardim Bassoli, Hildebrando Alves de Oliveira, afirmou que os problemas estruturais na obra, como rachaduras e infiltrações, apareceram rapidamente. "O Ministério Público pediu um laudo, mas deu que 90% dos problemas eram por mau uso. O resultado foi tão revoltante que nem o MPF aceitou. O condomínio já foi inaugurado com essas falhas graves", disse Oliveira.

Ele afirmou ainda que a maioria dos condomínios não tem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) porque alguns materiais de segurança foram furtados. Mas, segundo Oliveira, o TTS pode ajudar a resolver o problema. "Um dos projetos do Ministério Público Federal com o TTS é reeducar a população com cursos de empreendedorismo e cidadania, para elas valorizarem o local onde elas moram. Isso deve ajudar a comunidade como um todo".

Em 2015, a Prefeitura inaugurou no local o Centro de Educação Infantil Elenice de Moraes Ferrari, que atende quase 300 crianças de zero a 5 anos de idade em tempo integral. No entanto, a creche absorve também demandas de bairros vizinhos.

Além disso, o Jardim Bassoli não tem escola de ensino fundamental e médio e há poucas opções de lazer. "A Secretaria de Esportes pintou recentemente duas quadras nossas, mas não temos aulas ou professores. Também falta uma academia para a população da terceira idade".  



OUTRAS AÇÕES

Em nota, a Prefeitura informou que vai construir no segundo semestre uma área de lazer, um ecoponto e um barracão no bairro, onde será organizada, com os moradores, uma cooperativa de reciclagem de materiais. As ações, segundo a Administração, são em apoio à ação Civil Pública do MPF para melhorar a qualidade de vida dos moradores do local.

MINHA CASA MINHA VIDA

A entrega dos apartamentos do Jardim Bassoli foi uma das grandes ações do Minha Casa Minha Vida no Brasil. Campinas, naquela época, servia de vitrine por ter conseguido em acordo com as construtoras para tirar do papel os primeiros projetos.

Um dos entraves para resolver o problema da moradia na época era o lucro que as construtoras teriam na faixa de renda de zero a três salários mínimos. O Bassoli custou R$ 120 milhões, rateados entre governo federal e Prefeitura.

Os apartamentos foram sorteados e os beneficiários, moradores que estavam em áreas de risco, não podiam escolher os apartamentos e também não tinham a opção de morar em outro local. Caso não aceitassem o imóvel, eram retirados da lista e também não receberiam mais do governo o auxílio-moradia.

Para acelerar os anúncios, os apartamentos foram entregues quase sem nenhuma infraestrutura no entorno e os moradores se viram distantes 20 quilômetros do Centro da cidade, sem escola, sem posto de saúde e sem um comércio estabelecido no local. Aos poucos, os apartamentos apresentaram vários problemas estruturais.

Outro problema foi a convivência. Apesar das ações feitas na época para adaptar os moradores ao convívio em condomínio, vários problemas foram relatados pelos vizinhos, como o uso irregular do imóvel e até a destruição de equipamentos em áreas comuns.  



CENTRO DE SAÚDE

O novo CS começa a ser construído na próxima semana na Rua Leonel Ferreira Gomes e vai prestar atenção básica à população com equipes de Saúde da Família, enfermagem, dentista e agentes comunitários de saúde, além de pessoal de apoio.

A construção terá mais de 800 metros quadrados e incluirá consultórios médicos e de dentistas, mais a farmácia, salas de curativos e de vacinas e, de acordo com a Prefeitura, terá acessibilidade para pessoas com deficiência e idosos.

A unidade será totalmente informatizada. O investimento, de R$ 2.841.798,83, é uma parceria entre a Prefeitura, o Estado e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O prazo de entrega da obra é de 15 meses.