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Educação veta acompanhantes externos para alunos com deficiência

Medida evita que psicólogos e terapeutas ocupacionais, por exemplo, fiquem em sala de aula. Problema é que há escolas sem nenhum educador para crianças especiais

| ACidadeON Campinas

Medida alertou pais com crianças que precisam de atendimento especial. Foto: Divulgação/Prefeitura de Campinas

A Secretaria de Educação de Campinas vetou a presença de profissionais como psicólogos, terapeutas ocupacionais e pedagogos clínicos para orientação ou acompanhamento de alunos com deficiência especial dentro das salas de aula nas escolas municipais da rede.  

A circular com a proibição da entrada desses profissionais nas escolas foi enviada para as unidades, porém parte do documento acabou sendo divulgado nas redes sociais e já causa a preocupação em pais com filhos que precisam desse acompanhamento especializado.   

Segundo a Secretaria de Educação, hoje a rede tem 1.230 alunos da educação especial e 387 profissionais, entre professores, cuidadores e estagiários, especializados para o atendimento nas escolas da rede. Ou seja: um profissional para três crianças. 

"As pessoas não estão autorizadas a estar na sala de aula e atuar na atividade do professor. Pode se reunir com diretoria, orientadora e até com a professora. A professora, inclusive, tem uma hora por semana remunerada para isso. A questão está no ingresso de profissionais estranhos à sala de aula. Ele não pode fazer isso", explicou Luiz Roberto Marighetti, diretor do departamento pedagógico da secretaria de Educação.   

Pais de alunos com necessidades especiais que estudam na Emef. Professor Vicente Rao, na Vila Industrial, por exemplo, vem enfrentando, desde o início do ano, muitas dificuldades com a questão. Segundo eles, a escola está há cerca de 50 dias sem um profissional especializado em educação especial. Eles afirmam que uma pediu transferência para outra unidade e outra está de licença médica desde o início do ano.

Com isso o local conta apenas com cuidadoras que auxiliam as crianças durante a higiene pessoal. A escola que atende até o Ensino Fundamental tem um pouco mais de 30 alunos especiais.    

Documento que foi divulgado nas redes sociais. Foto: Reprodução redes sociais

Uma mãe que tem uma filha com TEA (Transtorno do Espectro Autista) matriculada na escola critica a falta de educadores especializados. "Tínhamos duas profissionais no cuidado psicológico com essas crianças, uma ficava à tarde e a outra pela manhã. Mas neste ano não tem nenhuma. Só na sala da minha filha são mais duas crianças com necessidades especiais para uma professora que tem que administrar uma sala de 30 alunos e que conta, por períodos curtos, com uma estagiária", afirmou.   

A intenção era que a terapeuta que acompanha a filha pudesse ajudar na adaptação da criança na escola nesse período sem a profissional da unidade. "Porém não a deixam entrar. Agora veio esse comunicado que só nos deixa com mais preocupação. A minha filha vai bem na parte pedagógica, mas ela está sentindo muito pelo lado psicológico, não ter esse apoio da profissional que a entende", explicou.   

"Isso só prejudica o desenvolvimento da criança e, tudo o que conquistamos até agora. Minha filha está sem acompanhamento e ela está regredindo. Sem a parte psicológica nas escolas essas crianças ficam perdidas, e não sabem reagir", ressaltou.  

Outra mãe que integra o conselho da escola afirmou que a unidade era considerada referência no atendimento a crianças especiais em Campinas. "Ela foi referência até dois anos atrás, hoje falta material adaptado, não tem professor auxiliar e agora nem de educação especial. A desculpa da Prefeitura é que não tem verba", afirmou.  

A criança tem síndrome de Down. Na sala dela, outro aluno também tem o problema. "A diretoria da escola fez as solicitação, de professor e de cuidador, porém nada acontece. E nos ficamos sem saber para onde recorrer. Queremos uma solução para a escola. Para piorar vem essa circular que nenhum profissional de entidades ou particular pode acompanhar as crianças na escola. Antes entrava sim, minha filha foi acompanhada em adaptações. A Educação tem que entender que este profissional é quem conhece melhor a criança, porque além de ser especializado, ele conhece o perfil daquela criança, fica em cima. Agora cortar esse ação é uma perda enorme para todos", afirmou a mãe.

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