Aguarde...

ACidadeON Campinas

Campinas
mín. 20ºC máx. 36ºC

cotidiano

Pais de alunos criticam mudanças de Doria na rede estadual

O tucano quer ampliar o tempo de aula, inserir novas disciplinas no currículo e fatiar as férias; Para os pais, existem problemas mais graves e urgentes

| ACidadeON Campinas

O tucano quer ampliar o tempo de aula, inserir novas disciplinas no currículo e fatiar as férias 

As mudanças anunciadas pelo governador João Doria (PSDB) na rede estadual de Ensino esta semana não agradaram os pais que têm filhos nas escolas estaduais de Campinas. O tucano quer ampliar o tempo de aula, inserir novas disciplinas no currículo e fatiar as férias.

Para os pais, existem problemas mais graves e urgentes, como a falta de professores, material didático e de estrutura para o ensino. Já para as entidades que representam os professores, o Estado passou a tratar a Educação como um negócio para otimizar recursos e reduzir investimentos.

A nova proposta prevê sete aulas de 45 minutos ao dia. Atualmente, os alunos têm no currículo seis aulas de 50 minutos. Doria também anunciou que quatro novas disciplinas serão adicionadas à grade para desenvolver competências dos estudantes, ética, tecnologia e disciplinas eletivas como empreendedorismo e teatro, que os alunos poderão escolher no início do ano letivo.

Para os pais, as ideias do governador não são ruins, mas só poderiam ser implementadas se as escolas estivessem funcionando normalmente. "Na verdade eu particularmente acho que ele está se preocupando com coisas que não seriam fundamentais. As escolas não têm o básico, que é o material escolar que ainda não chegou. A gente contava com isso e não chegou. Precisava resolver isso antes de acrescentar coisas", disse Marliete Pinheiro de Souza, que tem dois filhos na rede estadual.

A falta constante de professores também é um forte crítica dos pais ao sistema de ensino. Daniela Oliveira, que também tem dois filhos matriculados na Escola Carlos Gomes, no Centro de Campinas, diz que a preocupação do governo deve ser outra.

"Não tem professor nem para as disciplinas de português e matemática. Tem sempre muita aula vaga. Os alunos acabam ficando em sala de aula sem fazer nada porque não podem sair. O governo deveria investir mais nos professores, em qualificação. Existem muitos alunos que não conseguiram nem ser alfabetizados", afirmou.

TERCEIRIZAÇÃO À VISTA

A conselheira do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeosp) e presidente do Fórum Municipal de Educação de Campinas. Solange Pozzutto, acredita que as medidas abrem caminho para a terceirização na Educação, uma vez que as disciplinas eletivas podem ir para as mãos de empresas.

"No início ele (Doria) diz que os professores que vão pegar essas aulas, mas acreditamos que depois virão parcerias. Tecnologia, por exemplo, eles vão pegar uma escola de informática e trazer como parceira. Para nós da Apeoesp ele trata a Educação como um negócio. Quer otimizar verba e investir menos", disse.  



FÉRIAS


Além da mudança no currículo, Doria também anunciou que as férias serão fatiadas. A partir do próximo ano serão quatro períodos: Uma semana em abril, duas semanas em julho, uma semana em outubro e 30 dias entre dezembro e janeiro. Os pais também reprovam a mudança, especialmente os que trabalham fora e não contam com apoio para deixar os filhos.

"Eu não concordo porque tem muitas mães que trabalham. E aí? Vamos ter que pagar alguém ou deixar a criança sozinha. Vai bagunçar tudo e eu não gostei", disse Tania Costa, mãe de um aluno matriculado na rede estadual de Campinas.

Essa também é a opinião da Sonia Aparecida Campos Silva, mãe de um aluno da rede. "Muitos pais trabalham fora e os alunos ficam perdidos. As férias nós pegamos juntos. Férias em abril prejudica, vai ser bem difícil e complicado", afirmou.

A alegação do Estado é que as novas quebras de férias ajudarão no processo de aprendizagem, argumento rebatido por Solange. "Não tem nada que comprove que isso vai ajudar no processo de ensino e aprendizagem, que isso vai melhorar a qualidade da Educação. Pelo contrário, a gente vai ter algumas quebras nesse processo", disse a conselheira.

Mais do ACidade ON