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Grupo do MST faz ato em homenagem a idoso morto

O crime ocorreu perto da fazenda invadida pelo MST no ano passado. O homem que atropelou o pedreiro já está preso

| ACidadeON Campinas

Manifestantes fizeram ato hoje cedo em Valinhos. Foto: Luciano Claudino/Código 19

Um grupo de manifestantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) fez um ato hoje (20) cedo, em Valinhos, para homenagear o pedreiro Luiz Ferreira da Costa, de 72 anos, morto atropelado na manhã da última quinta-feira na cidade. O homem estava com outros integrantes do grupo fazendo uma manifestação por água na estrada que liga Valinhos a Itatiba e foi atropelado por uma caminhonete que avançou sobre o grupo.  

O crime ocorreu perto da fazenda invadida pelo MST no ano passado. O homem que atropelou o pedreiro já está preso.

Hoje cedo, foi feito um protesto contra essa morte. Ao menos 400 pessoas participaram do protesto que começou às 9h na Praça Washington Luiz, em Valinhos, onde se concentraram. Depois os manifestantes caminharam até a igreja matriz.

Eles seguravam cartazes e flores em homenagem ao pedreiro. O grupo pertence ao acampamento "Marielle Vive". Uma das faixas utilizadas no ato trazia a frase: "Luiz Vive".
 
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Além de homenagear a vítima, o grupo também aproveitou para pedir educação, reforma agrária, ligação de água no acampamento e a redução de velocidade na estrada onde fica a fazenda ocupada.

A Polícia Militar acompanhou o ato e agentes de trânsito bloquearam vias, na medida, que os manifestantes avançavam por ruas e avenidas durante a caminhada.

Além de integrantes do acampamento "Marielle Vive", participaram do ato apoiadores da causa de cidades da região de Campinas e também de São Paulo.  

O atropelamento ocorreu na manhã da última quinta-feira na estrada que liga Valinhos a Itatiba. Um grupo de 200 integrantes do MST que moram na ocupação acampamento "Marielle Vive" localizada às margens da rodovia fazia uma manifestação onde pediam acesso à água para a Prefeitura da cidade. Por volta das 8h, resolveram fechar a passagem dos veículos.  

O motorista da caminhonete acabou avançando sobre os manifestantes, matando, ainda no local, o pedreiro Luiz Ferreira e atropelando também o cinegrafista Carlos Felipe Tavares, de 59 anos, que fazia filmagens do ato. "Eu tava super tranquilo filmando, com a câmera na mão, sem nenhum problema, e quando vejo, levo uma pancada inesperada", afirmou. Ele teve ferimentos na cabeça, braço e na perna.  

A polícia chegou até o acusado com a ajuda da câmera de monitoramento de um ônibus que estava estacionado no local. Com isso foi possível identificar a caminhonete e encontrar o motorista em Itatiba.  

O motorista Leo Luiz Ribeiro, de 64 anos, prestou depoimento na delegacia de Valinhos e confessou ter atropelado e matado o pedreiro. Ele está preso em Campinas e vai responder por homicídio doloso, lesão corporal dolosa e também fuga do local de acidente.  

No depoimento ele disse que não percebeu que havia atropelado alguém e nem a gravidade da situação. Falou que assim que viu o tumulto, os manifestantes abriram caminho para ele passar, mas logo cercaram o carro. Ele disse à polícia que jogaram pedras e deram pauladas no veículo. "Ele disse que sua reação foi de fuga e que ele não teria, em tese, segundo a versão dele, percebido o atropelamento e teria fugido por medo da situação", disse o delegado de Valinhos, Júlio César Brugnoli, responsável pelas investigações.

Ontem, a Justiça decretou a prisão preventiva dele. O pedreiro também foi enterrado ontem em Hortolândia.   
 
PREFEITURA DE VALINHOS 
 
Sobre os pedidos do grupo a Prefeitura de Valinhos afirmou por meio de nota divulgada esta semana que as necessidades básicas das pessoas que vivem no acampamento, o Departamento de Águas e Esgotos de Valinhos (DAEV) iniciou na última quarta-feira o fornecimento de água potável aos moradores, abastecendo as caixas das unidades habitacionais que existem no local. Além disso, o DAEV também já providenciou a compra de um reservatório com capacidade para 10 mil litros de água que será instalado no acampamento na próxima semana. Á água fornecida pelo DAEV será destinada à alimentação das famílias. O protesto realizado na manhã desta quinta-feira na Estrada dos Jequitibás causou surpresa à direção do DAEV, já que estas tratativas vinham sendo discutidas com as lideranças locais do movimento de forma clara e objetiva.

A nota ainda ressalta que a área onde está o acampamento é particular, e não da Prefeitura, e a questão da ocupação está em discussão na Justiça, à espera de um encaminhamento no Fórum do Município de Valinhos. A nota ainda lembra que o município já atende os moradores do acampamento no que se refere às questões de Saúde e Educação. Todos têm atenção médica disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), assim como todas as famílias que procuraram a Secretaria de Educação puderam matricular suas crianças em unidades educacionais da rede pública e estão utilizando o transporte escolar gratuito com essa finalidade.




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