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Estudo da Unicamp abre caminho para tratamento de diabetes

O grupo descobriu que uma substância produzida pelo corpo ajuda a reduzir os níveis de glicose; resultado abre caminhos para novos tratamentos contra o diabetes

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Estudo sobre diabetes contou com pesquisador da Unicamp (Foto: Antoninho Perri/Divulgação) 

Com informações: Agência Fapesp  

Um estudo com participação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) descobriu que uma substância produzida pelo tecido adiposo marrom quando o corpo é submetido a baixas temperaturas o lipídeo 12-HEPE ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue. Os resultados dos experimentos com camundongos abrem caminhos para novos tratamentos contra o diabetes.

O grupo também observou, em pacientes humanos, que um medicamento usado no tratamento de disfunção urinária aumenta a liberação desse lipídeo na corrente sanguínea.

O estudo, publicado na revista Cell Metabolism, tem como primeiro autor Luiz Osório Leiria, pesquisador do IB (Instituto de Biologia) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O trabalho foi desenvolvido como parte de seu pós-doutorado na FMC (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp, durante estágio de pesquisa no Joslin Diabetes Center, da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e da American Diabetes Association. Leiria conta, atualmente, com Auxílio à Pesquisa da Fapesp na modalidade Apoio a Jovens Pesquisadores.

Os dois tipos mais importantes de tecido adiposo no nosso organismo são o branco, cuja função é acumular gordura quando existe excedente energético, e o tecido adiposo marrom, que atua principalmente na regulação térmica do organismo por meio da produção de calor. Expostos ao frio, o tecido adiposo marrom produz diversos lipídeos.

Um deles é o 12-HEPE, cuja função era desconhecida. O grupo descobriu que camundongos obesos tratados com o 12-HEPE apresentaram maior eficiência em reduzir a glicemia sanguínea após uma injeção de solução concentrada de glicose, quando comparados com os camundongos que não receberam o lipídeo.

Os pesquisadores mostraram que esse efeito benéfico do lipídeo sobre a tolerância à glicose dos animais obesos se deu pela capacidade do 12-HEPE em promover a captação de glicose tanto no músculo como no próprio tecido adiposo marrom.

Os voluntários foram separados em três grupos: magros e saudáveis, com sobrepeso e obesos. Análises do sangue desses pacientes mostraram que a quantidade de 12-HEPE nas pessoas magras e saudáveis é maior do que no sangue dos pacientes com sobrepeso e muito maior do que no sangue dos obesos.

Durante o estudo, um outro conjunto de voluntários magros e saudáveis recebeu doses de mirabegron, medicamento indicado para o tratamento de uma disfunção urinária conhecida como bexiga hiperativa, mas que também tem a capacidade de ativar o tecido adiposo marrom. Um outro grupo (controle) tomou apenas placebo.

Os pacientes que receberam a droga tiveram níveis mais elevados de 12-HEPE no sangue. O resultado sugere que a droga possa, no futuro, ser prescrita para tratamento do diabetes.

"Atualmente, o mirabegron exerce uma série de efeitos, alguns não tão desejáveis. Ele promove a liberação de vários outros lipídeos, portanto, sua ação não é tão específica para a redução da glicose. Um lipídeo do tipo ômega-3 como o 12-HEPE teria um perfil toxicológico bem mais desejável", explicou.

Segundo o pesquisador, um grupo norte-americano realiza atualmente testes sobre os efeitos de doses menores do medicamento sobre os níveis de glicose.

O próximo passo é descobrir a qual receptor o 12-HEPE se liga para promover a captação de glicose. Tal conhecimento permitirá o desenvolvimento de novas moléculas que estimulem esse receptor.

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