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Justiça condena policiais por propina de traficantes no São Fernando

Policiais estavam lotados no 10º DP de Campinas e esquema só foi descoberto por causa de outra investigação de propina, mas da capital

| ACidadeON Campinas

 

O 10º Distrito Policial de Campinas, no Jd. Proença. (Foto: Luciano Claudino/Código19)

A Justiça de Campinas decidiu pela perda da função pública e aplicou multa a dois policiais civis da cidade condenados por enriquecimento ilícito. O nome dos policiais são Mark de Castro Pestana e Renato Peixeiro Pinto e eles estavam lotados no 10º Distrito Policial, no Jardim Proença. A multa para os dois, somada, é de cerca de R$ 432 mil.

Eles foram indiciados por receberem mensalmente R$ 5 mil de traficantes do bairro São Fernando para não prendê-los. Ao menos dois traficantes confirmaram o caso ao Gaeco (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MP (Ministério Público) de São Paulo.

Os policiais são conhecidos como "Peixe" e "Max" e o esquema foi descoberto por meio de uma escuta telefônica do Ministério Público. Ambos os traficantes ouvidos pelo Gaeco chegaram a reconhecer os policiais em juízo. Eles afirmam que repartiam o dinheiro com policiais da Dise, com o objetivo de permitir o "livre comércio de drogas" no São Fernando.

INVESTIGAÇÃO

O crime só foi descoberto pelo Gaeco quando traficantes do bairro São Fernando foram extorquidos por policiais civis, desta vez da capital do Estado de São Paulo, no ano de 2013. Essa extorsão foi alvo de outra linha de investigação.

Na escuta telefônica, é possível ouvir que traficantes extorquidos do bairro São Fernando mencionaram "os caras do Cambuí e o pontepreta não estão resolvendo nada... que só pegam dinheiro e saem fora".

Nessa investigação foram descobertos dois traficantes do Jardim São Fernando: "Codorna", como era conhecido Agnaldo Aparecido da Silva Simão e "Escotão", esse Lucas Escotão. Ambos vieram a prestar depoimento posteriormente e confirmaram a propina destinada aos requeridos, conhecidos no meio policial como "Max" e "Peixe".

AUMENTO DE PATRIMÔNIO

Além disso, o MP investigou ainda gastos dos dois policias sem a consequente demonstração de origem lícita de valores, como é o caso da aquisição de imóvel por Renato Peixeiro Pinto.

A multa que eles devem pagar é de R$ 144,1 mil cada. Ainda segundo a decisão, eles também perdem seus direitos políticos pelo prazo de cinco anos e ficam proibidos de contratar com o Poder Público também pelo prazo de cinco anos. A decisão é do dia 17 de setembro.

Do total que deverá ser pago (R$ 432 mil), Renato Teixeira terá que pagar a maior parte (R$ 288 mil), pois não conseguiu provar a origem lícita dos valores.

CORREGEDORIA


A Corregedoria da Polícia Civil também abriu investigação para averiguar o caso dos policiais. Um deles (Mark) afirmou que foi inocentado do caso. À Justiça, disse que é "bom servidor e apaixonado pelo trabalho", e que o patrimônio foi formado por ganhos próprios e com ajuda dos pais.

O outro negou ter ameaçado testemunhas e diz também ser bom funcionário, além de apaixonado pelo trabalho policial. Em relação ao seu patrimônio, alega que é proporcional com seus ganhos e também tem apoio do pai.

OUTRO LADO

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) de Campinas foi procurada para comentar o caso e disse que a Corregedoria da Polícia Civil apura os fatos. De acordo com a pasta, um policial está afastado desde abril de 2016 e outro teve a aposentadoria cassada. Além disso, a Polícia Civil aguarda a conclusão do processo criminal.

A advogada dos policiais foi procurada também pela reportagem. Por telefone, Cinthia Samira B. de Oliveira, afirmou que recorrerá da decisão e que um dos clientes, Mark de Castro Pestana, comprovou à Justiça o pagamento do imóvel (por isso, pagará apenas R$ 144 mil). Ainda segundo ela, o processo criminal não foi julgado e corre em segredo de Justiça. O reportado nesta matéria é o processo por improbidade administrativa.

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