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Febre maculosa ainda desafia autoridades de Campinas

Até agora, foram sete mortes e 10 casos em Campinas em 2019; no ano passado foram 10 registros, com quatro vítimas fatais

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Febre maculosa avança em Campinas (Foto: Luciano Claudino/Código19) 

Com sete mortes e 10 casos em Campinas em 2019, a febre maculosa é uma doença que desafia as autoridades na cidade há anos. No ano passado, foram 10 registros, com quatro vítimas fatais. Como a bactéria Rickettsia rickettsii é transmitida pelo carrapato-estrela, que, por sua vez, circula em animais de grande porte e silvestres, o combate da enfermidade é complexo. Envolve não apenas a Vigilância em Saúde, mas também órgãos ambientais estaduais e federais.

Na cidade, o abate de 20 capivaras no Lago do Café em 2011, após a morte de três funcionários do parque pela maculosa, causou revolta em ambientalistas e protetores de animais. O município é uma região endêmica da doença, e suas áreas verdes têm grande concentração dos animais hospedeiros, que circulam livremente por corredores ecológicos, rios e córregos. Outra dificuldade na erradicação da doença é a adaptação do roedor em ambiente urbano.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) classifica a febre como um dos males "negligenciados": apesar de graves, são tratáveis e até curáveis, mas como afetam principalmente populações de baixa renda, não despertam interesse da indústria farmacêutica.

No início do ano, a Prefeitura lançou um Plano de Ação Intersetorial para Prevenção da Febre Maculosa Brasileira, para tentar reduzir a ocorrência de casos, mas ainda sem resultados práticos mensuráveis, segundo a diretora do Devisa em Campinas, Andrea Von Zuben. "A gente trabalha intersetorialmente, mas infelizmente as medidas de controle são difíceis. Todas as tentativas que foram feitas, de eutanásia à castração, são complexas e não tem tido sucesso".

O infectologista do Hospital de Clínicas da Unicamp e especialista no tema, Rodrigo Angerami, explica que a população que mora e esteve em área de risco de precisa tomar cuidados importantes para evitar o carrapato.

A DOENÇA

Angerami disse que a febre maculosa é uma doença bacteriana e tem baixa incidência, mas alta letalidade. "O número de óbitos de pessoas infectadas é de 50%. E a prevenção envolve controlar o número de carrapatos, o que não é tarefa fácil. Em muitas áreas verdes o veneno não pode ser utilizado. Mas o vetor, as capivaras, é extremamente disperso". Além dos roedores, mamíferos como cavalos e cachorros podem ser hospedeiros.  



PRECAUÇÕES

"Moradores de áreas de Campinas em que há capivaras e cavalos, ou que visitaram esses locais, devem estar atentos. Sempre evitar ficar desprotegido durante muito tempo. Você pode criar uma barreira física usando calças e blusas de manga comprida". O médico disse que colocar a meia por cima da calça é outra medida eficaz.

Ele alertou para outra questão importante: para que um carrapato infectado passe a bactéria, é necessário o contato com a pessoa por pelo menos 6 horas. "Por isso, identificar precocemente se você está sendo parasitado é uma das principais medidas de prevenção".

COMO RETIRAR O CARRAPATO


O auto-exame para checar se há carrapatos pode ser feito com a ajuda de outra pessoa. E a forma ideal de se retirar o aracnídeo é com uma pinça, com um movimento rotatório, para que ele não seja esmagado ou fragmentado. "Não devem ser utilizados álcool, palito de fósforo ou gelo, porque esses estímulos fazem o animal liberar a bactéria como uma reação.

SINTOMAS


O quadro inicial da doença é caracterizado por febre alta, dor de cabeça, no corpo e perto dos olhos, enjoo, vômito, diarreia e falta de apetite. E depois de alguns dias, manchas vermelhas no corpo, as máculas, que dão nome à enfermidade. "O importante é que o diagnóstico seja feito em até 5 dias após o contato com o carrapato, antes das manchas aparecerem. Quanto mais cedo descoberta a doença, maior a eficácia do tratamento com antibióticos", disse Angerami. Por isso, quem esteve em área de risco de contaminação deve sempre alertar o médico.


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