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Em Campinas, lazer gratuito ainda não é para todos

ACidade ON estreia série que mostra os extremos de Campinas; confira vídeo, fotos e podcast

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No Sírius, moradores construíram brinquedos por conta própria: abandonados (Foto: Reprodução) 

Para marcar a estreia de seu novo layout, o ACidade ON Campinas estreia nesta segunda-feira (21) a série "Contrastes", que vai mostrar ao longo da semana os extremos da cidade em diversos setores. Nesta primeira reportagem, destacamos a diferença entre as áreas de lazer de bairros tradicionais e da periferia.

O artigo 24° da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que "toda pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres...". A frase é bonita, mas apenas uma realidade distante moradores dos bairros Sírius e Cosmos, na região do Campo Grande, em Campinas.

No começo de 2013, famílias saíram de suas casas localizadas em áreas impróprias para seus apartamentos no empreendimento Sírius, na região noroeste de Campinas. O local conta com 2,6 mil unidades.

Moradora do bairro há sete anos, a comerciante Margarida Maria de Paula reclama da falta de opções para lazer na região. "Não tem nada. É uma população abandonada pelo poder público", disse. "É revoltante. Deviam trazer a população, mas junto melhorias para o bairro".

Em 2014, a construtora que construiu o residencial assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para a construção de duas quadras poliesportivas no local. Caso não fizesse isso em 12 meses, a verba de R$ 800 mil seria repassada à Prefeitura, que ficaria responsável pela obra.

A construtora não construiu as quadras e a Prefeitura passou a ser responsável pelas obras, mas, desde então, nada foi feito.

Com a falta de opções, os próprios moradores decidiram tomar uma atitude. Por meio de doações e mão-de-obra voluntária, eles ergueram um pequeno parque com gangorras, balanços e aparelhos de exercício no terreno em que deveria existir as duas quadras poliesportivas.

"Foi há uns três anos. A associação do bairro se juntou e montou o parque", explicou Margarida.

A cuidadora Benedita Jacira foi uma das moradoras que ajudou na construção. "Todo mundo se ajudou. Teve gente que doou concreto, teve gente que doou comida e teve quem cozinhou para quem estava trabalhando", disse. "Mas passou o tempo e não teve manutenção, então nem tudo está com qualidade". Toldos que cobriam parte dos aparelhos foram levados pelo vento, por exemplo.  



JÁ NO TAQUARAL...

Tradicional ponto de lazer da cidade, o bairro Taquaral conta com a Lagoa, que não mede esforços para oferecer opções a seus frequentadores.

A aposentada Denise Pavan adora acompanhar a filha e o neto em passeios pelo parque. "É bonito, limpo e saudável", avalia. A filha, a comerciante Denise Pavan, concorda. "É uma ótima opção para um passeio. A gente sempre acaba vindo pra cá dar uma volta", contou.

Ao contrário dos moradores da região do Campo Grande, quem frequenta o Parque Portugal tem natação, hidroginástica, artes marciais, ginástica, dança, além das dezenas de festivais durante o ano.

O representante comercial Reginaldo de Paula treina musculação nos aparelhos do parque pelo menos três vezes por semana. "Eu corro pelo entorno e depois faço musculação aqui nos aparelhos", explicou. "Ao ar livre você conhece gente, se diverte, faz amizades. A Lagoa do Taquaral é tudo de bom. Ela é a minha praia", brincou.

Outro ponto diferente é a Caravela Anunciação, uma réplica da embarcação usada por Pedro Álvares Cabral na época das grandes navegações, começou a ser construída há 48 anos na Lagoa do Taquaral. A embarcação, um dos cartões postais da cidade, chegou a ficar cinco anos abandonada após afundar porque seu casco apodreceu.  

Ela passou por uma grande restauração e foi reinaugurada em 2014.  



SEGURANÇA

Além de melhorar qualidade de vida, a presença de áreas de lazer também pode ser um importante aliado na redução da criminalidade. "É algo comprovado por estudos. Bairros com bons equipamentos de lazer têm índices de crimes menores", afirma Adalberto Santana, consultor em segurança e colunista do ACidade ON Campinas.

Mas ele alerta: os equipamentos de lazer por si só não garantem a redução da violência. "É preciso haver políticas sérias e constantes para o lazer, especialmente dos jovens", diz.

O QUE DIZ A PREFEITURA

A Prefeitura de Campinas informou que a PDG, construtora que assinou o TAC junto à Administração para a construção da quadra poliesportiva, entrou em recuperação judicial em 2017, o que acabou atrasando na liberação de R$ 800 mil reais para a construção de quadras poliesportivas no Sirius.

"O projeto está em fase de execução e segue os trâmites da Administração: orçamento e publicação de licitação para escolha de empresa que fará a obra. Ainda não tem um prazo deste processo", informou em nota oficial. (Com Renan Lopes e Thiago Rovêdo) 

PODCAST 

Quer saber mais sobre o assunto? Escute nosso podcast sobre esta reportagem. 


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