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Consulta sobre escola militar em Campinas é adiada

O MEC pediu uma reunião com os professores da unidade e também com os profissionais da secretaria municipal antes de seguir com os trâmites

| Thiago Rovêdo

Escola escolhida para a implantação do programa. Foto: Renan Lopes/ACidade ON Campinas

A consulta à comunidade escolar do São Domingos, em Campinas, para decidir se a Emef. Odila Maia Rocha Brito vai ou não, aderir ao Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares foi adiada. A Secretaria de Educação confirmou a informação na manhã desta terça-feira (3).  

O pleito estava marcado para a próxima quinta-feira (5), a partir das 10h. Segundo a pasta, o MEC (Ministério da Educação) pediu uma reunião com os professores da unidade e também com os profissionais da secretaria municipal antes de seguir com os trâmites. Ainda, segundo a Secretaria de Educação, não há uma data definida para a consulta ocorrer novamente.

A consulta é aberta à comunidade (moradores do bairro), mas quem tem direito a voto são os professores, alunos, pais e funcionários, que formam a comunidade escolar da unidade.  

CAMPINAS NA LISTA

No último dia 21 de novembro o MEC confirmou que Campinas seria a única cidade do Estado a receber o programa. A Prefeitura já tinha anunciado a adesão ao programa no dia 10 de outubro.  

Os critérios para escolher a unidade, que fica na Rua Juvenal de Oliveira, foi o menor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da rede, ser do 6ª ao 9ª ano, ter entre 500 e 1.000 alunos e estar em área de vulnerabilidade. A escola tem, atualmente, 775 alunos.  

"Eu acredito que os pais vão querer, mas vamos ouvir e respeitar a decisão. Caso eles não queiram, vamos encaminhar ao Ministério da Educação e ver o que poderemos fazer", disse o prefeito Jonas Donizette na época da indicação da escola.

DESAPROVA

No final do mês passado, a Apeoesp Campinas, sindicato que representa professores na rede pública na cidade, emitiu uma nota repudiando a definição da escola para receber o modelo de gestão cívico-militar do governo federal.  

"Não tem outro objetivo a não ser ocultar a falta de investimento público nas escolas onde estudam os filhos e filhas dos trabalhadores, também fica claro que se trata de uma medida oportunista para governos que querem passar a imagem de que estão fazendo algo pela educação quando na realidade, estão aprofundando ainda mais as desigualdades e o Apartheid educacional", afirmou a nota.  

PAIS APROVAM

A reportagem do ACidade ON Campinas esteve na escola na semana passada e conversou com pais de alunos da unidade. A maior parte que conversou com a equipe aprovou a mudança.  

Pâmela Sueli da Rocha, de 28 anos, tem uma filha de sete anos matriculada na escola e aprovou a medida. "Eu acho uma ótima ideia", contou. "Vai melhorar demais, assim espero".  

A dona de casa Cátia Costa, de 40 anos, contou que sempre viu as escolas nesse modelo melhores que as atuais. "Pelo que a gente vê as escolas militares são infinitamente melhores. A educação, a disciplina e o investimento são totalmente diferentes das escolas municipais", disse.   

ATUAÇÃO

Cerca de 1 mil militares da reserva das Forças Armadas, policiais e bombeiros militares da ativa vão atuar na gestão educacional das instituições. Em 2020, o MEC destinará R$ 54 milhões para levar a gestão de excelência cívico-militar para 54 escolas, sendo R$ 1 milhão por instituição de ensino. São dois modelos.  

Em um, de disponibilização de pessoal, o MEC repassará R$ 28 milhões para o Ministério da Defesa arcar com os pagamentos dos militares da reserva das Forças Armadas. Os outros R$ 26 milhões vão para o governo local aplicar nas infraestruturas das unidades com materiais escolares e pequenas reformas nestas escolas, atuarão policiais e bombeiros militares.

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