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Número de picadas de escorpião é o maior em 13 anos em Campinas

No ano passado foram registrados 414 acidentes envolvendo ataques de escorpiões na cidade, com aumento de 26% em comparação à 2018

| ACidadeON Campinas

Chegada do Verão facilita ataque de escorpiões (Foto: Divulgação)
O número de acidentes envolvendo ataques de escorpiões o ano passado foi o maior dos últimos 13 anos em Campinas. O dado leva em consideração os registros até o último dia 17 de dezembro de 2019. De janeiro até a data, foram registrados 414 casos pelo Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde) da Prefeitura.

Nos 12 meses de 2018, foram 326 casos alta de 26%. Até então, 2018 havia sido o ano que mais teve registros de casos desde que o departamento passou a fazer o levantamento, em 2007.

No acumulado dos 13 anos, Campinas registrou 1.916 ocorrências com escorpiões na cidade. Apesar da quantidade, quase 90% deles foram classificados como leves. Os casos classificados como moderados e graves ficaram entre 4,7% e 0,4%, respectivamente.

Ainda segundo o levantamento do Devisa, durante todos esses anos não houve óbito de pessoas residentes em Campinas em decorrência de acidentes causados por escorpião.

Nos últimos dois anos a maior parte das ocorrências aconteceram em áreas do Distrito de Saúde Leste, que abrange bairros como Jardim Alto da Barra, Jardim Boa Esperança, Parque Brasília, Jardim Conceição, Chácara da Barra, Jardim Nossa Senhora Auxiliadora, Vila Nova, Cambuí, e Taquaral, entre outros.

E também bairros do Distrito de Saúde Sudoeste, que abrange bairros como Aeroporto de Viracopos, DICs, Jardim Novo Campos Elíseos, Jardim Capivari, Jardim Vista Alegre Jardim Yeda, Jardim das Amoreiras e Parque Residencial Vila União, entre outros.

CALOR

Pelo levantamento do departamento, os acidentes do tipo predominam nos períodos entre a Primavera e no Verão quando o clima é mais quente e úmido. O levantamento aponta que o aumento da incidência é, de forma geral, em relação a animais peçonhentos em Campinas.

Em 2019, foram registrados 688 casos até o dia 17 de dezembro. Esse é o maior número de toda série histórica também iniciada em 2007. No ano passado, segundo período com mais ocorrências do tipo foram registrados 574 acidente. No acumulado dos 13 anos de levantamento soma-se 4.004.

São considerados peçonhentos os animais que possuem presas, ferrões, cerdas e espinhos capazes de envenenar as vítimas como aranhas, serpentes e abelhas. No ano passado um homem morreu em Campinas após um ataque de abelhas no bairro Castelo.

O AUMENTO

O Devisa informa que o aumento das ocorrências era esperado já que está havendo um aumento dos casos em todo Estado nos últimos 20 anos. Mas vale destacar que nos últimos anos houve a adaptação do escorpião amarelo que gostou do meio urbano.

Em Campinas são duas espécies mais comuns, o escorpião amarelo e o marrom. Eles têm comportamentos muito diferentes: o amarelo é muito mais próximo ao ser humano do que o marrom. O amarelo se adaptou muito bem ao meio urbano, na tubulação de esgoto e nas galerias de água pluvial. Já o marrom vive acima do solo e depende do acúmulo de entulho e madeira.

O médico-veterinário Marcello Nardi, presidente da Comissão Técnica de Médicos-veterinários de Animais Selvagens do CRMV-SP (Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo), explica porque os animais peçonhentos representam mais risco durante o Verão. "O período que antecede essa estação é o da Primavera, época de reprodução dos animais, que aumentam suas atividades."

Para Nardi, cuidar do meio ambiente é a melhor forma de prevenção. "Os animais peçonhentos também possuem funções ecológicas importantes e merecem respeito. A presença destes animais próximos ao homem são, muitas vezes, consequência das condições que nós mesmos proporcionamos", destaca o presidente da CTMVAS, que ainda frisa que as espécies são protegidas por legislações que criminalizam maus-tratos ou agressão contra os animais.

CONFIRA FICAS PARA EVITAR ACIDENTES:

1 - Não desmate nem provoque queimadas. O verde é fundamental para a preservação de todas as formas de vida, importantes e necessárias para o equilíbrio ambiental;
2 - Mantenha a higiene nas residências;
3 - Utilize telas nas janelas e vede os ralos, portas, frestas e buracos nas paredes, bem como em assoalhos e forros;
4 - Mantenha limpos os quintais, jardins, terrenos baldios, praças e outros espaços comuns do meio urbano. Nunca descarte lixo nesses locais;
5 - Não acumule lixo, entulhos, materiais de construção ou outros objetos que não são mais usados. Os resíduos se tornam abrigo para animais peçonhentos, pragas e insetos;
6 - Examine calçados, roupas e peças de cama e banho antes de usá-las;
7 - Use botas e luvas nas atividades rurais, de jardinagem e nos passeios em trilhas, parques ecológicos e florestas;
8 - Deixe endereço e telefone de unidades de saúde de referência no município sempre em local de fácil acesso para agilizar o atendimento em caso de acidentes;
9 - Em caso de acidente, procure imediatamente o serviço de saúde. Não faça torniquetes nem use fórmulas caseiras;
10 - Nunca deixe de informar a ocorrência a um órgão de saúde, pois os acidentes com animais peçonhentos devem ser incluídos na Lista de Notificação Compulsória do Brasil;
11 - Compartilhe essas informações com o maior número possível de pessoas.

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