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Psicanalista pioneiro, Roberto Pinto de Moura morre aos 94 anos

Médico e também jornalista, Pinto de Moura foi ainda um dos fundadores do Departamento de Psicologia Médica da Unicamp

| ACidadeON Campinas

O psicanalista e jornalista Roberto da Silveira Pinto de Moura (Foto: Neldo Cantanti/Ascom/Unicamp) 

Pioneiro na Psicanálise em Campinas, sendo um dos fundadores do Departamento de Psicologia Médica da Unicamp, o médico e jornalista Roberto da Silveira Pinto de Moura morreu nesta quinta-feira (9) aos 94 anos, na cidade onde construiu um legado na medicina e também no jornalismo.

Uma pneumonia e a idade avançada foram os motivos da morte do primeiro psicanalista da cidade, seguidor de Sigmund Freud e que tratou com humanismo os seus pacientes. Formado em 1951 na Escola Paulista de Medicina, da Unifesp, Pinto de Moura usou a psicanálise para transcender a abordagem psiquiatra clássica.

O recurso, simples, de ouvir os pacientes, foi revolucionário e até criticado na época em Campinas. Ao jornal da Unicamp, em 2007, o psicanalista contou que ficou conhecido como o único seguidor de Freud na cidade. "Muitas vezes, eles (os pacientes) me contavam, com a voz embargada e infantil, os sentimentos que traziam por dentro", afirmou.

Uma das passagens da matéria conta que, certa vez, um padre chegou a aconselhar uma paciente a interromper o tratamento. "Ele me acusava de ser comunista, ateu e freudiano". E, dando uma gargalhada, completa: "o inferno era pouco".

A habilidade com as palavras era algo que Pinto de Moura cultivou desde jovem e o jornalismo se fez presente na vida dele.

O JORNALISMO E AS CRÔNICAS

Pinto de Moura era conhecido por reportagens e crônicas no Diário da Noite e no Diário de São Paulo, jornais publicados por Assis Chateaubriand. Mas começou mesmo como repórter, em 1946, aos 21 anos de idade, para pagar os estudos na Unifesp. Ele contou que nessa época "nasceu de verdade" e que conheceu os dois lados da sociedade: "o glamouroso e o perverso."

"Frequentava museus e andava por favelas. Fiz amizade com jovens artistas, como Flávio Tambelini, Marcelo Grassman e Aldemir Martins, mas também testemunhei dores sem tratamento e sem cura na cidade grande", relatou ao jornal da Unicamp.  

O psicanalista e sua neta, a jornalista Marília Rocha (Foto: Arquivo Pessoal)
PUC-CAMPINAS E UNICAMP

As duas universidades da Campinas, a PUC-Campinas e a Unicamp, soltaram notas de pesar pelo falecimento do psicanalista. Na PUC, ele foi professor de 1968 a 1999 e deu aulas para a primeira turma de psicologia. Já na Unicamp foi professor das faculdades de Psicologia e de Medicina. "Adoro Freud, quero a psicanálise aqui", teria dito Zeferino Vaz ao psicanalista, em meados de 1965, quando ele fez o convite para lecionar na Unicamp.

VELÓRIO E ENTERRO

Pinto de Moura era viúvo e deixa quatro filhos, sete netos e três bisnetos. O velório está sendo realizado no Cemitério das Aleias e o sepultamento está marcado para as 16h30 desta quinta (8).

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