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Irã é somente o 144º maior parceiro comercial de Campinas

Apoio brasileiro aos EUA gera temor em mercados que exportam para o país; Campinas não registra vendas para o Irã desde 2017

| ACidadeON Campinas

Vista aérea de Campinas. Foto: Divulgação/ Prefeitura de Campinas 

Empresários de Campinas não têm muito com o que se preocupar em relação ao conflito entre o Irã e os Estados Unidos. Maior parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio, o país asiático é apenas o 144º maior destino de produtos que saem de Campinas.

Segundo o Departamento de Comércio Exterior do Ministério da Economia, de 1997 até dezembro d 2019 Campinas exportou apenas US$ 20,9 milhões para o Irã. Para efeito de comparação, no mesmo período foram US$ 5,1 bilhões para os EUA, maior destino dos produtos da cidade no Exterior.

Segundo o ministério, Campinas não registra exportações para o Irã desde 2017. Naquele ano, foram US$ 1.845.737 vendidos para o destino, em maquinários e equipamentos eletrônicos diversos. A participação do Irã nas importações de Campinas é menor ainda. Foram US$ 1,6 milhão comprados do país nos últimos 22 anos.

APOIO BRASILEIRO

Mesmo assim, o conflito gera tensão no mercado brasileiro porque o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) já deu mostras que de que está ao lado dos EUA - o que poderia gerar sanções econômicas por parte do Irã, que é o maior parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio.

No ano passado, o Brasil exportou um volume total de US$ 2,1 bilhões ao Irã. O saldo foi positivo pra balança comercial brasileira em pouco mais de US$ 2 bilhões. Isso significa que o país vendeu muito mais aos iranianos do que comprou deles.

Em 2018, as exportações do Brasil para o Irã representaram 0,94% (US$ 2,26 bilhões) de todos os desembarques do país, formados preponderantemente de produtos básicos, como milho, soja, açúcar e carne. Já os embarques vindos da terra persa, compostos na maioria de produtos semimanufaturados de ferro e aço, representaram 0,022% (US$ 39 milhões) das importações brasileiras.

"A participação do Irã nas exportações brasileiras não é grande, mas não podemos negar que, no médio prazo, uma situação de instabilidade pode gerar problemas para a economia global e impactar exportações para outros destinos, mais especificamente na questão de carnes", diz Vinícius Vieira, professor de Relações Internacionais da FGV e da Faap.

LIGA ÁRABE

O Oriente Médio abriga países com relações comerciais fortes e crescentes com o Brasil, à medida que o país goza de uma posição de destaque na produção da carne halal, técnica sagrada de abate que segue premissas do Alcorão. Esse direcionamento vem fortalecendo os laços do país com a comunidade islâmica e, consequentemente, impulsionando as exportações para países árabes.

E, se o Irã, que não é um país árabe, é responsável por menos de 1% das exportações que saem do Brasil, os países árabes, por outro lado, são responsáveis por 10% desses desembarques.

"Quem entrou nesse mercado (de carne halal) certamente acabará perdendo se a tensão na região se acentuar. Hoje, num cenário de crise e falta de clareza no cenário político-econômico internacional, qualquer perda de mercado é relevante, pois reduz a nossa capacidade de internalizar dólares por meio do comércio exterior", diz Vieira.

Neste caso, o setor produtivo da região de Campinas sofreria um pouco mais. No ano passado a região exportou US$ 58 milhões para as 22 nações que compõem a Liga Árabe. Os principais países importadores da RMC em 2017 foram os Emirados Árabes Unidos (US$ 18.110.993), o Egito (US$ 15.758.070) e a Arábia Saudita (US$ 10.238.404).

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