Aguarde...

ACidadeON

Voltar

cotidiano

Em ano chuvoso, Campinas segue sem obras de drenagem

Anunciadas há dois anos, quando homem morreu em enchente, intervenções ainda não saíram do papel

| Especial para ACidade ON

Obras incluíam remodelação de pontes e alargamento do leito do córrego (Foto: Luciano Claudino/Código 19) 

 
Os primeiros dias de janeiro em Campinas estão 41% mais chuvosos do que em 2019 e, mesmo após tragédias provocadas por enxurradas como em 2017, a cidade continua sem a prometida obra de macrodrenagem na região central.  

LEIA MAIS 
Monte Mor ainda tem 3 bairros alagados nesta segunda
Após chuvas, nove cidades estão em estado de atenção
Chuvas deixam bairro debaixo d'água em Campinas  

Anunciada há dois anos, após a morte de um corretor de imóveis arrastado pela força da água na Rua Rafael Sampaio, perto do córrego Orosimbo Maia, a intervenção começaria no Centro, iria até a região da Rodovia D. Pedro I (SP-65) e custaria mais de R$ 300 milhões. 

A Prefeitura alega que não há recursos disponíveis para a obra e as tentativas de obter a verba com o Estado e União fracassaram. Os trabalhos envolveriam a construção de novos piscinões e troca das galerias pluviais de diversas ruas.

O secretário de Infraestrutura, Pedro Leone, explicou que hoje não há nem reserva nos cofres municipais suficiente para refazer quatro pontes que atravessam o córrego Orosimbo. A troca ou retiradas das estruturas foi anunciada como prioritária pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) em 2017 e custaria R$ 20 milhões.

As pontes são antigas, do século 19, e não dão passagem para a água escoar nas cheias com as chuvas. "Houve a perspectiva de fazer a obra e tentativas com os governos estadual e federal, mas não tivemos a disponibilização do recurso. Hoje, a Prefeitura não tem como absorver essa obra. Mas temos conseguido fazer muita coisa em relação a outros córregos", disse o secretário

OBRAS

As obras em outros córregos da cidade, que cortam bairros mais periféricos, foram viabilizadas com recursos do antigo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal.

Uma delas, de R$ 12 milhões, ocorreu no Jardim Santa Lúcia, na região do Campos Elíseos. Além da retificação e canalização do córrego, o local recebeu nova rede de esgoto e foi pavimentado. De acordo com o secretário, a urbanização e a revitalização inibem que moradores dos bairros joguem lixo e móveis no córrego.

O Córrego da Lagoa, que faz parte da Bacia do Ribeirão Quilombo na região dos Amarais, será remodelado em fevereiro. A obra de R$ 19 milhões e que já está licitada, prevê uma barragem para contenção de cheias, construção de redes de esgoto e água, além de pavimentação de ruas.

CÓRREGO TAUBATÉ

Outra obra que está com o projeto pronto e espera apenas a aprovação final da Caixa é a do Córrego Taubaté, na região do Parque das Bandeiras. A previsão é que seja feita a macrodrenagem de dois quilômetros do córrego, com canalização e construção de contenções, além de desenvolvimento da rede de esgoto. Tudo custará R$ 37 milhões.

"Essas obras de urbanização também ajudam a conscientizar a população. Quando está tudo bonitinho e arrumadinho, eles não jogam tanto entulho dentro do córrego. Sujeira em córrego é o que mais aumenta a incidência de enchentes", diz Leone. De acordo com o secretário, ainda não há previsão para aprovação da Caixa, licitação e início da obra, mas a Prefeitura já considera o recurso "disponível".   

CHUVAS

O Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, informou que já choveu 115 milímetros nos primeiros 9 dias de janeiro, 41% a mais do que a média para os primeiros dias em 2019. Neste último fim de semana, foram mais de 100 milímetros só em Campinas. A previsão é que esse Verão tenha um volume maior de chuva em todo o Sudeste.

Mais do ACidade ON