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Hospital usa a ficção para humanizar cirurgias em crianças

Projeto do Hospital PUC-Campinas transforma cirurgia em "máquina de sonhos" e reduz trauma em crianças e pais

| ACidadeON Campinas

O projeto é baseado no livro "Fazedores de Sonhos" (Foto: Renan Lopes/ACidade ON) 

Histórias, brincadeiras e fantasia: parecem atividades infantis feitas em casa, na escola ou no parque, mas acontecem também no pré-operatório de um hospital em Campinas. Para deixar o processo cirúrgico menos traumático a crianças e pais, o Hospital PUC-Campinas iniciou neste ano uma forma de atendimento diferenciado para os pequenos pacientes.

O projeto é baseado no livro "Fazedores de Sonhos", da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, e com ele todo o trajeto do quarto à sala de cirurgia é contado de forma lúdica as crianças, envolvendo-as em uma história que relaciona a anestesia a um momento de sonho.

O novo processo para a cirurgia acontece em três fases, começando no pré-operatório. Ainda na internação a criança ouve a história do livro com a equipe de enfermagem. Na história o livro mostra imagens e elementos da sala de cirurgia. O centro cirúrgico possui uma "máquina dos sonhos", que produz uma fumaça e faz as crianças sonharem.

Toda a história leva a criança a escolher um sonho para ter durante a cirurgia, que o médico anestesista, encarregado com esse "poder", vai realizar.

Na segunda etapa, as crianças dirigem um miniveículo até a sala, tirando a necessidade da maca e fazendo com que o caminho até a cirurgia seja visto como uma brincadeira.

Por último, já na sala de cirurgia, a criança assiste ao vídeo escolhido, podendo ser do personagem ou do assunto que ela gostaria de sonhar.  



Segundo a idealizadora do projeto e coordenadora do serviço social do hospital, Aline Vanucci Barreto, desde a implantação desse método houve uma grande melhora das reações na ida até a cirurgia. "Com esse projeto a criança vivencia o a cirurgia de forma mais leve. O processo tem trazido um resultado positivo para as equipes do hospital, mas principalmente para os pais, porque as crianças não vão mais chorando. O maior sofrimento dos pais era quando a criança sofria na entrada falando tchau pra eles, e o que acontece agora é que as crianças até se esquecem dos pais", comentou a coordenadora.

Foi assim para Érika Bonfim de Conceição Souza. Seu filho Pietro, de 4 anos, passou por uma cirurgia de retirada de cisto. A mãe conta que estava sozinha com o filho no hospital e teve medo da reação, mas ficou feliz e tranquila com a naturalidade de como tudo aconteceu.

"O Pietro é uma criança super desesperada, já chega no médico desesperado, mas com o projeto ele se acalmou. Quando ele entrou na cirurgia ele nem viu que eu tinha sumido, nem deu tchau, entrou com o carrinho e foi embora", contou a mãe sobre o momento da cirurgia.

Erika diz ainda que o projeto serviu para que ela se acalmasse também. "Os pais sempre ficam preocupados com qualquer cirurgia, eu tive medo de ficar desesperada sozinha, mas quando eu vi que ele estava calmo eu fiquei calma também. Passando tranquilidade pra criança a gente também tranquiliza", conta Erika. Pietro diz que sonhou com avião.

Já Letícia Araujo, também de 4 anos, tinha acabado de ouvir a história para ir fazer uma cirurgia da garganta e não teve dúvidas do que escolher. "Quero sonhar em ser bailarina", disse, pouco antes de se trocar para o procedimento. 


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