Aguarde...

ACidadeON

Voltar

cotidiano

Usuários se queixam do calor excessivo em novos pontos de ônibus

Material da cobertura, que provoca efeito de "estufa", não seria o mais indicado para grandes temperaturas

| ACidadeON Campinas

Cobertura é feita de um material que não protege dos raios solares (Foto: Denny Cesare/Código 19)

Sol na cabeça, calor e muito suor: são essas as sensações de quem espera pelo transporte coletivo nos abrigos de ônibus em Campinas. A reclamação é dos usuários que afirmam que a cobertura é feita de um material transparente (policarbonato), que não protege dos raios solares. Pelo contrário: a estrutura aumenta a sensação de estufa nesses locais.

O problema fica mais evidente no Verão, com sol a pino e temperatura elevada. Na Avenida Francisco Glicério, principal via da área central, a reclamação é geral: a espera nesses locais é de bastante incômoda, quase insuportável.

O ACidade ON visitou alguns desses abrigos localizados no Centro e conversou com usuários dos ônibus. Com o sol forte, a queixa mais comum foi em relação à sensação de calor nesses espaços.

A aposentada Irene da Silva aguardava o coletivo para Valinhos e questionou a Administração sobre os abrigos. "Será que quem fez os pontos ficaria aguardando ônibus debaixo desse sol? Porque essa cobertura não resolve nada, os pontos ficam quentes e a gente torrando aqui debaixo. Não adianta modernizar e não dar o mínimo de conforto para quem espera", afirmou.

A indignação da cobertura também foi comentada por Darci Viana, que aguardava o ônibus na frente do Largo do Rosário. "Fizeram a cobertura para ser bonita, e não para proteger. Aqui em baixo a gente até vê o sol, fica com ele no nosso rosto e em um calor absurdo", comentou a usuária.

O aposentado Reinaldo Vilela aguardava o ônibus para seguir até sua casa e afirmou que preferia os modelos antigos, feitos de concreto. "Esses são de vidro, e de materiais que a gente sabe que é caro. Uma obra que a gente vê que não saiu barato, mas para quem tá debaixo não funciona, a cobertura dos pontos antigos tinha melhores condições", reclamou.

VANDALISMO

Além da sensação de calor, os usuários ainda têm que conviver com outro problema, principalmente nos abrigos da Glicério o vandalismo. Muitas das estruturas estão quebradas, pichadas, com cartazes de propaganda ilegal e até com urina. Quem sofre são os usuários que utilizam o espaço que deveria ser confortável e limpo.

Mesmo os novos abrigos instalados pela Prefeitura, no último ano, também já sofrem com atos de vândalos. Na Chácara Primavera, um equipamento recém-instalado já está cheio de cartazes de propaganda ilegal e pichado. Outro localizado na região do Bosque, na Rua Proença, já está com o vidro quebrado.  



NOVOS ABRIGOS

Ao todo foram 225 novos abrigos, distribuídos na região central e também em regiões com maior demanda de passageiros. Eles foram instalados após contrato de concessão firmado pela Administração em 2018. Os modelos foram inspirados nos abrigos existentes na Avenida Francisco Glicério. Eles são de policarbonato alveolar fumê e contam com iluminação em LED, tomadas USB e assentos especiais.

O pedreiro Ailton Antônio Pereira, que aguardava o ônibus com a namorada na Glicério, diz ficar triste com a situação de falta de higiene e de cuidados nos locais. "Falta fiscalização, quem espera ônibus nos pontos do Centro muitas vezes espera sentindo cheiro de urina. A gente vê os pontos novos já todos vandalizados e quebrados, são pontos bons, têm lugares para sentar, tem lixeira para usar, mas a gente ainda vê lixo no chão", se queixou.

Para o armador Antônio Ferreira, falta fiscalização da Prefeitura. "As pessoas deveriam valorizar, se conscientizar, mas o povo não cuida. Por outro lado, se a Prefeitura faz é obrigação dela cuidar, porque teve dinheiro público gasto com isso".

INADEQUADO

Para o professor e diretor da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Fabio de Almeida Muzzetti, houve erros e acertos na projeção dos novos abrigos de ônibus em Campinas. "Os pontos precisavam de uma reprojeção, mas houve falhas na maneira da execução do projeto, principalmente no que diz à cobertura de policarbonato".

Segundo o professor, o material tem o mesmo efeito do vidro, com pouca absorção do calor. "É um material semelhante ao plástico. É leve, bonito e tem o custo-benefício ótimo levando em consideração a segurança. Ele é usado em vários países, porém temos que lembrar que estamos no Brasil, um país tropical e esse material não é suficiente para as nossas temperaturas. É um material que filtra muito pouco o calor e causa um efeito de estufa para quem fica embaixo, e é isso que está acontecendo nos pontos", explica.

O especialista falou também sobre o vandalismo. "É um problema no mundo inteiro, falta às pessoas entenderem que aquele bem é delas, e por isso a necessidade de zelar. É difícil fazer um projeto e ter que fiscalizar e monitorar o tempo inteiro. É uma questão de cidadania, de falta de cultura e de uma educação para cuidado com os bens públicos", comenta.

OUTRO LADO

Questionada sobre as coberturas dos pontos, a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) respondeu em nota que a cobertura de todos os pontos segue o mesmo modelo da Avenida Francisco Glicério. E que os abrigos são de policarbonato alveolar fumê, que protegem do sol e filtram os raios UVA e UVB.

Sobre a situação dos novos abrigos vandalizados, a Emdec respondeu que ao longo de 2019 foram realizadas mais de 17,8 mil ações de manutenção, que incluem vistoria, limpeza, retirada de panfletos e de pichações.

Ainda segundo a Emdec, a prestação dos serviços da concessão é feita pela empresa Verssat Indústria e Construção, vencedora da concorrência realizada em abril de 2018. A empresa fica responsável pela manutenção permanente dos abrigos assumidos pela empresa, com a fiscalização e acompanhamento dos trabalhos pela Emdec.

Em nota, a Emdec ainda destaca a importância do cuidado da população com os bens públicos, zelando pela conservação dos abrigos que estão sendo renovados em benefício dos próprios cidadãos. A população pode denunciar os atos de vandalismo pelo telefone 118, o "Fale Conosco Emdec".

Mais do ACidade ON