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Após denúncia, coordenadora do Samu segue no cargo, diz diretor

Representante da Rede Mario Gatti disse que o caso pegou a diretoria de surpresa, e que médica não será afastada por conta da importância do cargo

| ACidadeON Campinas

 

Representante da Rede Mario Gatti se pronunciou sobre denúncia durante a Comissão de Saúde (Foto: Alan Corrêa / Câmara Municipal de Campinas)

A coordenadora do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Elisângela Franco Nonato, que usou o horário do expediente no serviço público para atuar em um hospital particular de Campinas, não será afastada do cargo enquanto estiver sendo investigada. Isso é o que afirmou o diretor técnico Marcos Almeida, representante da Rede Mário Gatti, que se pronunciou nesta terça-feira (11), na Câmara de Campinas. 

Ele afirmou ainda que a denúncia causou surpresa e chegou até a chocar os integrantes da Rede. O diretor afirmou que foi aberto um processo apuratório, com uma sindicância para averiguar a denúncia e que quatro procuradores já começaram hoje (11) as oitivas.

Documentos obtidos pelo ACidade ON Campinas mostram que a médica, em ao menos dois dias do mês passado, utilizou o horário de expediente no serviço público para fazer atendimentos no hospital particular Samaritano. A denúncia foi publicada ontem pelo ACidade ON (leia mais aqui)  

CARGO MANTIDO  

Segundo Almeida, que representou o presidente da Rede, Marcos Pimenta, a médica não foi afastada da função devido a importância do cargo que ela exerce que é de gestão. Ainda segundo Almeida, Elisângela deu sua versão, afirmando que em todos os procedimentos que atuou fora do Samu, fez a marcação do ponto de saída. Essas marcações serão objetos de investigação.  

O representante da Rede disse ainda que não é possível afirmar se os horários em que a coordenadora prestava serviço na unidade particular eram em horários de trabalho no Samu. O cargo que a médica exerce tem horário flexível.  

"Isso realmente nos pegou de surpresa. Para todos nós foi de um grau de surpresa muito grande e de pronto, o presidente já abriu um processo apuratório. Isso faz parte da sindicância, a funcionária já foi acionada, haja vista que é um posto que precisa ter uma grande interface com todo o sistema", disse o diretor.  

Ele enfatizou que é necessário fazer toda a apuração para ver se realmente houve o fato, e que isso deve ser feito por meio de provas suficientes e transparentes.  

"Estamos aguardando as pessoas que estão envolvidas. Provas estão sendo colhidas, de forma mais transparente possível, o processo irá transcorrer. Como se trata de denúncia, o processo ainda não interfere na ação do serviço e ela é uma peça chave em todo o processo e por isso não vimos a necessidade de afastá-la do serviço", complementou Almeida.  

Ainda de acordo com o diretor técnico, essa foi uma denúncia pontual, e não há nenhum outro caso sendo investigado na Rede. Os funcionários do Samu estão sendo ouvidos para saber se há mais denúncias de casos semelhantes.  

O diretor foi ouvido na tarde de hoje pela Comissão de Política Social e Saúde da Câmara de Campinas na Câmara Municipal de Campinas. 

A DENÚNCIA  

Documentos mostram que a médica utilizou, em ao menos dois dias no mês de janeiro, o horário de expediente no serviço público para fazer atendimentos no hospital particular Samaritano.  

Os documentos obtidos pela reportagem mostram que no dia 17 de janeiro, uma sexta-feira, ela foi a cirurgiã principal de uma apendicectomia, cirurgia utilizada em caso de inflamação do apêndice. O procedimento, neste dia, começou às 16h19 e terminou às 17h45 - ela passou 1h26 dentro do centro cirúrgico do hospital.  

No dia 24 de janeiro, uma sexta-feira, ela participou como segunda assistente de uma laparotomia exploradora - uma cirurgia na cavidade abdominal que pode durar até quatro horas. Este procedimento começou mais cedo ainda, às 13h17. 

Neste caso, o paciente tinha diagnóstico de pancreatite aguda necro-hemorrágica - uma doença inflamatória do pâncreas considerada grave.  

Elisângela trabalha em horário comercial no Samu, das 8h às 17h. Na condição de anonimato, funcionários do Samu confirmaram a situação e disseram que ela já ocorreu em outros dias.  

A servidora foi nomeada para exercer o cargo em comissão de coordenadora junto à Coordenadoria do Samu no dia 9 de março de 2018, após a morte de José Roberto Hansen, ex-coordenador e fundador do Samu Campinas.  

ILEGALIDADE  

O advogado Marcelo Monteiro, especialista em direito penal e constitucional, além de professor da ESD (Escola Superior de Direito) de Campinas, explicou que uma série de regras proíbe esse tipo de atividade.  

"O servidor público é regido por uma série de regras, como a Constituição e o Estatuto do Servidor. Atividades em horários de expediente são vetadas. O trabalhador jamais poderia exercer função privada em horário de expediente. Agir assim pode gerar até demissão", explicou.  

Elisângela foi procurada pela reportagem, mas ainda não respondeu com sua versão sobre o caso.

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