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Rede Mário Gatti amplia investigação sobre chefe do Samu

Coordenadora do Samu é investigada por prestar serviços particulares em horário de trabalho

| ACidadeON Campinas

Elisângela Franco Nonato é coordenadora do Samu Campinas (Foto: Denny Cesare/Código19) 

A Rede Mário Gatti vai ampliar a investigação sobre a médica e coordenadora do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Campinas, Elisângela Franco Nonato. Ela responde a um processo administrativo que apura se a servidora atuou em um hospital particular da cidade durante seu expediente no Samu. Novos documentos obtidos pelo ACidade ON Campinas e encaminhados à Rede mostram que a médica, em pelo menos mais duas ocasiões, utilizou o horário de expediente no serviço público para fazer atendimentos no hospital particular Samaritano.
 
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Até agora foram quatro ocorrências deste tipo e todas elas ocorreram durante o mês de janeiro. Na condição de anonimato, funcionários do Samu confirmaram a situação e disseram que ela também já aconteceu em outros meses.

No dia 14 de janeiro, uma terça-feira, Elisângela começou uma laparotomia exploradora - uma cirurgia na cavidade abdominal, às 12h30 e encerrou às 14h. Ela participou do procedimento como primeira assistente.

No dia 17, uma sexta-feira, ela realizou outra laparotomia exploradora, que começou às 15h10. Esse procedimento pode chegar a quatro horas de duração e ela participou como cirurgiã principal.

Por nota, a Rede informou que "o procedimento apuratório está em curso, sendo realizado pelos procuradores municipais da Rede Mário Gatti, obedecendo todos os trâmites previstos em lei para este tipo de caso. Todas as informações para completa apuração e esclarecimento dos fatos serão verificadas".

DENÚNCIA ANTERIOR

No dia 10 deste mês, o ACidade ON Campinas mostrou que, em duas outras ocasiões, a coordenadora estava trabalhando no Samaritano durante o expediente do Samu. LEIA MAIS AQUI.

Por conta do cargo que exerce, Elisângela trabalha em horário comercial no Samu, das 8h às 17h. Por se tratar de uma unidade que funciona sete dias por semana, 24 horas por dia, a Rede Mário Gatti explicou que a médica pode sim ter horário flexível, mas não informou se estes eram o caso.

TOTALMENTE ILEGAL

O advogado Marcelo Monteiro, especialista em direito penal e constitucional, além de professor da ESD (Escola Superior de Direito) de Campinas, explicou que uma série de regras proíbe esse tipo de atividade.

"O servidor público é regido por uma série de regras, como a Constituição e o Estatuto do Servidor. Atividades em horários de expediente são vetadas. O trabalhador jamais poderia exercer função privada em horário de expediente. Agir assim pode gerar até demissão", explicou.

Segundo o especialista, nem mesmo durante o horário de almoço esse artifício poderá ser utilizado para justificar o trabalho na rede particular.

"A hora de almoço é remunerada, então ele [servidor] não pode continuar trabalhando neste horário, muito menos em um local privado. A Constituição proíbe atividade particular de servidor público", afirmou.

OUTRO LADO

Elisângela foi procurada, mas até a publicação da reportagem não respondeu. Caso chegue uma posição, a matéria será atualizada.

O Samaritano também foi procurado, mas até a publicação da reportagem não respondeu. Caso chegue uma posição, a matéria também será atualizada.

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