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Covid-19: um mês depois, Campinas ainda tem "quadro inicial"

Primeiro caso foi confirmado em 13 de março; cidade tem 126 casos confirmados e 5 mortes mas para especialista ainda é cedo para fazer projeções

| ACidadeON Campinas

 

Francisco Glicério vazia no início da quarentena em Campinas (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

Há um mês, Campinas registrou o primeiro caso confirmado do novo coronavírus, mudando desde então o cenário da cidade, que está em isolamento social desde o dia 23 de março. A primeira paciente é uma estudante de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic. Ela esteve no casamento da irmã da blogueira Gabriela Pugliesi, com vários pessoas infectadas. 

A jovem mora em São Paulo, mas estava em Campinas, onde circulou e frequentou aulas na faculdade. Logo após confirmado o diagnóstico, ela já estava bem e cumpriu isolamento social em casa. Na época, ela fez exame para confirmar a covid-19 em um hospital particular.

Desde então, Campinas confirmou 126 casos e cinco óbitos por covid-19. Há ainda 1.047 casos em investigação e 60 pessoas já são consideradas curadas da doença de acordo com dados desta segunda-feira (13).  

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"Estamos completando um mês do primeiro caso em Campinas do coronavírus. Chegamos a 126 confirmados. Hoje também são 23 dias que instituímos políticas de redução de aglomeração e os decretos seguintes", disse o secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza.

Ele falou ainda que o resultado de tudo que foi feito até agora será visto em duas ou três semanas. "Essas medidas que pareciam precoces, estamos vendo como conseguimos retardar essa evolução e de forma administrada pela saúde municipal, estadual e até mesmo privada", disse ele.

O ACidade ON fez um gráfico baseado na divulgação de dados oficiais pela Secretaria de Saúde de Campinas.  

Gráfico mostra evolução de casos da covid-19 em Campinas (Imagem: ACidade ON)
PROJEÇÃO

Para a professora da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Raquel Silveira Bello Stucchi, a análise dos dados deve ser feita com cuidado, porque provavelmente as quedas no gráfico são de dias em que não houve liberação de exames. "Não foram todos os dias que tivemos liberação de exames. Não é que não teve nada, mas teve dia que não teve a divulgação de resultados", disse.

Ela disse ainda que mesmo com os números oficiais, o que vemos é que uma porcentagem maior de jovens, mas ainda são dados preliminares. "Temos, segundo os dados, mais de 1 mil exames esperando para ter resultado. Tanto de suspeitos e um tanto destes será de óbitos".

A fotografia que estamos vendo, disse Raquel, é um esboço de um quadro muito inicial. "Pode ser que reflita o que vai ser. O vírus pode ter um comportamento diferente. Com apenas três meses de conhecimento da doença. Mas estávamos esperando o mesmo comportamento do hemisfério norte. Mas com estes dados, não podemos ter ainda uma conclusão", explicou.

Para a professora, o que se pode dizer é que Campinas parou antes as aulas e universidades, o que favorece a cidade. "Então, estamos 'atrasados'. Você diminui a circulação de pessoas. Isso colabora, mesmo tendo um número represado de exames", disse.

Ela afirmou ainda que gostaria de ser otimista, mas que o conhecimento da doença mostra que isso não ocorrerá. "Podemos ter um cenário mais otimista se conseguirmos convencer, por bem ou mal, que as pessoas têm que ficar em casa. A disseminação e velocidade dos casos é nossa responsabilidade. Temos que lavar as mãos e se for preciso sair de casa, com máscara e álcool em gel. É um mantra, de todos nós", afirmou.

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