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Campinas nega acolher pacientes com covid-19 da capital

Prefeito Jonas Donizette (PSB) disse que não tem condições de receber pacientes da região metropolitana de São Paulo sob risco de perder leitos

| ACidadeON Campinas

AME de Campinas, onde estão internados quatro pacientes da região metropolitana de São Paulo (Foto: Luiz Granzotto/PMC) 

O prefeito Jonas Donizette (PSB) afirmou na tarde desta segunda-feira (4) que negou ao governo estadual acolher pacientes com covid-19 da Grande São Paulo para tratamento em hospitais públicos da cidade. Segundo ele, a negativa ocorre para evitar um colapso na rede do município, que já atende os campineiros e moradores de outras cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas).

A afirmação foi feita em live pelas redes sociais oficiais do prefeito. No entanto, em resposta, o governo estadual disse que "as transferências inteoospitalares e intermunicipais de pacientes serão feitas se e quando houver necessidade" (leia mais abaixo).

Segundo ele, Campinas já tem quatro pacientes vindos da região metropolitana de São Paulo (um de Franco da Rocha e três de Francisco Morato) que estão sendo atendidos na AME (Ambulatório Médico de Especialidades), que é de gestão estadual.

A unidade, que tem 15 pessoas internadas atualmente, foi inaugurada na segunda quinzena de abril e virou o "Hospital Coronavírus". "Conversamos e acionamos o governo do Estado. Não dava para fazer esse recebimento, pois temos medo de perder leitos. Precisamos preservar leitos para Campinas e região. Na Unicamp, de cada 10 internações, nove são da região. E estamos também amparando em 40% a região nos hospitais municipais", disse Jonas.

Além da preocupação com o número de leitos, a Prefeitura também se preocupa com a circulação de pessoas com o vírus de outras cidades e com amigos e parentes desses pacientes.

"O primeiro problema é o volume, que podemos não ser capazes de atender. Os nímeros de São Paulo são impressionantes. Cerca de 100, 200 vezes maior que aqui. E outra preocupação é a de circulação, aumentando o fluxo que viria de São Paulo", explicou o secretário de Saúde, Carmino de Souza.  

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QUESTÃO POLÍTICA

Apesar da negativa do prefeito ao governo de São Paulo, a regulação dos leitos é do Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) de São Paulo, que controla diretamente a distribuição dos leitos nos hospitais estaduais (como o HC da Unicamp e o HES, de Sumaré), além da própria AME.

Jonas disse que a resistência em receber os pacientes será maior nos hospitais municipais. Nas unidades estaduais, o prefeito disse que vai apelar ao "diálogo". "Precisamos preservar nossa situação epidemiológica que foi feita com o sacrifício de tantas pessoas", disse. Sobre os pacientes da AME, o prefeito disse que não vai mandá-los embora e que espera sua recuperação.  

OUTRO LADO

Em nota oficial, o governo estadual disse que fará as transferências quando houver necessidade e que o SUS é universal. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a transferência será feita pela Cross, sistema on-line que funciona 24 horas por dia e que verifica vagas disponíveis em hospitais do SUS em SP, sejam eles estaduais ou municipais.

"Essa medida já é realizada rotineiramente para necessidades diversas, desde internações a avaliações especializadas. O sistema identifica os leitos disponíveis e, assim, auxilia no encaminhamento do paciente para o local mais próximo de residência e apto a assisti-lo. A pasta reforça que a necessidade de transferência será avaliada caso a caso".

Sobre o fluxo, a Secretaria disse que é definido pelo pelo Ministério da Saúde ao paciente que apresentar sintomas de covid-19. Ele pode procurar uma unidade da rede primária de saúde, como UBS (Unidade Básica de Saúde) para atendimento inicial, pois estas são as "portas de entrada" do SUS.

A internação é indicada especificamente aos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com atendimento nos hospitais mais complexos, para tratamento em leito de enfermaria ou UTI, com suporte clínico de acordo com a necessidade específica de cada paciente, explicou o governo estadual.

"É fundamental deixar claro que o SUS é universal e as unidades devem atender a população independentemente da origem/local de moradia, visto que o acesso e o atendimento pela rede pública de saúde são garantidos constitucionalmente a qualquer cidadão".

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