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Feriadão na próxima semana é aprovado na Câmara de Campinas

Antecipação de datas comemorativas para os dias 26 e 27 foi aprovada pelos vereadores

| ACidadeON Campinas

 

Megaferiado proposto pela Prefeitura foi aprovado pelo legislativo (Foto: Câmara Municipal de Campinas)


A Câmara de Campinas aprovou nesta quinta-feira (21) a antecipação de dois feriados municipais, que cria um "megaferiado", na semana que vem. A medida tem objetivo de aumentar o isolamento social por causa da ascensão da pandemia do novo coronavírus. Ontem, Campinas passou de mil casos confirmados da doença e somou mais uma morte, chegando ao número de 44 óbitos pela covid-19.  

O projeto, encaminhado pelo Executivo e aprovado pelos parlamentares, antecipa a data dos feriados municipais de Corpus Christi (11 de junho) e Dia da Consciência Negra (20 de novembro), adiantados para a próxima terça-feira (26) e quarta-feira (27), respectivamente.  

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Dessa forma, os dois dias emendam com o feriado estadual de 9 de julho, que também será antecipado pelo governo do Estado, para 25 de maio - próxima segunda-feira. A votação para antecipação do feriado estadual será realizado às 16h desta quinta-feira (21).

Segundo os dados do Simi (Sistema de Monitoramento Inteligente) que analisa o isolamento em São Paulo, os feriados registraram um aumento significativo nas medidas de isolamento. Nos fins de semana e feriados, a taxa tem sido maior, acima de 50%. O isolamento entre 50% e 55% é um dos critérios adotados para promover medidas de flexibilização da quarentena e reabertura do comércio.  

O texto agora segue para o Executivo para publicação em Diário Oficial, o que deve acontecer nesta sexta (22).  A proposta foi justificada pelo secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, que pediu o respeito da população para que fique em casa nesses dias.  

"Na medida em que o isolamento foi caindo, o número de casos está subindo. O objetivo deste feriado é aumentar a taxa de isolamento. Não é para passear. É para ficar em casa. Essa decisão de hoje vai refletir em junho", declarou o secretário.  

CONFLITUOSO  

O Projeto de Lei foi aprovado em duas discussões que aconteceram em sequência de maneira remota, e foi aceito com 25 votos favoráveis e quatro votos contrários em primeira discussão, sendo contra o projeto os vereador Campos Filho (Podemos), Nelson Hossri (PSD), Marcelo Silva (PSD) e Tenente Santini (PL). 

Em segunda análise (mérito), a votação foi de 25 favoráveis e dois votos contrários, sendo dos parlamentares Campos Filho (Podemos) e Marcelo Silva (PSD). As sessões de votação do projeto tiveram divergências e discussões entre os vereadores, com desacordos sobre o texto sugerido pelo Executivo e em opiniões sobre as medidas de isolamento.  

Entre os opostos a medida, o vereador Marcelo Silva (PSD) alegou o desrespeito da população pelas medidas, e afirma que os feriados podem espalhar a doença para cidades menores do interior e do litoral.  

"Votei contra porque o projeto foi feito de forma atropelada e seguindo sempre as orientações do governo estadual, sem autonomia. E a proposta não foi discutida com a população, com os empresários, com a sociedade civil organizada. Também acredito que o feriado pode ajudar a espalhar a doença para cidades menores, do Interior e Litoral", disse. 

Também contrário, o vereador Nelson Hossri (PSD) disse que o projeto foi uma "medida improvisada", e não preza por salvar a economia.  

"É uma medida sem estudo, sem planejamento, não preza por salvar economia, e famílias e empresas são pegas de surpresa sem tempo pra se organizar. Daqui a pouco o prefeito vai querer antecipar Natal e Ano novo, é uma medida sem pé nem cabeça, que não traz nada de bom para a sociedade", afirmou.  

No entanto, a grande maioria dos parlamentares apoiou o projeto da Prefeitura, afirmando que a medida é uma resposta para evitar o colapso do sistema de saúde.  

"Não dá pra ficar no achismo, falando que não vai resolver. Os índices estão apontando para um colapso no sistema de saúde nas próximas semanas, com isso eu fico do lado da ciência, das pesquisas e da proteção ao SUS. Respeito quem quer ficar do lado do negacionismo, mas a realidade aponta que se nos anteciparmos podemos ter aumento na taxa de isolamento social. Temos que tentar essas medidas com base na responsabilidade que temos", afirmou o vereador Professor Alberto (PL).  

O vereador Luis Henrique Cirilo (PSDB) também defendeu a medida, e criticou os vereadores que foram contrários ao projeto.  

"Estão fazendo do projeto um palanque político, pensando em comércio e não em vidas. A orientação médica é que o isolamento é a melhor medida. Tem sempre aqueles do contra, que vão contrário a qualquer medida, e não são nem a favor do povo. Estamos sofrendo, todas as medidas são dolorosas, mas temos respaldo e temos que pensar na população, só assim podemos tentar flexibilizar o comércio no mês que vem", afirmou.

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