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Com filhos autistas, casal de Campinas tem permissão para cultivar cannabis

Crianças de 7 e 10 anos fazem uso de um óleo rico em canabidiol, em que o frasco de 30 ml tem preço médio de R$ 2,5 mil

| ACidadeON Campinas

Crianças apresentaram melhoras significativas em seus comportamentos após óleo rico em canabidiol (Imagem: mundoadaptado.com.br)

Um casal de Campinas recebeu autorização do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado) para cultivar a cannabis sativa, erva utilizada para fins medicinais. Os moradores são pais de duas crianças autistas, uma de 10 e outra de 7 anos, e apelaram à Justiça pois não tinham condições financeiras para custear o óleo da cannabis, utilizado no tratamento. 

Segundo laudo médico, as crianças apresentam um "déficit significativo e persistente da comunicação e interação social em múltiplos contextos, padrão restrito e repetitivo do comportamento, interesses e atividades, além de alterações da integralidade sensorial". 

Após longo período de tratamentos psicofarmacológicos e multiprofissionais sem que as crianças apresentassem melhorias significativas em seus comportamentos disfuncionais, os médicos receitaram um óleo rico em canabidiol, sustância não-psicoativa da planta de cannabis. 

O produto foi apontado, pela literatura médica mais recente, como próprio para tratamento aos pacientes autistas, proporcionando uma melhora no padrão de seu neurodesenvolvimento.  

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ALTO CUSTO

O preço médio do óleo vendido em farmácias é de aproximadamente R$ 2,5 mil pelo frasco de 30 ml. A família contava com a aquisição dos medicamentos produzidos pela Associação Abrace Esperança, única autorizada à produção medicinal da cannabis no Brasil.  

No entanto, a demanda pelos óleos produzidos pela associação é muito grande, o que acarreta diversas interrupções no seu fornecimento, prejudicando gravemente o tratamento. Por esses motivos, a família decidiu apelar à Justiça. 

De acordo com o relatório psicológico elaborado pelo psicólogo Marcos Antonio Barbieri Goncalves, do CAM (Centro de Atendimento Multidisciplinar) da Defensoria Pública, as crianças vinham fazendo uso do óleo de cannabis desde abril de 2019, apresentando melhoras significativas em seus comportamentos. 

A família participou de treinamentos e palestras sobre o tema e se preparou para o autocultivo da cannabis, que permitirá o acesso mais regular ao óleo, com baixo custo e além de tornar possível o ajuste de dosagens e cultivo de distintos tipos de planta para o tratamento dos filhos.  

A concessão do habeas corpus, que permite o cultivo, foi conquistada pela Defensoria Pública de SP junto ao TJ-SP.

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