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Após 4 meses de suspensão, feira hippie volta no fim de semana

Feira de artesanato no Centro de Convivência volta a funcionar de sábado e domingo

| ACidadeON Campinas

 

Feira de artesanato volta a funcionar após suspensão pela quarentena (Foto: Luciano Claudino/Código19)

A Prefeitura de Campinas confirmou hoje (29) a retomada da tradicional feira hippie do Centro de Convivência, no bairro Cambuí, que volta a acontecer neste final de semana após quatro meses de suspensão por causa da pandemia do novo coronavírus.

Segundo a Secretaria de Cultura, a feira de artesanato acontece neste sábado e domingo, das 10h às 14h, e prossegue nos próximos finais de semana, enquanto o decreto atual da quarentena (que possibilita a abertura de comércios), na fase laranja do Plano São Paulo de flexibilização, estiver vigente. Ontem (28), os espaços já foram demarcados pelos artesões.

De acordo com a Prefeitura, a estimativa é que a feira retorne com 60% dos expositores, já que grande parte deles faz parte do grupo de risco, motivo que gerou opiniões contrárias sobre a volta entre os expositores e a própria Asecco (Associação dos Expositores do Centro de Convivência).

O presidente da Asecco, Marcelo Bonifácio, se posicionou contra a liberação. Ele considera arriscado reabrir nesse momento de avanço dos casos na cidade. Segundo Marcelo, a feira gera aglomerações, o que seria irresponsável neste momento.

"Lá é um local de aglomeração. Não dá para ter controle dos contatos, dos toques de objetos nas bancas. Pessoalmente sou contra, mas é um assunto contraditório entre vários associados", afirmou, citando a mobilização de alguns artesões para a retomada.  

Já coordenador de Ação Cultural da Secretaria de Cultura, Mario Cesar Melo Silva, afirmou que a retomada foi decidida após várias reuniões junto à secretaria de Saúde e da Vigilância Epidemiológica. Segundo o coordenador, com orientações de segurança as secretarias optaram por reabrir a feira junto à retomada do comércio. 

"Decidimos que junto com retorno do comércio retomasse também a feira, para garantir o trabalho aos expositores", afirmou. Segundo Mário, como a feira acontece em lugar livre, está sendo montada uma força-tarefa entre Prefeitura, Emdec e Guarda Municipal para acompanhamento da quantidade de pessoas no local.  

"Estamos mobilizados para organizar tudo, garantindo fiscalização para a segurança das pessoas que trabalham na feira e também dos cientes", declarou. 

OPINIÕES CONTRÁRIAS

Em maio, uma manifestação reuniu um grupo de cerca de 20 expositores da feira, que pediram ajuda à Prefeitura, por estarem sem atuar desde o início da pandemia. Segundo os artesões, atualmente a única fonte de renda é o auxilio emergencial do governo federal, que não é suficiente para suprir os gastos de cada um.

Apesar do apelo de alguns expositores, o presidente da associação se preocupa pelo fato da maioria ser idosos, considerados grupo de risco. Marcelo criticou o fato de que não foi convocado para reuniões sobre a retomada.

"Eu não fui chamado para nenhuma reunião, nenhuma discussão sobre isso. Eu sei que alguns se mobilizaram, porque o dinheiro é importante. Mas luto pela vida deles, dinheiro é consequência", declarou, ainda citando o e-commerce como alternativa que poderia ser mais desenvolvida com apoio da Administração.

Apesar de reconhecer os riscos, a expositora Edimara Jorge Gimenez, de 57 anos, afirma que vai voltar com a barraca já neste fim de semana.

"Na minha opinião é legal e não é. Ficamos muito felizes sobre a retomada, mas no fundo temos medo", disse. No entanto, mesmo com o receio, a artesã diz que mesmo com os riscos a volta é necessária para os ganhos dos expositores.

"A gente precisa. Estamos recebendo dinheiro do governo, mas só. Eu mesma não consegui vender por meio do e-commerce, então eu vou voltar porque preciso. Faço meu trabalho em casa e preciso sair para vender. Tem muita gente com medo, mas a maioria acredito, que quer trabalhar porque não tem outra renda", afirmou.   

Segundo a Secretaria de Cultura, a retomada para os comerciantes foi proibida para aqueles no grupo de risco, e ainda facultativa para o restante, o que gerou a negativa do retorno alguns expositores  mesmo com a autorização. 

REGRAS

A expectativa é que a feira aconteça com 190 a 200 expositores, que tem como obrigação montar as barracas com distanciamento de dois metros e disponibilizarem álcool em gel durante o atendimento ao público.

Entre a liberação, a Administração autorizou ainda o funcionamento de barracas de alimentação. No entanto, o consumo no local será proibido, com liberação para comer nas proximidades e em condições de distanciamento.  

Para o retorno ainda será obrigatória a apresentação do certificado de empresa responsável emitido online pela Prefeitura.



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