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Polícia pedirá laudo de esquizofrenia de agressor de motoboy

Homem de Valinhos sofreria de distúrbios mentais, segundo família; vídeo com ataque racista viralizou nesta sexta-feira (7)

| ACidadeON Campinas

Após repercussão de caso, agressor foi expulso do ifood e vítima ganhou vakinha on-line (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil de Valinhos afirmou nesta sexta-feira (7) que pedirá à família do homem que fez ofensas racistas a um motoboy o laudo médico atestando que ele sofre de esquizofrenia. O vídeo que mostra o momento da agressão ao entregador de aplicativo ocorreu no final de julho, mas viralizou hoje nas redes sociais.

O delegado responsável pelo caso, Luis Henrique Apocalypse Joia, afirmou que a informação da doença mental consta no boletim de ocorrência do caso, mas que a corporação não possui o exame ainda.

"A polícia não tem o documento de esquizofrenia. Mas constou no boletim que o pai teria exibido o documento. Vamos solicitar assim que houver representação por parte da vítima", explicou. Segundo Joia, o motoboy tem seis meses para representar criminalmente seu agressor, o que fará com que seja aberto um inquérito policial.

Caso isso ocorra, o crime de injúria racial - como foi tipificado - será investigado e o agressor pode pegar até 3 anos de prisão, além de ter de pagar multa. Como é réu primário, o delegado disse que isso pode significar uma pena em liberdade. Caso comprovada a esquizofrenia, seria aplicada uma medida de segurança.

"Isso tudo vamos verificar assim que a vítima represente. Mas, como todos os outros casos (de racismo), é muito grave. Entendemos que em 2020 ter esse tipo de conduta... Não sei a condição da pessoa, psicológica. Mas se é feito em sã consciência é um absurdo", disse.

Ainda de acordo com o delegado, o agressor teria outros dois BOs por furto de veículo (o caso foi arquivado pelo Ministério Público após constatação da doença) e também por um episódio onde ele alegou estar sendo perseguido.  



EXPULSÃO E VAQUINHA


Após o vídeo ser publicado nas redes sociais, o agressor foi expulso do aplicativo iFood, ficando impedido de pedir comida pelo aplicativo. Além disso, a página do Instagram Razões para Acreditar criou uma vaquinha on-line para ajudar a vítima, que estava tentando trabalhar como influenciador digital antes da pandemia mas teve que vender os equipamentos após a crise.  

BOLSONARO 

Ainda no começo da noite desta sexta-feira (7), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou um tuíte na sua conta oficial prestando solidariedade ao motoboy. A mensagem diz que ocorridos como este devem ser repudiados e que "a miscigenação é uma marca do Brasil. Ninguém é melhor do que ninguém por conta de sua cor, crença, classe social ou opção sexual". 




O CASO

O vídeo que viralizou nesta sexta mostra a vítima sendo agredida verbalmente com ofensas racistas. O caso ocorreu após o entregador ter problemas com o interforne do condomínio. O entregador ainda é chamado de analfabeto e de diversas outras ofensas pelo agressor.

O morador repete diversas vezes que o trabalhador tem inveja das pessoas que moram no condomínio e aponta para a própria pele ao dizer isso. O motoboy é negro. O vídeo foi gravado por um vizinho do morador de Valinhos.

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