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TRF suspende reabertura de agências do INSS; Campinas tem fila

Beneficiários formaram fila na esperança de conseguirem o atendimento hoje

| ACidadeON Campinas

 

Beneficiários formaram fila na esperança de atendimento em Campinas (Foto: Denny Cesare/Código19)

O TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região suspendeu hoje (14) a reabertura das agências do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o trabalho presencial no Estado de São Paulo. A retomada havia sido anunciada na semana passada pelo órgão, após o fechamento por seis meses por causa da pandemia.  

A decisão da suspensão foi divulgada hoje cedo pelo desembargador Peixoto Júnior, que avaliou que reabertura nas agências só deve se dar após "novas vistorias e apresentação de um plano seguro" das autoridades de saúde, além de testagem de covid-19 para todos os servidores do INSS do Estado.  

Em Campinas, muitos beneficiários procuraram o serviço hoje, sem saber da decisão. Na agência da Rua Barreto Leme, que iria reabrir nesta segunda, mesmo com o aviso da suspensão, filas foram formadas às 7h da manhã, com pessoas que ainda permanecem no local com a esperança de conseguirem o atendimento, agendado de forma on-line.  

Esse é o caso do operador de máquina José Martins, que tinha uma perícia agendada para as 7h, e sem conseguir receber o benefício, aguardava na manhã de hoje em frente à agência, com expectativa de atendimento. 

"É complicado, a gente chega, tinha atendimento agendado. Eu estou afastado pela empresa por problema cardíaco. Tinha perícia agendada e agora vou ver se consigo passar pelo médico. Eu não estou recebendo o benefício por falta de perícia, estou vivendo com a ajuda de familiares e agora vai depender disso", declarou.  

O motorista José Luiz Ferreira também chegou durante a manhã e com a fila já grande esperava sem nem ver o aviso da suspensão, colocado na porta. Mesmo depois de saber sobre a suspensão, o trabalhador ainda continuava no local para tentar atendimento.
"É bem ruim, porque a gente depende disso, estou afastado e preciso passar por eles porque estou sem pagamento, quero ver como vou fazer", disse.  

Cristiano dos Santos Machado, membro do Sinsprev (Sindicato dos Servidores e Trabalhadores Públicos em Saúde, Previdência e Assistência Social no Estado de São Paulo), cita que em Campinas a quantidade de atendimentos torna a retomada insegura para os trabalhadores e para os beneficiários. 

"A gente não tem uma previsão de até quando vai ficar suspenso e já entramos com outra ação pedindo o retorno apenas quando houver o controle da pandemia. No atual cenário há um descontrole e entendemos que antes de uma vacinação não há condições de um retorno. Em Campinas, antes da pandemia atendíamos em média de 700 pessoas por dia, e a condição de trabalho, aglomerações, a falta de estrutura coloca em risco a população da cidade", afirmou. 

ENTENDA O CASO  

O pedido da suspensão havia sido solicitado pelo SINSSP (Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social no Estado de São Paulo), que entrou com a ação pedindo a suspensão da reabertura e a manutenção do trabalho remoto. 

A reabertura de pelo menos 547 agências no país foi declarada pelo INSS mesmo após o anúncio de greve dos servidores do órgão, que são contra a reabertura das agências em meio a pandemia. Após a decisão, o INSS disse que vai recorrer.  

Em nota, o órgão informou que as agências seguirão fechadas após a decisão judicial e que os segurados que tinham agendado atendimento devem desconsiderar e proceder com a remarcação pelo Meu INSS ou pelo telefone 135.  

No texto, o INSS destaca que "a reabertura das agências se mostra indispensável para que parte da população que necessita dos serviços presenciais não seja prejudicada", especialmente neste momento de pandemia.

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