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Fake news faz comércios usarem termômetros no pulso

Em Campinas, comerciantes passaram a medir a temperatura dos clientes pelo pulso após vídeo dizer que medições na testa trazem danos à saúde

| ACidadeON Campinas

Vídeo que circula nas redes sociais diz que as aferições na testa trazem danos à saúde; especialistas desmentem (Foto: Luciano Claudino/Código19)
Além do uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento social, os comerciantes de Campinas também precisam medir a temperatura dos clientes, conforme determina o decreto municipal que autoriza a retomada do comércio. Tais medidas foram estabelecidas a fim de evitar a propagação do novo coronavírus. 

Acontece que, nessa última semana, a forma como a maioria dos comerciantes da cidade tem medido a temperatura dos clientes mudou. Os estabelecimentos faziam as aferições pela testa e agora passaram a realizar o procedimento no pulso do cliente. 

A mudança se deve a um vídeo que circula pelas redes sociais, principalmente no Whatsapp, e que acusa o aparelho de trazer danos ao cérebro. O conteúdo diz que o termômetro emite um raio infravermelho que atinge a glândula pineal, no cérebro. 

O vídeo ainda diz que com o tempo tal procedimento pode ocasionar vários distúrbios no organismo. Com uma ilustração estática de um cérebro humano, uma voz masculina afirma que as pessoas devem pedir que suas temperaturas sejam medidas no pulso.  

A estudante Isabela Cardoso conta que os boatos já chegaram à igreja que frequenta. Ela costuma ficar na recepção para fazer as aferições dos fiéis e na última semana, após algumas pessoas se queixarem, ela passou a medir a temperatura pelo pulso. 

"Fomos aferir a temperatura de uma senhora e ela disse que tinha lido que fazia mal. Outros disseram que atingia o sistema límbico e que se tivesse como aferir no pulso seria o ideal para evitar problema, então mudamos o jeito para evitar que os membros da igreja reclamem", relatou. 

ACUSAÇÕES SÃO FALSAS 

As acusações e o conteúdo podem até parecer convincentes, mas o neurologista Diogo Haddad diz que na verdade não passam de "uma grande besteira". O especialista explica que as pessoas irradiam calor corporal em forma de luz infravermelha e o que os termômetros fazem, em grande parte, é detectar o quanto elas emitem de calor, e não soltar uma radiação. 

Além disso, ele ressalta que a funcionalidade do instrumento é associada à medição na testa e que não há estudos que indiquem a utilização no punho. "A gente não tem certeza de que ela seja fidedigna quando feita no pulso", complementa. 

Raquel Stuchi, infectologista da Unicamp, afirma que a glândula apontada no vídeo fica no meio da cabeça e que se o raio a atingisse queimaria os vasos e as artérias do pulso. 

Embora a medição da temperatura esteja sendo feita em várias cidades brasileiras - a decisão cabe as autoridades locais -, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que não tem orientação específica para o uso e triagem com termômetros na entrada de supermercado, repartições e outros espaços públicos e que os instrumentos não fazem o diagnóstico do tipo de doença, uma vez que apenas medem a temperatura corporal do paciente.


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