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Sindicato prevê volta às aulas de 80% da rede particular em Campinas

Prefeito Jonas Donizette autorizou a retomada das aulas presenciais nas escolas particulares a partir de 7 de outubro

| ACidadeON Campinas

Prefeitura de Campinas autorizou a retomada das aulas presenciais nas escolas particulares a partir de 7 de outubro (Foto: Denny Cesare/Código19)

O Sieesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo) prevê que cerca de 80% das escolas particulares de Campinas retomarão as atividades presenciais em 7 de outubro. De acordo com o sindicato, as unidades se preparam para o retorno desde o semestre passado e já estão aptas para atender aos alunos da rede. 

Durante live na tarde desta segunda-feira (14), o prefeito Jonas Donizette (PSB) anunciou que a rede particular, assim como a estadual, poderá retomar as atividades presenciais no dia 7, mas a escolha é facultativa para cada unidade. Já os alunos da rede municipal de ensino, incluindo a educação infantil e o ensino fundamental, não terão as atividades presenciais retomadas nesse ano na cidade. Apenas os alunos do 5º e 9º anos do ensino fundamental terão o retorno das atividades presenciais nesta data. Porém, de forma facultativa - os pais podem escolher em deixar os filhos em atividades não presenciais acompanhando de forma on-line.

Ainda na rede municipal, também podem retornar na mesma data, os alunos do 4º termo da EJA (Educação de Jovens e Adultos) e também os estudantes dos últimos anos do ensino técnico do Ceprocamp (Centro de Educação Profissional de Campinas). Também, a partir do dia 7 de outubro, alunos da rede estadual e privada estão autorizados a retornar, porém com uma série de medidas e capacidade máxima limitada a 35% (leia mais aqui).  
 
RETOMADA TARDIA

Para o presidente do Sieeesp, Benjamim Ribeiro da Silva, a retomada é tardia em relação a outros países que também foram vítimas da pandemia, visto que a suspensão das aulas nesses lugares durou somente 60 dias, enquanto a do Brasil já passa de 200.  

"Politizaram o problema e nossos políticos infelizmente não tem qualquer compromisso com a educação. A escola particular está pronta desde julho, com protocolos e equipamentos de desinfecção e EPIS, mudaram o layout das escolas. Enfim, está pronta", destaca. 

PREJUÍZOS 

Conforme revela Tony dos Santos, diretor regional do Sieeesp e representante das 1.300 unidades associadas da região, cerca de 20% das escolas de ensino infantil e berçário de Campinas devem fechar as portas até o fim do ano.  

A situação é ainda mais preocupante na região, em que 40% das unidades, também de ensino infantil e berçário, devem encerrar as atividades em virtude dos prejuízos ocasionados pela pandemia da covid-19. 

Apesar de ainda não ter a porcentagem exata sobre a evasão dos alunos da rede particular para a pública, Santos adianta que essa movimentação foi expressiva nos últimos meses.  

"A gente está com problemas financeiros por causa da pandemia e muitas famílias optaram em ir para as aulas on-line da rede pública, com a intenção de voltar à particular no ano que vem. Mas acredito que não vai ser muito fácil não", conta.  

Já em relação às demissões na rede particular de Campinas e região, seja de professores ou de funcionários, Santos comenta que elas ainda são consideradas mínimas. Contudo, os fechamentos das escolas de ensino infantil e berçário colaborarão para que o desemprego entre os colaboradores da rede aumente. 

"O setor está se transformando com o ensino híbrido e com certeza irá oferecer um educação mais voltada às necessidades dos alunos, mas para isso precisa de liberdade de ação e os pais podem decidir se querem ou não o retorno presencial, os que optarem por não voltar continuam tendo aulas remotas", finaliza.    

Alunos fazendo atividades on-line durante a quarentena. (Foto: Jorge Araujo/Fotos Publicas)
 
INCERTEZAS 
 
Apesar do retorno liberado para a escolas particulares, a decisão em enviar as crianças e adolescentes de volta às aulas presenciais ainda está bastante dividida. A Prefeitura fez uma pesquisa com os pais dos alunos da rede municipal se iriam mandar os filhos para a escola nesse retorno. O resultado do questionamento apontou que a maior parte dos pais não quer a volta às aulas presenciais. Cerca de 80% da comunidade escolar votou contra a presença dos alunos nas salas de aula, mesmo com as medidas de proteção contra o novo coronavírus (leia mais aqui). A decisão do não retorno presencial dos alunos na rede teve como base essa pesquisa.
 
Na rede particular não houve uma pesquisa geral sobre o tema, mas grande parte das escolas encaminhou o questionamento aos pais até para poder se organizar melhor com a quantidade de alunos por sala. Vale lembrar que as escolas retomam as atividades presenciais com a capacidade máxima de 35% dos alunos.  
 
"Avaliamos em casa e nossos filhos não voltam mais nesse ano. Já estamos no final e não tem porque expô-los desse jeito. Eles ainda são pequenos e não vão conseguir manter todo o distanciamento necessários com os coleguinhas e não vão seguir as medidas sanitárias impostas. Convivemos com pessoas do grupo de risco e por isso não temos que fazer isso nesse momento", afirmou a bancária Silvana Azarias. Ela tem dois filhos, um menino de 5 anos e uma menina de 2. 
 
Já a fisioterapeuta Elisângela Cerqueira pretende levar o filho de 7 anos nesse retorno. "Ele não aguenta mais ficar em casa fazendo aula on-line. Como as atividades estão voltando ao normal, não tenho com quem deixá-lo. É complicado, mas acredito que conversando com ele e confiando na escola tudo vai correr bem. As crianças precisam retomar a rotina de aprendizado o quanto antes para o bem delas", analisou.

MEDIDAS 

Para a retomada, o sindicato garante que as escolas estão adequadamente equipadas e que esse processo de adequação acontece desde o início do isolamento social. As medidas atendem critérios pedagógicos, estruturais, higiene, distanciamento social e transporte escolar. Confira algumas delas: 

- Fazer aferição da temperatura de todos os alunos e colaboradores na entrada da escola; 

- Trocar sapatos na entrada da escola, para uso exclusivo, no ambiente escolar onde ficarão guardados em armários na escola, ou realizar a higienização do solado com água sanitária diluída em água; 

- Higienizar as mochilas com álcool 70% na entrada da escola; 

- É importante que os materiais levados pelos alunos dentro da mochila venham higienizados da residência, haja vista que ainda não se tem ao certo quanto tempo uma superfície "dura" pode permanecer contaminada; 

- Orientar os pais o uso do uniforme somente para a escola, ao retornar para a casa já realizar a troca de roupa; evitar se locomover com o aluno com o uniforme em outros locais; 

- Organizar para que cada turma tenha o intervalo entre as aulas em horário diferente de outras turmas, assim como estabelecer horários de entrada e saída escalonados, evitando aglomerações, para que nem todos estejam presentes na escola ao mesmo tempo; 

- O número de alunos, se possível, deve ser reduzido nas salas de aula, sendo recomendável manter um espaçamento entre os alunos dentro da sala de aula, de acordo com a realidade de cada escola, idealmente com espaço mínimo de 1,5 metro entre as carteiras; 

- Dar preferência para realização de aulas em ginásios, quadras ou mesmo ao ar livre; 

- Sinalizar rotas dentro das escolas para que os alunos mantenham distância entre si; 

- Utilizar de múltiplas entradas da escola e divisão dos alunos de acordo com a proximidade das salas; 

- Marcar lugares nos refeitórios, com espaçamento entre os lugares de 1,5 metro em horário diferenciado pelas turmas para minimizar a movimentação durante o almoço; 

- Intensificar a higiene dos pratos, copos e talheres e suspender, temporariamente, o sistema de self- service; 

- Monitorar, mesmo à distância, as turmas nos intervalos, para observar possíveis sintomas, espirros, tosses etc.

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