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Novas imagens mostram que cliente não foi agredido em sorveteria

Cliente alegava que proprietária havia agredido ele antes da confusão; imagens negam a versão

| ACidadeON Campinas

Imagens de câmeras de segurança mostraram todo o atendimento que terminou em confusão (Foto: Circuito de câmeras)

Imagens do circuito de câmeras da sorveteria onde um cliente foi flagrado quebrando objetos e agredindo verbalmente a proprietária foram divulgadas hoje (16). As imagens, inéditas até então, mostram desde o início do atendimento, que terminou em confusão após a recusa do cliente ao usar a máscara de proteção.  

Diferente da versão do acusado, Rodrigo Ferronato, que em entrevista ao ACidade ON alegou ter sido agredido pela proprietária antes do ataque, com empurrões, socos e tapas, nas imagens é possível ver que o cliente começou a briga, depois de recusar a subir a máscara quando solicitado. Além disso, as imagens mostram o local vazio, e não com aglomerações como foi alegado pelo mesmo.   

LEIA ABAIXO A DECLARAÇÃO DO CLIENTE
Homem que agrediu mulher em sorveteria diz que foi atacado antes

Nos vídeos disponibilizados pelo estabelecimento, é possível ver quando Rodrigo chega na sorveteria às 16h do sábado (12). A princípio, o cliente aguarda a mulher que estava com ele do lado de fora, sem usar a máscara, mas depois entra no estabelecimento para escolher um produto.  

Alguns minutos depois, as imagens mostram Rodrigo dentro da sorveteria. Depois de pegar um pote de sorvete o cliente passa pelo caixa, e na hora de pagar começa a confusão. No vídeo, é possível ver que o cliente estava com a máscara posta sobre o rosto, mas sem cobrir o nariz. Ao chegar no atendimento, a proprietária do local pede a colocação corretamente, conforme a versão dada pela mesma.  

Após a comerciante fazer o pedido, Rodrigo se nega a subir a máscara. Nas imagens é possível ver o cliente fazendo a negativa com o rosto, e em seguida, a dona do local pega o sorvete, se negando a continuar com a venda. Vale lembrar que em Campinas há um decreto que obriga o uso de máscaras em estabelecimentos comerciais, além de vias públicas. Caso clientes e funcionários não utilizem o equipamento de proteção o estabelecimento é multado e corre até o risco de ser fechado pela Prefeitura.  

Após a recusa, o cliente pega o celular e ameaça ligar para a polícia, confirmando a versão dos dois. Em seguida Rodrigo começa a filmar a comerciante, que estava em outro atendimento.  

Durante a filmagem, a comerciante tenta evitar a gravação, e batendo com a mão no celular do cliente. No entanto, ao contrário do que disse Rodrigo, as imagens não mostram nenhuma agressão da proprietária, que ao contrário chega a sofrer um tapa na mão, dado pelo cliente.   

VEJA O VÍDEO: 


 
Após a discussão, as imagens mostram os momentos já registrados por outros clientes, quando Rodrigo quebra objetos e profere ofensas a atendente. Após isso, o cliente ainda discute com um homem no estacionamento do estabelecimento.  

Segundo a dona do local, as imagens gravadas foram reunidas e foram levadas na delegacia para registro da ocorrência. A comerciante ainda contratou um advogado, para entrar com um processo contra o agressor.

OS LADOS  

De acordo com a dona da sorveteria, Pollyanna Reis, foi solicitado educadamente para que o cliente colocasse a máscara, mas após a negativa ela se recusou a continuar com a venda.  

"Eu nunca imaginei que isso aconteceria. Nós estamos com restrição de acesso. Atendendo uma família por vez, quando ele se aproximou para fazer o pagamento eu pedi educadamente para ele colocar a máscara corretamente. Ele se recusou, eu insisti, e depois eu me recusei a atender. Depois disso ele começou a se revoltar, pegou o telefone para ligar pra polícia, queria me gravar, começou a me ofender e a quebrar as coisas", declarou Pollyanna, que afirmou ainda estar abalada com o caso.  

"Eu fiquei muito abalada, ainda fico nervosa falando nisso. Era só um pedido para colocar a máscara, que tem uso obrigatório, não pensei que chegaria nesse fim", disse.  

Após a reportagem de ontem (15) o cliente, Rodrigo Ferronato entrou em contato com a redação para dar sua versão. Ele alega que teria sido agredido primeiro com um empurrão, um soco na barriga e tapas.  

"No final do vídeo, tirei a máscara porque ela não conseguia me ouvir, porque eu queria me expressar. Eu baixei a máscara e fiquei com ela no queixo. Mas estava de máscara. Quando comecei a filmar ela veio até mim e me desferiu um tapa no braço para tentar derrubar o celular, um empurrão no peito e deu um soco de mão aberta na barriga", afirmou ele.  

Em entrevista à EPTV, ele ainda afirmou ainda que poderia não ter tido a reação exagerada e "engolido a raiva".  

"Acho que esse tipo de atitude minha eu poderia não ter feito. Eu deveria ter engolido a minha raiva e ter saído da sorveteria e procurado os meios legais para me defender e cobrar do jeito que deveria cobrar", disse.  

Rodrigo ainda declarou que também já fez um boletim de ocorrência contra o estabelecimento, e acionou o Procon pela recusa do atendimento.

NAS REDES SOCIAIS

Na noite de ontem, após ter saído das redes sociais, Ferronato se posicionou novamente sobre o caso e disse que não merece ser agredido desta forma e que está sofrendo ameaças de mortes. Segundo ele, "por causa de uma discussão onde ambas as partes estavam erradas".

Ele também escreveu que é um "cidadão de bem" e que "nunca faria mau (sic) a ninguém". "Agora vão querer me crucificar?", disse. O vendedor também afirmou que, por orientação de advogados, não iria dar mais detalhes do ocorreu, mas que ele não tem culpa do que aconteceu.

OUTRO CASO

Ainda no ano passado, Rodrigo Ferronato foi condenado pela Justiça Federal de Jaú por ameaça e denunciação caluniosa contra uma médica perita do INSS. Segundo o processo, a pena aplicada a ele foi de prestação de serviços comunitários e pagamento de cestas básicas a entidades sociais, mas ele entrou com recurso.

A reportagem entrou em contato com o vendedor novamente para que ele se posicionasse sobre este caso, mas não conseguiu contato.

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