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cotidiano

Covid-19: 90% das vítimas de Campinas apresentavam doenças prévias

Entre as vítimas mais da metade tinha problemas do coração

| ACidadeON Campinas -

 

Balanço apresentou perfil das vítimas por covid-19 (Foto: Luciano Claudino/Codigo 19)

Quase 90% das vítimas fatais de covid-19 em Campinas tinham outras doenças. Segundo os dados atualizados do boletim epidemiológico divulgado nesta semana pela Secretaria da Saúde, 87,9% das mortes registradas no município foram de pacientes que apresentavam doenças prévias. Entre a doença com maior fator de risco, está a cardiopatia, sendo registrada em 59,5% dos pacientes.  

De acordo com o levantamento, que leva em conta os dados até o dia 15 de setembro, quando até então a cidade somava 1.145 mortes por covid-19 (hoje são 1.196), do total de mortes, 1.007 vítimas tinham comorbidades. Já 138, cerca de 12%, não tinham registros de outras doenças. A cidade ainda manteve o perfil de morte superior em homens, que foram 57,6% das vítimas, contra 42,3% mulheres. 

Entre as vítimas fatais que apresentaram doenças prévias, a grande maioria, 71,7% tinham idade superior a 60 anos. Na faixa etária idosa, grupo com maior número de óbitos (925 dos 1.145), 882 tinham comorbidades e 103 (9%) não.   
 
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Já as vítimas com idade entre 5 a 59 anos são 220. Entre elas, 185 tinham comorbidades e 35 eram saudáveis, sendo que na faixa de 20 a 49 anos houve 13 mortes de pessoas sem outras doenças, e na faixa dos 50 aos 59 anos, ao todo 22 morreram sem apresentar doenças prévias.    

Veja a relação de mortes por faixa etária:

Gráfico mostra média das vítimas de covid-19, e quantas tinham comorbidades (Fonte: Secretaria da Saúde)

DOENÇAS 

Entre as doenças apresentadas pela maior parte das vítimas de covid-19 em Campinas, a cardiopatia lidera no fator de risco.
Segundo o levantamento, mais da metade das vítimas, 59,5% apresentavam doenças no coração.  

Em seguida, como a segunda doença com maior fator de risco para a covid-19 vem a diabete, registrada em 41,3% das vítimas, e obesidade (9,8%). Além delas foram registradas entre as vítimas doenças neurológicas, renais, e de imunodepressão. 

Veja o total na tabela abaixo: 

Cardiopatia lidera o ranking de fator de risco (Fonte: Secretaria de Saúde)

MUDANÇA 

Apesar do balanço da Saúde, algumas famílias não concordam com a classificação dada pela Saúde ao familiar falecido. Esse é o caso de Silmara da Silva Chaves, prima de Marcelo Alves da Rocha, técnico de enfermagem de 37 anos que morreu no dia 6 de junho e está entre os casos de óbitos com comorbidades.  

Segundo a família, apesar da divulgação por parte da Prefeitura citar "comorbidade", Marcelo não apresentava nenhuma doença prévia, e morreu pela atuação na linha de frente da pandemia. 

"Eles não sabem o que aconteceu. Falaram que Marcelo tinha doença e não tinha. Não tem que passar essa imagem em que as pessoas acham que só quem tem doença vai morrer. Ele era saudável, fazia academia, nunca bebeu nem fumou. Estava salvando vidas e acabou perdendo a dele", afirmou Silmara.  

Já entre outras famílias, apesar de doenças prévias, os parentes também citam que a saúde e a vida das vítimas eram normais, e se não fosse o novo vírus, possivelmente todos estariam vivendo bem e ainda saudaveis. Esse é o caso de Lúcio Rafael Mansini, que teve a mãe como uma das primeiras vítimas fatais de covid-19 em Campinas.  

"Minha mãe tinha doenças sim, mas era uma mulher forte. Vivia a vida normal, era uma pessoa muito ativa", afirmou Lúcio.  

Ana Lúcia Ferreira, de 58 anos, trabalhava como auxiliar de dentista no CS (Centro de Saúde) do DIC 1. Ela foi internada no dia 1º de abril em um hospital da rede privada de Campinas, e morreu 27 dias depois, após ficar entubada durante todo o período. Ana deixou três filhos e uma neta de 4 anos. 

Eles e outros familiares foram ouvidos em junho pelo ACidade ON, dando relato sobre a perda e o enfrentamento da doença por parte das vítimas (leia a matéria completa aqui).

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