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Pesquisa inédita da Unicamp descobre "dinossauro zumbi"

Equipe de paleontólogos da Unicamp, UFRN e UFSCar descobriu infecção óssea em fóssil que deixava dinossauro com aspecto de "morto-vivo"

| ACidadeON Campinas

Reconstrução feita por Hugo Cafasso (Foto: Divulgação/Hugo Cafasso) 

Uma pesquisa inédita feita na Unicamp, em Campinas, em parceria com outras três universidades brasileiras, revelou um "dino zumbi": um dinossauro que teve câncer nos ossos.

A descoberta foi feita através de uma tomografia computadorizada do fóssil na Escola de Medicina da USP, em São Paulo, pelo cientista Tito Aureliano. Considerada inédita, a pesquisa mostrou ainda que a doença infecciosa atinge desde os dinossauros do período Cretáceo até humanos e animais nos dias de hoje.

Aurelino, que fez mestrado no Instituto de Geociências da Unicamp sob orientação da pesquisadora Fresia Ricardi-Branco e coorientação de Marcelo Adorna Fernandes (UFSCar), recebeu o material da pesquisadora Aline M. Ghilardi (UFRN).

Desde 2016, os dois estudam uma coleção de fósseis de dinossauros encontrados no Noroeste Paulista, atualmente depositados do Laboratório de Paleoecologia e Paleoicnologia de São Carlos.

Em 2017, Ghilardi analisava novamente estes fósseis quando um em particular chamou sua atenção: um osso da perna de pequeno dinossauro saurópode da família dos titanossauros, que tinha uma peculiaridade estranha não observada antes. O osso se destacava pois tinha diversos caroços esponjosos que se projetavam de sua superfície, como lesões, talvez algum tipo de câncer ósseo.

A missão de entender melhor o que tinha acontecido foi então dada a Aureliano, especialista no estudo de tecidos fossilizados de dinossauros. O resultado da análise indicou o diagnóstico de osteomielite aguda, uma infecção óssea que pode causar deformações nos ossos.

O modelo 3D do fóssil, gerado a partir da tomografia gerada na USP, permitiu ainda observar que a lesão se estendia desde a parte mais interna do osso até a sua superfície, onde formava as tais protuberâncias esponjosas observadas pela pesquisadora de São Carlos. "Deveria ser extremamente doloroso para o animal", disse ela.

DINO ZUMBI

Devido a essa características da doença no animal, e ao modelo 3D do fóssil, os pesquisadores chegaram à anaogia do "dino zumbi".

"Considerando como essa doença age em organismos atuais, o dinossauro deve ter sofrido muito até atingir um estado grave, com a formação destes caroços e feridas abertas expelindo pus pelas pernas, braços e corpo. O aspecto geral lembra muito o de um dino zumbi", disse Aureliano.  

Simulação da doença em "dino zumbi" (Foto: Divulgação/Hugo Cafasso)
A DOENÇA E MAIS MICROORGANISMOS

A pesquisa evoluiu pois o grupo de pesquisadores queria entender mais sobre o caso. Depois do resultado esclarecer como a inflamação óssea evoluiu até a formação dos caroços, era preciso procurar outros microorganismos e o motivo da doença.

Por meio das lâminas delgadas, Aureliano pode determinar também que o dinossauro estudado era um idoso no momento da morte. Isso, no entanto, não seria motivo para causar a infecção. Os autores começaram, então, a buscar explicações. Não havia sinais de fraturas ou mordidas que poderiam ter iniciado a infecção.

Enquanto analisava as amostras dos tecidos fossilizados, a paleontóloga Fresia Ricardi Branco detectou a presença de um microfóssil dentro dos canais vasculares do osso do dinossauro. Observando cautelosamente, Aureliano foi capaz de encontrar mais de dez microorganismos fossilizados.

Além disso, com ajuda da paleoparasitologa Carolina Nascimento (UFSCar), ele encontrou mais setenta microrganismos fusiformes similares preservados dentro do osso e determinou que seriam associados a algum tipo de parasita sanguíneo.

Essa descoberta é também considerada inédita, pois foi a primeira vez
que encontrou-se parasitas preservados dentro dos ossos de dinossauros. Anteriormente, só se havia encontrado parasitas pré-históricos dentro de insetos preservados em âmbares ou em fezes fossilizadas.

E AGORA?

Apesar de não ter sido possível determinar se os parasitas poderiam ser responsáveis pelas lesões inflamatórias nos ossos, ou se as lesões facilitaram a sua colonização, o grupo continua realizando mais análises dos parasitas, que deverão ser apresentadas em trabalhos a serem publicados em breve.


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