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Butantan afirma que é impossível vacina ter relação com morte de voluntário

Interrupção dos testes causou indignação nos responsáveis pelo Instituto, que afirmam esperar um posicionamento da Anvisa para a retomada dos testes até amanhã

| ACidadeON Campinas

Covas afirma que é "impossível" morte ter relação com vacina (Foto: Divulgação Estado de São Paulo)
 

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou durante entrevista coletiva na manhã de hoje (10) que é impossível relacionar o "evento adverso" que levou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a suspender os testes da Coronavac - vacina contra a covid-19- com a aplicação da vacina.  

O "evento", segundo as informações preliminares, seria a a morte de um voluntário de 33 anos, que participava dos testes da nova vacina pelo  HC (Hospital de Clínicas) da USP (Universidade de São Paulo), e veio a óbito após mais de três semanas depois de receber a dose, em uma situação que segundo o Butantan não teve "nexo causal".

A interrupção dos testes causou indignação nos responsáveis pelo Instituto, que afirmam esperar um posicionamento da Anvisa para a retomada dos testes até amanhã- pedindo ainda um esclarecimento da agência reguladora para que não haja dúvidas sobre a segurança da vacina.  Na tarde de hoje esta programada uma entrevista coletiva da Anvisa.

"Sabemos e temos certeza que não é relacionado com a vacina. Do ponto de vista clínico, é impossível que haja relacionamento com a vacina, e acho que essa definição encerra a discussão", afirmou Covas.

Em Campinas, o HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp, um dos centros onde a vacina é testada, suspendeu a testagem e afirmou que aguarda o desdobramento da decisão federal para retomar o ensaio clínico. O hospital já aplicou os testes em 544 voluntários, sendo que mais 500 estavam programados para aplicação.

Até o momento, mais de 10 mil voluntários já receberam as doses da vacina no Brasil. Segundo Covas, a determinação da Anvisa amedronta as pessoas que já receberam os testes, e prejudicam o estudo por causar dúvidas para aqueles que queriam se candidatar ao recebimento da dose.

"DESCRÉDITO GRATUITO"

A determinação pela suspensão é acusada pelos técnicos do Butantan de causar ainda mais polêmica em relação à vacina, sendo a interrupção feita de maneira "antiética" e sem comunicação entre a agência e o Instituto.

Nos últimos meses, a Coronavac foi algo de discussões entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Doria. Após a decisão da Anvisa, Bolsonaro declarou nas redes sociais que é "mais uma que Jair Bolsonaro ganha".

Bolsonaro já protagonizou com Doria outros choques sobre a vacina em desenvolvimento pela parceria sino-brasileira. O presidente chegou a desautorizar um acordo do Ministério da Saúde com o estado de São Paulo para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac. Em resposta, na ocasião, Doria classificou de criminosa a atitude de Bolsonaro caso ele negue o acesso a qualquer vacina aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) contra a Covid-19.

"Suspenderam um estudo clínico, pra causar incerteza, medo nas pessoas, fomentar descrédito gratuito a troco do que? Não seria mais justo ligar e falar que a reunião está marcada e esclarecermos isso? Não seria mais justo? Mais ético?" questionou Covas.   

O coordenador executivo do Centro de Contingência do novo coronavírus no Estado,  João Gabardo, citou que a decisão desmoraliza o trabalho realizado para conseguir a vacina. 
 
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"No mesmo dia que o governo anuncia obras, pra que possa ter condição de produção da vacina, algumas pessoas festejam o fato de ter aparecido isso e criado essa confusão pra tentar desmoralizar com a vacina que está sendo fabricada, produzida nessa parceria do Instituto Butantan, é muito triste ter que responder dessa forma", declarou.

Segundo Covas, o Butantan aguarda entre hoje e amanhã a autorização para a retomada- que deve ser acompanhada de devidos esclarecimentos à população.

"É um fato que seria absolutamente normal, poderia ser resolvido dentro da comunicação, ser gerado em confusão, polêmica. Demos todos os esclarecimentos, reenviamos os documentos, e esperamos que os testes sejam retomados o mais breve possível, entre hoje e amanhã. Esperamos que haja esclarecimento, porque temos que recuperar a confiança nos voluntários que foram incluídos e estão incluídos, não podemos deixar pairar nenhuma duvida sobre a segurança" afirmou.

INFORMADO DIA 6

O diretor afirmou que a informação da reação estava disponível para a Anvisa desde o último dia 6 de novembro, mas somente ontem (9) às 20h40 a agência respondeu com um e-mail avisando sobre uma reunião hoje (10) e a suspensão do estudo, sem nenhuma conversa com os responsáveis.

"O que se esperava era um ok, vamos avaliar, reunir, ver as causas, se você falou que não tem relação, vamos apurar mas foi isso que aconteceu? Não. Esse encaminhamento foi feito no dia 6 e ontem, dia 9, 20h40 da noite encaminham um e-mail dizendo que haveria uma reunião hoje para tratar do evento e ao mesmo tempo anunciava a suspensão do estudo. Oito e quarenta da noite, vinte minutos depois, estava em rede nacional, vinte minutos depois de termos sido notificados por e-mail. Não recebi nenhum telefonema", afirmou, citando que a decisão causou indignação pelo descrédito dado ao Instituto.

"É uma notícia que causa estranheza, insegurança e até indignação, indignação por causa do processo da forma como aconteceu, que podia ser diferente. O Butantan tem 119 anos de história, produz 75% das vacinas, tem a segurança atestada pelos milhões e milhões de doses que as pessoas tomam e continuam tomando, é uma instituição de respeito (...) Se tem uma coisa que
Nos comprometemos é com a segurança de quem se submete aos testes, e não foi e não é diferente nesse caso".


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