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Número de vereadores negros dobra em Campinas, mas representação ainda é de 12%

A legislatura dos próximos quatro anos contará com o dobro de vereadores autodeclarados pretos em Campinas

| ACidadeON Campinas

Carlão do PT, um dos dois vereadores negros da atual legislatura. (Foto: Divulgação/Câmara de Campinas)


Nas eleições deste ano, além do aumento do número de mulheres eleitas - o mais alto registrado na história-, o número de parlamentares eleitos negros e pardos também aumentou na cidade.  

Atualmente há dois vereadores negros na Casa de Leis, sendo eles Carlão do PT e Cidão Santos (PSL). Já, para o próximo ano, serão quatro na bancada, entre eles duas mulheres. Os eleitos e eleitas declarados negros são Paolla Miguel (PT), Guida Calixto (PT), Major Jaime (PP) e Cecílio (PT).  

Entre os declarados pardos, o número também é maior. Na legislatura atual, três vereadores se consideram pardos: Fernando Mendes (Republicanos), Permínio Monteiro (PSB) e Pastor Elias Azevedo (PSB). Já, na próxima legislatura serão quatro, Permínio e Fernando Mendes, que se reelegeram, além de Higor Campo Grande (Republicanos) e Carlinhos Camelô (PSB).  

Em toda a história da Câmara de Campinas, as 15 mulheres que já foram eleitas na cidade em 72 anos, houve apenas uma negra, sendo ela Maria José da Silva Cunha, que atuou na legislatura de 2001 a 2004.  

Já entre os vereadores homens não há o histórico do número de autodeclarados negros, sendo assim não há como saber se o número atual é o maior em participação afrodescendente.  

AINDA MINORIA
 
Apesar do aumento, juntos, os vereadores pretos e pardos serão oito dos 33 eleitos, representando apenas 24,2% do parlamento da cidade. Já considerando só os autodeclarados pretos, o percentual é de 12%.  

Para o cientista político Rodrigo Umbelino da Silva, membro do Neabi (Núcleo de Estudos Afro Brasileiro e Indígena) do IFSP, comparando que a população parda e negra é a maioria no país, o número parlamentares negros eleitos ainda não é equiparativo o suficiente.  

"Em dados quantitativos ainda é muito pouco comparando o número da população. Somos no Brasil 56% pretos e pardos, e pensando nisso não há uma lógica de representatividade" afirmou.  

Apesar do baixo número de cadeiras ocupadas por negros, o aumento deste ano em Campinas e em outras cidades é visto com olhar otimista, e pode ser considerado fruto dos movimentos sociais atuantes nos últimos anos.  

"É super positivo. A gente vive em um momento de sub-representatividade ou quando não representatividade nenhuma em locais públicos e da política. Esses aumentos passam pela inserção do negro no espaço público, seja ele no executivo, legislativo ou judiciário. É um processo que a gente começa a ver mudança, e tudo que a gente colhe hoje é ação dos movimentos e do entendimento de mudança na estrutura social", declarou.  

Para o especialista, a população que mais necessita de políticas públicas nas áreas de saúde, educação, segurança e transporte estão nas comunidades periféricas, que majoritariamente são compostas por negros. Por isso, eleger representantes que trabalhem na causa é necessário para conseguir acessos a diretos básicos e conquistar lugares na sociedade.  

"Tanto para o jovem como para o negro que já está na luta ver uma pessoa negra ou parda nesses cargos, você já automaticamente se vê representado. É importante mostrar para essas pessoas que a política pode ser um caminho de transformação, que a gente só consegue mudar a sociedade estando lá ou tendo representante" acrescentou.
 
NO PAÍS
 
Dos mais de 5,4 mil prefeitos eleitos no Brasil nas eleições deste ano, aproximadamente 1,7 mil candidatos se declararam pretos ou pardos, o que corresponde a 32% do total. O número é superior a 2016, quando 29% dos candidatos eleitos eram negros segundo a classificação do IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatísticas).  

No legislativo, vereadores negros ocuparão 44% das cadeiras nas câmaras municipais das capitais brasileiras a partir do próximo ano, sendo que em 2016% o número era de 42%.  

Neste ano também pela primeira vez os candidatos negros passaram a ser o maior grupo de postulantes a cargos eletivos no país desde que o TSE passou a coletar informações de raça, em 2014. Ao todo, 276 mil candidatos pretos ou pardos se registraram para concorrer no pleito, o equivalente a 49,9%.  

"É Interessante olhar paras grandes cidades, em algumas vemos uma representatividade boa. Campinas está entre as grandes cidades, têm um histórico de luta, então é importante que tenha esse aumento", afirmou Rodrigo.  

Para o cientista, para passar da maioria nas candidaturas para a maioria dos eleitos, é importante que a população enxergue os representantes das suas causas, e que os partidos deem espaço e voz para os atuantes de movimentos sociais.  

"Precisa ter movimento interno dos partidos para dar oportunidade para que os líderes comunitários saiam como candidatos tendo leque  
maior. Precisa ter nomes nos diversos partidos. Por muito tempo a população negra trabalhava nos bastidores da política, são líderes nas periferias, mas na política são aqueles direcionando voto para outro, normalmente um branco, que tem um cargo bom e não faz parte daquele grupo. Precisamos de pessoas que saiam de onde viemos e nos representem", finalizou.


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