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cotidiano

Coronavac: Saúde cobra do Butantan entrega imediata de 6 milhões de doses

Governo cobra a entrega das doses da vacina, sem informar quantas serão deixadas para São Paulo

| Folhapress -

 Maior lote da Coronavac chegou em Viracopos no dia 24 de dezembro (Foto: Divulgação)

RAQUEL LOPES E RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) 

O Ministério da Saúde voltou a solicitar a entrega imediata de 6 milhões de doses da Coronavac ao Butantan, e disse que o governo de São Paulo não pode separar a quantidade que será destinada ao estado no plano nacional de imunização contra a Covid-19. Segundo a pasta, cabe a ela o plano de operacionalização.  

O ofício foi encaminhado ao Instituto Butantan após o órgão vinculado ao governo de São Paulo ter respondido a pedido da pasta de que 6 milhões de doses do imunizante fossem entregues ao governo federal.  

O Ministério da Saúde recorreu ao Butantan depois de o governo federal ver frustrados os seus planos de enviar à Índia um avião para recolher 2 milhões de doses da vacina da Oxford/AstraZeneca, que no Brasil será produzida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). O avião, que partiu de Campinas na última quinta-feira (14), voltou hoje para a cidade e agora tem missão de levar oxigênio para Manaus (leia mais aqui).   

COBRANÇAS

No primeiro ofício com a requisição, a Saúde disse que precisa fazer o "devido loteamento para iniciar a logística de distribuição para todos os estados da federação de maneira simultânea e equitativa". 

Em resposta, o Butantan disse que estava faturando a quantia demandada pela Saúde, mas pediu que fosse informada a quantia de doses que serão destinadas ao estado de São Paulo. Com isso, o instituto quer que as vacinas para a população paulista fiquem com autoridades estaduais.  

"Aguardamos orientação de V. Senhoria quanto ao início da campanha de vacinação, com confirmação de data e horários definidos, considerando que deverá ocorrer simultaneamente em todos os estados do Brasil", afirmou o Butantan.  

A resposta gerou um novo ofício da Saúde, que disse que a responsabilidade pela elaboração, atualização e coordenação do Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a Covid-19 é da pasta. 

"Não podemos delegar a distribuição das vacinas, sobretudo em razão do estado de excepcionalidade que o país atravessa em razão da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus", apontou no documento.  

A pasta firmou ainda que as vacinas devem ser entregues em Jardim Santa Vicência, em Guarulhos, São Paulo, como está previsto no contrato.  

"Há a necessidade da imediata entrega das 6 milhões de doses para que o cronograma de distribuição das doses não seja comprometido e não ocorra atraso no início da vacinação da população brasileira, sendo ressaltado que todas as etapas da distribuição contarão com apoio do Ministério da Defesa", disse.   

BRIGA ENTRE ESTADO E GOVERNO FEDERAL 

O governo de São Paulo resiste a entregar para autoridades federais o lote que cabe ao estado e o impasse pode terminar na Justiça.  

A pasta de Eduardo Pazuello argumenta que as doses precisam ser entregues imediatamente, uma vez que foram adquiridas para o Plano Nacional de Imunização.  

O ofício ocorreu após o governo da Índia negar a entrega imediata de um lote de imunizantes contra a Covid-19 da Oxford/AstraZeneca ao Brasil, o que frustrou uma operação montada para buscar o material no país asiático ainda neste fim de semana e deve resultar numa derrota política para o Palácio do Planalto.   

VACINA DA ÍNDIA

Na noite desta quinta-feira (14), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ligou para o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, e fez um último apelo pela liberação de 2 milhões de vacinas produzidas pelo Serum Institute. O lote seria um adiantamento do imunizante que posteriormente será produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e que é a grande aposta do governo Bolsonaro na "guerra da vacina" travada com Doria.  

No entanto, Araújo ouviu de seu homólogo que a situação só seria resolvida "nos próximos dias", o que foi entendido no Itamaraty como uma sinalização de que não haverá liberação no prazo desejado pelo Brasil. Não houve compromisso com uma data específica.  

O argumento do país asiático é que não é possível autorizar a transação enquanto não começar a campanha de vacinação na sua própria população.  A vacinação da Índia foi iniciada somente hoje, o o comunicado frustrou os planos de Bolsonaro de enviar um avião ao país para buscar a carga. 

A aeronave da companhia aérea Azul voltou para Campinas hoje. Ela foi destinada para encaminhar oxigênio e EPIs para Manaus,e ficará no país enquanto não houver luz verde de Nova Déli.  

Em nota divulgada na noite desta sexta-feira (15), a Azul informou "que está pronta para buscar o lote de dois milhões de doses da vacina desenvolvida pela Astrazeneca/Oxford em Mumbai, na Índia, e que aguarda a definição diplomática entre o Brasil e o governo indiano".  

O governo prometia a partida da aeronave para a noite desta sexta (15), com retorno previsto para o domingo (17)

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