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Caçada em Goiás: relembre casos de assassinos em série de Campinas

Cidade teve investigações policiais ligadas a perfis similares a seriais killers nos últimos 10 anos; no Brasil, Lázaro continua a ser caçado em Goiás

| ACidadeON Campinas -

Crimes do "Caso da Marreta" ocorreram próximos da Praça Felipe Selhi, conhecida como "Quebra-Ossos" (Foto: Luciano Claudino/Código19) 

Em meio a caçada por Lázaro Barbosa de Sousa, 32, conhecido como o "serial killer do DF", que se tornou um dos assuntos mais comentados do país, a Polícia Civil de Campinas levantou casos de assassinos em série que ocorreram na cidade nos últimos dez anos. Todos os criminosos estão presos atualmente - um deles acabou morto -, mas fizeram os investigadores se debruçar sobre as mentes criminosas que planejaram e efetivaram crimes na cidade. 
 
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O primeiro caso, de maior repercussão, foi o massacre da Catedral de Campinas, ocorrido em dezembro de 2018.
 O atirador matou quatro pessoas e cometeu suicídio dentro da igreja. Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, entrou ao final da missa, chegou a sentar em um dos bancos da igreja, a cerca de 10 metros da porta da Catedral, e depois de cerca de 10 minutos se levantou.   

Na sequência ele saiu atirando contra os fiéis que estavam no local. A missa começou ao meio-dia e o ataque ocorreu pouco depois das 13h. A ação durou menos de dois minutos e a polícia afirmou que ele usou dois pentes da pistola durante a ação. Jornais e sites de diversos locais do mundo, como Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra, Argentina, entre outros noticiaram a tragédia de Campinas. 
 
Na época, Grandolpho morava em Valinhos com o pai e tinha um comportamento retraído segundo o delegado titular do Deinter 2 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo do Interior 2), José Henrique Ventura. 
 
"Era uma pessoa de perfil retraído, não trabalhava desde 2015. Era bastante recluso, pouco conversava", contou Ventura. A família não sabia que ele possuía a arma que usou para o massacra na Catedral, mas temia um suicídio dele. 

Euler Fernando Grandolpho, de Valinhos, foi identificado como autor do ataque na Catedral (Foto: Reprodução/Facebook) 
SEGUNDO CASO

O segundo caso é de um morador de rua que matou com golpes de marretas três vítimas de uma só vez em um único fim de semana, na região central de Campinas. Os assassinatos ficaram conhecidos na cidade como o "Caso da Marreta" em dezembro de 2011. O criminoso foi preso em janeiro do ano seguinte.

Os crimes aconteceram nas proximidades do Terminal Central, próximo à praça Felipe Selhi, conhecida como "Quebra-Ossos". De acordo com o delegado responsável pelo Setor de Homicídios de Campinas, Rui Pegolo, o caso de Anderson Guedes de Almeida não chegou a ser classificado como serial killer na época, mas de fato ele atuava da mesma forma, atacando vítimas indefesas e com o mesmo modus operandi.

"Ele tinha problemas na infância, de agressão. O pai o agredia, era uma pessoa dependente alcoólatra e o assassino vislumbrava nas pessoas que estavam dormindo na rua uma fotografia do pai. Em represália à essas agressões que sofria, ele imaginava que estava retribuindo. Acabava matando as pessoas em compensação. Ele atuava da mesma forma. Eram vítimas indefesas, dormindo. E ele dava marteladas na cabeça. Só conseguimos chegar nele porque uma vítima sobreviveu e por meio de imagens conseguimos identificá-lo", contou.

Na época, a imprensa de Campinas cobriu o caso por conta de os crimes serem sequenciais e trazerem temor entre os moradores da região. Até a conclusão do inquérito policial, Pegolo afirmou que o assassino da marreta negou os crimes. 

TERCEIRO CASO

O delegado também relembrou do "Caso do Mudinho", um homem que matou em Campinas ao menos três pessoas da mesma forma, com uma série de facadas enquanto cometia furtos. Daniel José Américo, de 30 anos foi preso em dezembro de 2019. Na época, ele era suspeito de ter matado uma emprega doméstica a facadas no Jardim Eulina.

"Ele também matou um casal de idosos perto da Sanasa, matou uma professora aposentada e uma advogada mediante emprego de arma branca, uma faca. Esses casos nos últimos anos. Ele entrava na residência para furtar e durante o furto ele evoluía na mente criminosa dele e atacava as vítimas", disse.

Segundo a polícia, as vítimas eram em sua maioria mulheres, esfaqueadas de 20 a 30 vezes. "Eram crimes feitos com crueldade. Ele furtava celular e pequenas coisas em troca de drogas. O assassino está preso, mas pode ser que tenha feito mais crimes. Ainda investigamos", contou.

Além destes crimes, Mudinho praticava furtos desde 2007. Em 2016, após o latrocínio contra a advogada, Américo foi preso, mas acabou liberado em julho de 2019 porque foi considerado inimputável por apresentar problemas mentais. Na ocasião, o assassino prestou depoimento com a ajuda de intérpretes de libras.

"Ele possui habilidades especiais. Abre portas e fechaduras com muita facilidade. Mas ele não sabe explicar o que acontece quando ele abre uma casa e vê uma mulher", disse Rui Pegolo.
 

Mudinho foi preso em dezembro de 2019 (Foto: Código19/Arquivo)
MENTES CRIMINOSAS

Para o delegado, em ambos os casos se vê condutas criminosas que não são de pessoas comuns. "Ambos enganaram a polícia, eram ouvidos e não confessavam os crimes. Sempre negaram os crimes. O Mudinho acabou confessando apenas um. Analisando o histórico, são pessoas consideradas fronteiriças. Não são o que chamamos de um homem médio", disse.

O delegado explicou ainda que o termo serial killer não muda juridicamente a condição penal do criminoso no Brasil. "Ele vai cumprir todas as penas imputadas pelos crimes. O que muda é que a pessoa faz disso um estilo de vida", afirmou.

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