Publicidade

cotidiano

Em meio a pandemia, Campinas tem semestre com menor número de nascimentos em 18 anos

Cidade teve ainda semestre com maior número de óbitos na série histórica

| ACidadeON Campinas -

Número de nascimentos foi o menor no primeiro semestre em 18 anos (Foto: Rodrigo Nunes/ MS)

Campinas registrou no primeiro semestre deste ano, o menor número de nascimentos em 18 anos, é o que aponta dados da Arpen-SP (Associação de Registradores de Pessoas Naturais de São Paulo).  

Segundo a associação, foi registrado também nos primeiros seis meses deste ano o maior número de óbitos para um primeiro semestre, e a menor diferença entre mortes e nascimentos desde o início da série histórica, que contabiliza os dados estatísticos dos cartórios de registro civil. A contagem começou a ser feita em 2003.  

De acordo com o levantamento, a cidade registrou o menor número de nascidos vivos em um primeiro semestre desde o início da série histórica, sendo que até o final do mês de junho, foram registrados 8.341 nascimentos, número 14,4% menor que a média de nascidos na cidade desde 2003, e 9,6% menor que no ano passado. Com relação à 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o número de nascimentos caiu 19,3%.

Já em relação as mortes, os cartórios de Campinas registraram 6.021 óbitos até o final do mês de junho. O número, que já é o maior da história em um primeiro semestre, é 47,7% maior que a média histórica de óbitos na cidade e 45% maior que os ocorridos no ano passado. Já com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o aumento no número de mortes foi de 50,6%.

MENOR CRESCIMENTO

O maior número de mortes e menor número de nascimentos resultam na menor diferença já vista em um primeiro semestre em 18 anos.

Segundo a Arpen, o resultado da equação entre o maior número de óbitos da série histórica em um primeiro semestre versus o menor número de nascimentos da série no mesmo período é o menor crescimento vegetativo da população em um semestre na cidade, aproximando-se, como nunca antes, o número de nascimentos do número de óbitos.

De acordo com a associação, a diferença entre nascimentos e óbitos que sempre esteve na média de 5.661 nascimentos a mais, caiu para apenas 2.320 em 2021, uma redução de 59% na variação em relação à média histórica. Em relação a 2020, a queda foi de 54,3%, e em relação a 2019 foi de 63,4%.

INCERTEZAS

Entre as possibilidades da queda de nascimentos, estão os impedimentos nas decisões dos casais, que levam em conta o isolamento, problemas na economia e as inseguranças na saúde. 

Stephanie Ortiz, conta que o filho recém nascido Arthur veio ao mundo neste ano, mas se fosse por opção esperaria um pouco mais.

"Ele que veio contra todos os fatores possíveis, contra remédio, contra tudo. Se dependesse do nosso planejamento não viria agora, ficamos com muito medo", relatou.

Segundo o presidente da maternidade de Campinas, Marcos Miele, a diminuição dos nascimentos é maior que no período do zika vírus- doença que afetava grávidas e colocava gestações em risco.

"Esse semestre teve uma queda em torno de 12% no número de nascimentos em relação ao primeiro semestre do ano passado. Acreditamos que está ligado a pandemia, e nem na época do zika virus teve uma queda tão significativa assim", relatou.

Segundo o professor do departamento de demografia da Unicamp, Everton de Lima, os impactos devem ser contabilizados ainda no próximo semestre e nos próximos anos.

"O impacto dos nascimentos contamos novamente nove meses, então será provavelmente visto também no segundo semestre do ano, com possivelmente até mais queda e nos próximos anos. O que perguntamos é se em algum momento vamos recuperar isso. As incertezas econômicas ainda vão durar um pouco no pós pandemia, e talvez a recuperação não seja tão rápida", justificou. 

*Com apoio da reportagem de Jonatan Morel, da EPTV*


Mais notícias


Publicidade