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20 anos da morte de Toninho: teses, prescrição e homenagem

Até hoje os assassinos do ex-chefe do Executivo municipal não foram presos

| ACidadeON Campinas -

 

O ex-prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)

O assassinato do ex-prefeito de Campinas Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, completou 20 anos nesta sexta-feira (10). A data foi lembrada no final da tarde em uma cerimônia no local do crime, na Avenida Mackenzie, perto do shopping Iguatemi.

Toninho teve a vida interrompida por volta das 22h de 10 de setembro de 2001. Ele foi atingido por um dos três disparos feitos contra o carro que dirigia enquanto fazia o trajeto para o prédio onde morava. As balas partiram de uma pistola 9 milímetros e o crime gerou comoção e repercutiu pelo País.

TESES  

Duas décadas depois do homicídio, a falta de desfecho e as dúvidas sobre as duas principais versões para o crime continuam. Enquanto a Polícia Civil e os promotores sustentam o possível envolvimento do traficante e sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, a família do petista acredita em motivação política.

Na versão dos investigadores, o então prefeito foi assassinado porque seu carro teria atrapalhado a fuga da quadrilha de Andinho. O líder do bando chegou a ser acusado formalmente depois que três dos ocupantes do carro em que ele estava no dia do assassinato foram mortos em duas operações policiais em outubro de 2001.

O criminoso foi denunciado por homicídio qualificado (por uso de meio que dificultou a defesa da vítima), mas a Justiça entendeu que não havia indícios que o incriminassem e determinou que a Polícia Civil retomasse as investigações em 2011. Desde então, porém, nada foi esclarecido.

Enquanto isso, a família seguiu em busca de respostas e reclama de omissão. Em uma postagem no Facebook nesta data, em 2020, a viúva dele, Roseana Garcia, disse ter certeza que o crime foi político e que ele "foi assassinado por ser o prefeito de Campinas e contrariar muitos interesses escusos da cidade".

Ela também afirmou que "o crime nunca foi investigado da maneira que precisaria ter sido, pois nunca houve interesse genuíno pelo seu esclarecimento" e desabafou ao dizer não ter certeza se o crime será esclarecido, mas que seguirá lutando por isso. Neste ano, postou um vídeo no qual o advogado da família, William Ceschi Filho, critica a confusão do primeiro inquérito sobre o caso e a estrutura da Polícia Civil na segunda investigação a partir de 2011.

PRESCRIÇÃO

Além da incerteza sobre a autoria, o período sem respostas concretas indica também a prescrição do crime. Com isso, se algum autor for identificado neste ou nos próximos anos, não poderá ser punido pela morte.

Diante dessa possibilidade, o advogado da família do político, William Ceschi Filho, já manifestou que tem intenção de ingressar com uma denúncia na OEA (Organização dos Estados Americano) acusando o Estado brasileiro de "omissão na investigação de crime político".

Em julho deste ano, Ceschi já havia encaminhado manifestação recorrendo do arquivamento do segundo inquérito, aberto em 2011. O pedido foi feito à Justiça pelo MP (Ministério Público), através da promotora Aline Moraes.

HOMENAGEM

Na tarde desta sexta-feira (10), foi realizada uma cerimônia para homenagear Toninho. O ato, que teve presença do atual prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), aconteceu na Avenida Mackenzie, local onde o político foi morto em 2001 e no qual foi erguida uma estátua em homenagem a ele.

O monumento "Toninho e sua Pipa", do artista Spencer Pupo Nogueira, passou por obras orçadas em R$ 60 mil sob responsabilidade da Secretaria de Serviços Públicos de Campinas. O canteiro recebeu o plantio de 8 mil mudas de plantas ornamentais, de 50 árvores nativas e de palmeiras-jerivá. A escultura recebeu limpeza, pintura e iluminação.

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