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PF investiga fraude em licitação de hospitais de campanha em Paulínia

Segundo a PF, a contratação, que não chegou a ser finalizada, teria um desvio estimado em R$ 4 milhões

| ACidadeON Campinas -

 

PF cumpre mandados em cidades da região (Foto: Luciano Claudino/Código19)

 

A Polícia Federal de Campinas deflagrou na manhã desta terça-feira (21) uma operação que apura fraudes em licitação na contratação de empresa para a montagem de dois hospitais de campanha em Paulínia.  

Os crimes teriam acontecido entre abril e maio do ano passado. Segundo a PF, a contratação, que não chegou a ser finalizada, teve desvio estimado em R$ 4 milhões. 

Ao todo, 60 policiais federais cumprem hoje 14 mandados de busca e apreensão em Campinas, Paulínia, Sumaré, São José do Rio Preto e São Paulo. Um dos mandados foi cumprido na Prefeitura de Paulínia.

Mandados também são cumpridos em Florianópolis e Biguaçu, cidades de Santa Catarina, em endereços ligados às pessoas físicas e jurídicas relacionadas à licitação fraudada, com o objetivo de colher provas e identificar todos os envolvidos.   

Em nota, a Prefeitura disse que os mandados se referem a uma possível fraude, e que contribui com a investigação.

"A Prefeitura de Paulínia ressalta que o prefeito Du Cazellato e o secretário de Saúde, Fábio Alves, não são investigados pela operação. Tanto o prefeito como o secretário de Saúde colaboraram com o fornecimento de informações e se colocaram à disposição para contribuir com as investigações", disse o texto.  

Segundo a Administração, durante o cumprimento dos mandados não foram apreendidos quaisquer documentos relacionados ao gabinete do prefeito e o expediente na Prefeitura segue normalmente.

INVESTIGAÇÃO 

Segundo a PF, a investigação foi iniciada a partir da abordagem de um caminhão suspeito de conter carga roubada, em abril do ano passado, e revelou uma série de indícios de irregularidades no processo licitatório aberto para selecionar e contratar empresa especializada em montagem de hospitais de campanha. 

"Apesar da contratação não ter sido finalizada, a investigação demonstrou que isso se deu por circunstâncias alheias à vontade dos envolvidos, resultando configurado o crime de fraude à licitação, cuja pena é de 4 anos de prisão", disse a PF. 

A operação foi denominada Carga Implosiva. O nome da operação, segundo a PF, é uma referência à carga encontrada dentro do caminhão estruturas metálicas para eventos abordado pela Polícia Civil e Guarda Municipal de Paulínia, que revelou os indícios da ação criminosa.  

COMO ACONTECEU 

Segundo o delegado da PF de Campinas, Edson Souza, a investigação sobre o desvio começou em 6 de abril, após a apreensão do caminhão com estruturas metálicas apreendido pela Polícia Civil, com suspeita de que pudesse estar com mercadorias roubadas. 

As investigações, no entanto, mostraram que o caminhão era de uma empresa catarinense, cotada pela Prefeitura para a construção de dois hospitais de campanha. O veículo tinha sido enviado à cidade antes mesmo da licitação ter sido concluída. 

O PROCESSO 

Em 2 de abril, a secretaria de saúde de Paulínia manifestou uma sugestão pra Secretaria de Obras em ampliar leitos covid. No mesmo dia, secretaria solicitou a abertura de licitação pra dois hospitais de campanha. Ainda no dia, a Pasta solicitou cotação de preços a quatro empresas. 

No dia seguinte, as empresas enviam por e-mail entre 11h50 e 12h28 orçamentos que variam entre R$ 4 milhões e R$ 5,1 milhões de reais. Já no dia 6 às 9h07 da manhã, empresa de Santa Catarina foi notificada como vencedora, mas às 16h horas, caminhão de tal empresa já estava em Paulínia. 

"A distância entre as duas cidades é de 800 km. Além disso, havia reserva no hotel para os funcionários do caminhão desde o dia 03 de abril, às 16h", explicou o delegado, que afirmou que seria impossível, considerando que o anúncio havia sido feito no mesmo dia, não dando tempo do veículo ter rodado 800 quilômetros. 

No dia 7 de abril, o processo licitatório pra montagem dos dois hospitais de campanha foi reiniciado pela secretaria de obras, e no dia 8 o secretário de Negócios Jurídicos e a secretaria de Saúde de Paulínia se opõem à proposta. Em 6 de maio houve o arquivamento da proposta 

Segundo a PF, nem o prefeito de Paulínia, nem o secretário de saúde, nem o secretário interino de negócios jurídicos têm relação com a investigação, sendo que um dos alvos principais é o ex-secretário de obras, Marcelo Mello, que deixou o cargo em novembro do ano passado. Na ocasião, segundo delegado Edson Souza, foram encontrados com o ex-secretário, 50 mil reais em dinheiro.

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