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Família denuncia troca de corpo de idosa de 74 anos em velório

Polícia investiga o caso e corpo de Maria Aparecida Cardoso ainda não foi encontrado; funerária admite erro

| ACidadeON Campinas -

A vítima Maria Aparecida Cardoso (Foto: Arquivo Pessoal)
 *Esta matéria foi atualizada às 17h49 do dia 22 de setembro

A família de uma idosa de 74 anos, que estava internada no HES (Hospital Estadual de Sumaré) e morreu ontem (21) após ter complicações causadas pela covid-19, recebeu hoje (22) o corpo de uma outra pessoa no lugar da falecida. A funerária Grupo Serra, no final da tarde de hoje, informou que houve erro e os corpos foram, de fato, trocados.

De acordo com o boletim de ocorrência, os familiares perceberam a troca quando o corpo chegou ao velório, no Cemitério dos Amarais, em Campinas. O caixão não estava lacrado no momento.

Um boletim de ocorrência do caso foi registrado no 2º DP (Distrito Policial), de Sumaré, como destruição, subtração ou ocultação de cadáver. A suspeita é de que o corpo de Maria Aparecida Cardoso teria sido sepultado no lugar de outra pessoa. Os parentes estão com dúvidas do que pode ter ocorrido.

Ainda segundo o registro policial, a vítima estava internada no HES e, após o falecimento, foi encaminhado à funerária Grupo Serra de Hortolândia. 
 
Em nota a empresa confirmou que existiu um erro de procedimento e que está entrando em contato com as famílias envolvidas para executar uma exumação e fazer um novo reconhecimento de corpos por meio de digitais.

COMO FOI

A vítima foi a óbito às 11h45 do dia 21 de setembro e entregue ao agente funerário às 15h40 do mesmo dia. O agente, ao receber a informação da família sobre a troca dos corpos, solicitou que o corpo fosse devolvido ao HES.

Segundo o boletim, o agente disse que recolheu o corpo no hospital e que constava na embalagem cadavérica, tórax e pulseira os dados da vítima de 74 anos. Além disso, ele falou que no necrotério somente havia o corpo da idosa.

DOCUMENTAÇÃO E CONFUSÃO

Após o recolhimento no hospital, a funerária informou que fez a documentação da mulher e encaminhou o corpo para o laboratório da funerária em Artur Nogueira.

Depois da preparação, o corpo da Maria Aparecida retornou para a unidade de Hortolândia da empresa, onde aguardou o horário do velório.

Neste momento, o agente funerário relatou à Polícia que achou a situação estranha, uma vez que a matriz da funerária o chamou para buscar o corpo no HES, mas depois disse que o corpo já havia sido removido.

Consta no boletim ainda que a enfermeira plantonista do hospital teria preparado a identificação da vítima. Depois ela disse que o corpo que voltou ao HES não era, de fato, da idosa de 74 anos.

Isso porquê ela tinha características físicas pontuais, como escaras e dois ferimentos por punção, um na jugular e outro na femural direita, que não estavam no corpo devolvido ao hospital.  

Após o caso, foi requisitado um exame de IML (Instituto Médico Legal) para identificar o corpo devolvido.

A FUNERÁRIA

À tarde, o Grupo Serra se pronunciou em nota e disse que "identificou que houve um erro de procedimento, ocasionando a troca de corpos, que às 10h do dia 22 de setembro, foi identificado pela família de uma das falecidas."  

Segundo a Grupo Serra, o erro foi identificado "a partir de gravações de circuito interno de vídeo no laboratório da empresa".  

"Como primeira ação, o Grupo Serra já está entrando em contato com a família da paciente que faleceu no UPA Macarenko, para informar o ocorrido bem como a necessidade de exumação do corpo para confirmação das digitais".

A empresa informa ainda que "já está em contato com as vítimas, dando todo o apoio necessário para a solução do problema". "Estamos trabalhando para identificar o ocorrido, desde a saída do corpo da unidade de saúde de Sumaré até o local do sepultamento," disse ainda. 

O QUE HOUVE 

No dia 21 de setembro, a empresa disse tinha duas ordens de serviço para retirada de um corpo no Hospital Estadual de Sumaré e outro na UPA Macarenko, ambas em Sumaré. 

Segundo o Grupo Serra, O primeiro corpo, retirado no HES, estava identificado com uma etiqueta em que continha seu nome, data de falecimento, horário e hospital de origem. 

"O segundo corpo, de uma senhora falecida aos 71 anos, no dia 21 de setembro às 7h30 da manhã, foi retirado na UPA Macarenko, por volta das 11h e estava acompanhado de uma etiqueta em branco e um papel solto com uma identificação, acima do corpo", explicou. 

A família da senhora que faleceu no UPA Macarenko realizou o funeral no dia 22 de setembro às 10h30. Já a segunda família, de Maria Aparecida Cardoso, denunciou a troca de corpos.

A UNICAMP

O HES foi procurado e disse que "não houve falha no processo dentro do hospital". A Unicamp, que administra o hospital, disse ainda que "todos os protocolos de rastreabilidade foram seguidos e que só havia essa paciente no necrotério na terça, sendo o corpo entregue para a funerária com todas as documentações".

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