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Para namorada, homem foi morto por engano após perseguição

Luciano Gomes dirigia o carro que foi seguido pelos policiais militares após uma série de crimes, mas a mulher diz que ele foi sequestrado

| ACidadeON Campinas -

Imagens de um estabelecimento mostram Luciano entre os dois envolvidos no caso (Foto: Reprodução)
 

A namorada de Luciano Gomes Calonga, morto pela Polícia Militar na última quarta-feira (22) após uma perseguição policial, em Sumaré, questiona a versão registrada no boletim de ocorrência e nega que o homem de 26 anos seja criminoso e tenha participado de uma série de roubos que terminou em tiroteio.

De acordo com Ana Paula da Silva, ele estava no carro porque era motorista de transporte por aplicativo e teria sido sequestrado e obrigado a dirigir pelos dois assaltantes.

Depois de cometer crimes na Avenida Lix da Cunha, em Campinas, segundo ela, a dupla teria ameaçado Luciano para que pudessem fugir até a cidade vizinha.

"É visível que ele estava sendo coagido. É visível. A gente não tem dúvida. Inclusive, eu discordo do boletim de ocorrência. A polícia matou um inocente e eu tenho certeza disso", defende ela.

O BOLETIM DE OCORRÊNCIA

A perseguição policial terminou depois que o carro dirigido por Luciano bateu em um caminhão na Avenida Emílio Bosco, em Sumaré. No dia da ocorrência, o tenente-coronel Elson Cardoso Júnior falou sobre o caso.

"Nós recebemos informações sobre esse veículo e que esses indivíduos eram prováveis autores de roubos em Campinas, na Avenida Lix da Cunha", disse.

No registro feito na Polícia Civil, os policiais militares que participaram da perseguição alegam que um suspeito foi atingido e morto depois que atirou contra eles. Já o PM que disparou três vezes contra Luciano disse que o motorista do veículo tentava soltar o cinto de segurança com uma arma na mão.

No documento, os policiais dizem que a arma que ele usava era um revólver calibre 38 e estava com seis cartuchos intactos. O terceiro ocupante do carro, um adolescente de 15 anos, foi apreendido.

INDÍCIOS

Imagens da câmera de segurança de um minimercado que foi assaltado mostram Luciano chegando entre os dois envolvidos no caso antes da perseguição. No local, o adolescente se apoia nele para pular sobre o balcão. O outro, de boné azul, o mantém por perto e aparece puxando ele pelo braço.

"Quando ele entra, está no meio dos dois. Dá pra perceber que foi coagido. Está de cabeça baixa e ele não andava assim. Além disso, pega algo que caiu do balcão e põe no lugar", alega a namorada do homem. 



Sobre a suspeita de que o carro da perseguição teria sido furtado, Ana Paula disse que Luciano havia alugado o veículo há 15 dias para continuar trabalhando como motorista de aplicativo, já que o veículo dele estava no conserto.

A mulher, inclusive, diz ter o documento do aluguel do veículo e as mensagens que ele havia trocado com o funcionário de uma locadora.

INVESTIGAÇÕES  

O delegado responsável pelo caso, Marcelo Moreschi, disse que Ana Paula da Silva já foi ouvida pela polícia e que nenhuma hipótese foi descartada.  

Moreschi também aguarda a Justiça autorizar a quebra de sigilo telefônico de Luciano e analisa os vídeos que mostram um dos assaltos.

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que o caso é investigado pela Polícia Civil de Sumaré, que vai analisar as imagens do comércio e as informações do telefone de Luciano para confirmar se ele teve participação no crime.

A Polícia Militar também se manifestou e disse que apura se houve algum crime praticado pelos agentes.

APLICATIVOS

As empresas Uber e 99 confirmaram que Luciano era cadastrado como motorista, mas ambas disseram que o condutor não estava em corrida pelas plataformas no horário da ocorrência. As empresas lamentaram a morte e se colocaram à disposição para colaborar com as investigações.  

(Com informações da EPTV Campinas)

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